NOVA VERSÃO

'Prova de amor': assassino acusa ex de planejar morte da namorada

Por Giovanna Attili | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Sampi/Franca
Reprodução
O suspeito Alberto Rodrigues Neto, 26, a vítima Thainara dos Reis, 22, e a sobrevivente Jéssica dos Santos, 26
O suspeito Alberto Rodrigues Neto, 26, a vítima Thainara dos Reis, 22, e a sobrevivente Jéssica dos Santos, 26

Uma carta escrita por Alberto Nunes Rodrigues Neto, de 26 anos, apresenta uma versão diferente para o ataque que matou Thainara Aparecida Almeida dos Reis, de 22 anos, e deixou Jéssica Gomes dos Santos, de 26, ferida em Franca. No documento, Alberto afirma que Jéssica teria planejado a morte da jovem e pedido ajuda para executar o crime.

O relato é diferente do depoimento prestado por Jéssica à DIG (Delegacia de Investigações Gerais) na terça-feira, 1º. À polícia, ela afirmou que Alberto chegou nervoso ao apartamento, discutiu com as duas e iniciou os ataques com uma faca. Jéssica também disse que não havia reatado o relacionamento com Alberto.

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Na carta, Alberto afirma que, nos dias anteriores ao crime, Jéssica demonstrava preocupação com uma situação que poderia prejudicar sua vida social e a relação com os familiares. Ele conta que buscou a mulher em uma quinta-feira de manhã e, durante o trajeto, ela teria explicado que estava sendo ameaçada por Thainara, com quem mantinha um relacionamento.

Segundo o relato de Alberto, Jéssica teria dito que Thainara ameaçava divulgar o relacionamento das duas caso Jéssica não voltasse para Franca para ficar com ela. Ele afirma que tentou convencê-la a esquecer a situação, mas Jéssica teria demonstrado preocupação com a reação da família e com o que outras pessoas pensariam.

Pedido de 'prova de amor'

Na carta, Alberto contou que, durante a conversa, Jéssica perguntou se ele a amava e, diante da resposta afirmativa, teria pedido uma “prova de amor”. Na sequência, segundo ele, ela teria apresentado um plano para matar Thainara.

“Então. ela me falou que a gente teria que dar um jeito de silenciar aquela mulher”, escreveu Alberto.

Ainda conforme a carta, Jéssica teria planejado atrair Thainara novamente para o apartamento onde Alberto morava. O objetivo, segundo o relato, seria matar a jovem e desmembrá-la para colocar o corpo dentro de uma mala de viagem.

A versão apresentada por Alberto ocorre em meio à investigação da Polícia Civil sobre a dinâmica do crime. Antes de ouvir Jéssica, o delegado da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), Márcio Murari, havia afirmado que ainda era necessário esclarecer quem teria avisado Alberto de que as duas mulheres estavam no apartamento.

A carta de Alberto foi divulgada pela família, após permanecer em silêncio durante duas oitavas do acusado na delegacia.

Ataque

Alberto afirma que, no dia do crime, foi até o apartamento e encontrou Jéssica acordada e Thainara dormindo. Segundo ele, Jéssica teria feito sinais para que mantivesse silêncio e lhe entregado uma faca para começar o ataque.

“Foi quando peguei a faca muito rápido e acabei cortando a mão dela, ela gritou e acabou acordando aquela mulher”, escreveu.

A partir daí, conforme o relato, Thainara teria acordado e partido para cima dele. Alberto afirma que os dois começaram a lutar e que ele desferiu alguns golpes.

Ele conta ainda que Jéssica tentou segurar Thainara durante a briga. Segundo Alberto, ele acabou acertando Jéssica no ombro. Ele afirmou que continuou atacando Thainara até que ela gritou algumas vezes e caiu no chão.

Na sequência, segundo a carta, Jéssica teria perguntado se Thainara estava morta e levado uma machadinha para Alberto terminar o que começou.

Ele afirma que pegou a ferramenta, mas desistiu de continuar porque acreditava que os vizinhos teriam ouvido os gritos.

Versões diferentes

A carta apresenta uma narrativa diferente da versão dada por Jéssica à Polícia Civil. No depoimento, a sobrevivente afirmou que Alberto chegou inesperadamente ao apartamento e iniciou os ataques. Segundo a investigação, Thainara foi atingida por sete facadas, quatro delas no tórax, e uma atingiu a artéria aorta. Jéssica também sofreu ferimentos no ombro e na mão esquerda.

O crime aconteceu na madrugada de 5 de agosto, em um apartamento na rua Irmãos Antunes, no Jardim Guanabara. O filho de aproximadamente 3 anos de Alberto e Jéssica estava no imóvel e não ficou ferido. Após o ataque, Alberto fugiu e se apresentou à polícia no dia 10, quando foi preso temporariamente.

Dois dias depois, em novo interrogatório na DIG, Alberto decidiu permanecer em silêncio e informou, por meio da defesa, que pretendia apresentar sua versão somente em juízo. Na ocasião, a Polícia Civil ainda investigava a possível participação de uma terceira pessoa no crime.

A carta agora apresenta justamente a versão de Alberto sobre como o ataque teria sido planejado e executado. No documento, ele afirma que, depois de deixar o apartamento, recebeu uma mensagem de Jéssica pedindo que não contasse o ocorrido à família dela. Algumas horas depois, segundo ele, ela pediu que avisasse o condomínio para que pudesse retirar uma máquina para vender, pois precisava de dinheiro.

A Polícia Civil concluiu o inquérito e pediu à Justiça a conversão da prisão temporária de Alberto em preventiva. O caso segue para manifestação do Ministério Público e do Poder Judiciário.

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O que diz a defesa de Alberto sobre a carta?

Em nota, a defesa de Alberto afirmou que tomou conhecimento sobre o conteúdo e disse que o acusado teria omitido informações até o presente momento para preservar a genitora de seu filho. Ainda de acordo com a defesa, a nova versão do ocorrido deve alterar a dinâmica do processo e reabrir as investigações. Confira a nota:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

A defesa de Alberto Nunes esclarece que tomou conhecimento integral dos fatos somente em 04 de agosto de 2026. Até então, Alberto havia omitido parte das informações por, segundo ele, desejar preservar a genitora de seu filho.

Após perceber que fatos relevantes poderiam ter sido distorcidos, Alberto autorizou a defesa a ter acesso a uma carta deixada com um de seus irmãos, cujo conteúdo traz novos elementos sobre o caso.

Diante da gravidade das informações, a defesa entende que elas podem alterar a dinâmica do processo e devem ser devidamente investigadas pelas autoridades competentes, sem antecipação de conclusões.“

O que diz Jéssica?

A reportagem do Portal GCN entrou em contato via ligação com Jéssica na tarde dessa quarta-feira, 9. Ela atendeu e confirmou ser Jéssica quem estava falando. A partir do momento em que a repórter se identificou, a jovem prontamente desligou e não mais atendeu.

O advogado dela também foi acionado e disse que não estava conseguindo contato com a cliente.

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