Deflação enfim chega, mas longe de equalizar altas

Nathália Sousa
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Agosto foi o segundo mês consecutivo de deflação no país, com queda geral de preços de 0,36%, mas nada comparado à inflação acumulada nos últimos 12 meses, de 8,73%. A queda no preço, principalmente dos combustíveis, além da energia elétrica e em alguns alimentos puxou a inflação para baixo. Artigos de vestuário e outros alimentos, por exemplo, registraram altas, fazendo com que a redução não fosse tão significativa.

O índice observado agora é menor que o dos 12 meses imediatamente anteriores, quando a inflação acumulou alta de 10,07%. Ou seja, há redução, mas é baixa perto do aumento registrado.

Economista, Messias Mercadante explica que há pessoas que sentem mais a inflação. "A deflação não atinge todas as camadas de renda da mesma forma. É desigual. A pessoa que não tem veículo e usa a renda quase que em sua totalidade para pagar contas, aluguel e com a alimentação, não é beneficiada pelo preço mais baixo dos combustíveis. Mas a tendência é que toda a cadeia vá melhorando por influenciar insumos e outros preços."

O impeditivo para a queda de preço de muitos produtos é o frete. "De todos os derivados do petróleo, o diesel tem menos oferta e foi o que menos caiu. Como o diesel é a base do frete automobilístico, se houvesse queda, reduziria o frete, que atinge toda a cadeia, da indústria ao consumidor final. Seria importante uma queda mais significativa do diesel também."

Para o futuro, além de perspectivas mais otimistas com relação à guerra, já que a Ucrânia voltou a exportar grãos, há a entrada de safras, como a do leite, fatores que devem melhorar preços de alimentos. A indústria de bens também deve mudar, segundo Mercadante. "Um fato relevante é a redução de 35% do IPI. No momento em que os estoques do varejo vão acabando, a indústria vai vender os produtos mais barato. É um efeito muito importante. O preço de venda tem o custo do produto, o ICMS, o PIS, Cofins, comissão do vendedor e o IPI sobre tudo. Com a redução de 35%, um produto chega mais barato na ponta. Essa redução não é imediata porque depende de estoque, mas dará um bom impacto."

DIFÍCIL

Dona de casa, Neide Canesi percebe mais aumentos do que reduções de preços. "O que a gente acha mais em conta é o que está em oferta, mas de modo geral subiu tudo. Derivados do leite subiram bastante, assim como carne vermelha. Procuramos consumir mais carne de frango e suína. Acho que deveriam abaixar mais os preços, mas acho difícil voltar ao que era antes."

Diarista, Kátia Cilene Fornaro espera que a situação melhore, mas, até lá, faz pesquisas. "A gente corre nas ofertas. Minha filha tem padaria e serve almoço, então baixo os aplicativos de mercados e onde a gente vê promoção de algo, vamos comprar. Combustível e energia está bem melhor o preço. Aluguel está absurdo em Jundiaí, subiu legumes, produtos de limpeza, café, leite e derivados, arroz, feijão. O arroz ainda consigo achar mais ofertas agora, mas está difícil. Moro de aluguel e senti muito aumento."

Dona de casa, Sônia Machado lista os itens que viu as maiores altas. "Não dá para comparar porque tudo subiu. Feijão, café, legumes, não dá para comprar nada. Se a pessoa for humilde, tiver filho e pagar aluguel, passa fome. Como R$ 9 o quilo da banana, carne tá muito cara, tem que escolher o mais barato, não come algo que tem vontade às vezes. O que abaixaram, foi coisa mínima, ainda está caro. Acho que os preços no ano que vem vão depender do presidente eleito."

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