De posse do laudo médico sobre a idade óssea da suspeita, e, devido a incongruências apresentadas por ela, ao tipo de fala que ela apresentava e o raciocínio incompatível com uma pessoa de 12 anos, a DDM passou a desconfiar de seus relatos e, em busca na internet, achou uma matéria jornalística de 12 anos atrás, que trazia narrativa semelhante, de uma adolescente de 13 anos que sofria as mesmas violências e que havia fugido de Fortaleza (PE) para Natal (RN), onde registrou ocorrência.
Os detetives, então, contataram o Hospital Maria Alice Fernandes, em Natal, onde a adolescente da matéria havia passado por atendimento e cirurgias para retirada de agulhas do corpo. O hospital forneceu à DDM, após encaminhamento de ofício, o prontuário médico dessa suposta vítima, com fotos da paciente. A partir daí, foi verificado que se tratava da mesma pessoa que se apresentou em Jundiaí como Ana Clara.
Assim, com mais algumas diligências, confirmou-se que, na verdade, a suposta adolescente se tratava de uma mulher nascida em 05/05/1988, ou seja, com 34 anos.
CONFISSÃO
A equipe da DDM conversou com ela e expôs que já tinha conhecimento de sua verdadeira identidade. Ela confessou que tinha o costume de fazer isso porque, há doze anos, quando fez pela primeira vez, as pessoas se comoveram e a ajudaram com comida, abrigo, roupas, alimentação, remédios e dinheiro. E falou que tudo começou quando foi abusada sexualmente por seu pai, na infância, e sua mãe não acreditou.
Contou, também, que as agulhas foram inseridas em seu corpo por ela própria, e que faz isso porque a dor física ameniza suas angústias. Ela confessou, ainda, que já passou pelo Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, entre outros, sempre trocando de nome.
A história foi descoberta com a ajuda das policias civis de Natal e Fortaleza.