02 de setembro de 2026
DETALHES DO CRIME

Sobrevivente conta como ex matou sua namorada a facadas em Franca

Por Ariane Jud | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução/Redes Sociais
Alberto Nunes Rodrigues Neto, de 26 anos, e Jéssica Gomes dos Santos, de 26 anos

O homem investigado pela morte de Thainara Aparecida Almeida dos Reis, de 22 anos, teria direcionado o ataque principalmente contra a jovem, que mantinha um relacionamento com a ex-companheira dele. A informação faz parte do depoimento nessa terça-feira, 1º, prestado por Jéssica Gomes dos Santos, de 26 anos, sobrevivente do crime ocorrido em Franca.

Jéssica contou à DIG (Delegacia de Investigações Gerais) que Alberto Nunes Rodrigues Neto, de 26 anos, demonstrava, em alguns momentos, não aceitar o relacionamento dela com Thainara. Na madrugada do crime, segundo o relato, ele chegou nervoso ao apartamento, discutiu com as duas mulheres, pegou uma faca e iniciou os ataques.

Thainara, conforme a investigação, foi atingida por sete facadas, quatro delas no tórax. Uma teria alcançado a artéria aorta. Jéssica também foi esfaqueada ao tentar impedir as agressões e sofreu, entre outros ferimentos, uma lesão com exposição óssea na mão.

O ataque aconteceu na madrugada de 5 de agosto, em um apartamento na rua Irmãos Antunes, no Jardim Guanabara. O filho de aproximadamente 3 anos de Alberto e Jéssica estava no imóvel e não ficou ferido.

Alberto, ex-companheiro de Jéssica, está preso. A Polícia Civil concluiu o inquérito e pediu à Justiça a conversão da prisão temporária em preventiva.

Ex não aceitava novo relacionamento, diz depoimento

Jéssica prestou depoimento remotamente na terça-feira, 1º, porque atualmente mora em outro Estado. Segundo o delegado Márcio Murari, responsável pela investigação, a polícia tentou fazer com que ela retornasse a Franca para participar presencialmente da reconstituição dos fatos, mas isso não foi possível.

À polícia, Jéssica afirmou que seu relacionamento com Alberto já havia terminado quando o crime aconteceu.

“Ela disse que o relacionamento já tinha acabado”, afirmou Murari.

Antes da separação, porém, houve um episódio de violência doméstica, segundo o depoimento, que chegou a ser registrado em boletim de ocorrência.

Mesmo após o término, Jéssica disse que mantinha uma convivência civilizada com Alberto, principalmente por causa do filho que tiveram juntos.

Em junho de 2026, Jéssica iniciou um relacionamento com Thainara. De acordo com o delegado, o ex-companheiro demonstrava, em alguns momentos, resistência à nova relação.

Ex chegou nervoso e pegou faca

Na madrugada do crime, Jéssica estava no apartamento que havia sido alugado por Alberto quando eles ainda viviam juntos. Ela contou que havia levado o filho, de aproximadamente 3 anos, para que o menino pudesse conviver com o pai.

Thainara estava com ela no imóvel.

De acordo com o depoimento, Alberto chegou ao apartamento bastante nervoso. Depois de entrar, começou uma discussão.

“Ele inesperadamente chegou até o local e, após entrar, acabou entrando em discussão com as duas e se apossou de uma faca”, afirmou o delegado.

Ainda conforme as informações reunidas pela investigação, Thainara teria sido o principal alvo do ataque. Jéssica foi ferida quando tentou impedir as agressões contra a namorada.

Thainara sofreu sete perfurações

Quando os policiais chegaram ao apartamento, encontraram Thainara em um dos quartos com diversos ferimentos provocados por faca nos braços, rosto e tórax.

A investigação apontou sete perfurações: duas no ombro, uma na face e quatro no tórax. Uma das facadas teria atingido a artéria aorta.

Equipes do Samu socorreram a jovem, que foi levada por uma Unidade de Suporte Avançado à Santa Casa de Franca. Ela não resistiu aos ferimentos e morreu pouco depois de dar entrada no hospital.

Jéssica também precisou ser socorrida. Ela sofreu ferimentos no ombro e na mão esquerda e foi encaminhada ao Pronto-socorro Municipal “Dr. Álvaro Azzuz”. Uma das lesões provocou exposição óssea.

Filho do casal estava no apartamento

O filho de aproximadamente 3 anos de Alberto e Jéssica estava no apartamento durante o ataque.

A criança foi encontrada no colo da mãe durante o atendimento da ocorrência e não sofreu ferimentos. Posteriormente, o menino foi entregue aos cuidados de uma responsável indicada pela família.

Segundo a investigação, a presença de Jéssica no apartamento estava relacionada justamente à convivência da criança com o pai.

Ataque teria durado poucos minutos

Após as agressões, Alberto deixou o condomínio em um GM Corsa preto. Funcionários da portaria relataram a saída do veículo, e imagens de câmeras de segurança foram anexadas ao inquérito.

Segundo a Polícia Civil, transcorreram aproximadamente seis minutos entre a chegada e a saída do suspeito do condomínio.

Posteriormente, Alberto se apresentou e foi preso. De acordo com Murari, quando se apresentou, ele já havia se desfeito do telefone celular.

A ausência do aparelho dificultou uma das linhas da investigação: descobrir se alguém teria informado Alberto de que Jéssica estava no apartamento acompanhada de Thainara.

“Não foi possível identificar se supostamente alguém teria avisado da presença das duas no local”, explicou o delegado.

Jéssica diz que não esperava ataque

Em seu depoimento, Jéssica afirmou que jamais esperava uma reação de tamanha violência por parte do ex-companheiro, apesar do episódio anterior de violência doméstica e da resistência que, segundo ela, Alberto demonstrava em relação ao fim do relacionamento.

Para Murari, as declarações da sobrevivente foram importantes para esclarecer tanto como foi o ataque quanto como era a relação existente entre os envolvidos antes do crime.

Com a conclusão do inquérito, a Polícia Civil apresentou à Justiça pedido para que Alberto permaneça preso preventivamente. O caso segue agora para manifestação do Ministério Público e do Poder Judiciário.