INVESTIGAÇÃO

Maria Isabel foi submetida a tribunal do crime durante sequestro

Por Hevertom Talles | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
A filha Maria Isabel, o pai Milton Prado e os supostos executores Rafael Vitor e Guilherme Henrique, também mortos
A filha Maria Isabel, o pai Milton Prado e os supostos executores Rafael Vitor e Guilherme Henrique, também mortos

Maria Isabel Oliveira Prado, de 21 anos, foi submetida a um chamado “tribunal do crime” enquanto estava em poder dos sequestradores. Durante o período em que permaneceu em cárcere privado, a jovem passou por interrogatórios e sessões de agressões. A informação foi divulgada nesta sexta-feira, 30, pela Polícia Civil de Franca após a análise de áudios e outros arquivos digitais obtidos durante a investigação.

Segundo o delegado Gabriel Fernando Tomaz Silva, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), a apuração identificou que pessoas envolvidas no sequestro acompanhavam o julgamento ilegal. Entre elas estaria Kelly Cristina Queiroz, de 40 anos, moradora da casa utilizada como cativeiro, no Jardim Aeroporto III.

“Ela fica acompanhando o tempo inteiro o interrogatório da Maria Isabel e o tribunal do crime que é realizado, o julgamento ilegal ao qual a Maria Isabel foi submetida”, afirmou o delegado.

Os registros também indicaram que Kelly cobrava informações sobre o andamento dos interrogatórios e sobre o que Maria Isabel havia contado a respeito do desaparecimento de Rafael Vitor de Souza Rosa, de 18 anos, e Guilherme Henrique Melo da Cruz, de 22 anos, posteriormente encontrados mortos em Sacramento (MG). Eles teriam matado o pai de Maria Isabel, Milton Prado, a mando da própria filha.

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Interrogatórios e agressões

O chamado “tribunal do crime” é uma espécie de julgamento clandestino realizado por integrantes de organizações criminosas, que submetem pessoas a interrogatórios e decisões próprias, sem legitimidade legal.

No caso investigado em Franca, Maria Isabel teria sido submetida a esse procedimento enquanto estava sob o domínio dos criminosos. A Polícia Civil conseguiu reconstruir parte da dinâmica por meio do cruzamento dos áudios com outros elementos reunidos durante a investigação.

De acordo com o delegado, pessoas ligadas a Rafael e Guilherme procuraram Kelly para intermediar contatos com integrantes de uma organização criminosa.

A investigação também apontou que, em determinado momento, depois de as vítimas serem levadas para uma chácara e posteriormente deixadas na própria residência, Kelly demonstrou indignação com a liberação e ofereceu a casa para que continuassem em cativeiro.

Segundo inquérito aprofundou participação de envolvidos

A descoberta do julgamento ilegal integra um segundo inquérito instaurado pela DIG para aprofundar a participação de pessoas envolvidas no sequestro da família.

A investigação identificou ainda outro homem que teria auxiliado na manutenção das vítimas em cárcere. Segundo a apuração, ele recebia orientações sobre como trancar e destrancar o portão da casa e levava alimentos ao imóvel.

Com a conclusão do inquérito complementar, os elementos foram encaminhados ao Poder Judiciário e ao Ministério Público para as providências cabíveis.

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