ENTREVISTA

Irmã de Maria Isabel confirmou plano de 'dar um susto' no pai

Por Giovanna Attili | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Sampi/Franca
Giovanna Attili/GCN
Do lado esquerdo, o delegado Márcio Murari, em entrevista à Rádio Difusora; do lado direito, Maria Isabel, suspeita de encomendar a morte do pai
Do lado esquerdo, o delegado Márcio Murari, em entrevista à Rádio Difusora; do lado direito, Maria Isabel, suspeita de encomendar a morte do pai

A irmã de 14 anos de Maria Isabel Prado confirmou à DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Franca que sabia da intenção da irmã de “dar um susto” no pai, o caseiro Milton de Sousa do Prado. Segundo o delegado Márcio Murari, o depoimento da adolescente reforçou a participação de Maria Isabel no planejamento do homicídio. As declarações foram dadas em entrevista ao jornalista Corrêa Neves Jr., no programa A Hora É Essa!, da Rádio Difusora.

Depoimento reforçou a investigação

De acordo com Murari, a adolescente foi ouvida com acompanhamento especializado, por ser menor de idade e estar sob proteção. Durante o depoimento, ela confirmou que Maria Isabel dizia que precisava “dar um susto” no pai.

O delegado ressaltou que a irmã mais nova não é investigada por participação no homicídio. Segundo ele, o depoimento apenas comprovou que ela tinha conhecimento das conversas mantidas por Maria Isabel antes do crime.

“Nós fizemos um interrogatório, como ela já estava sob a proteção de um órgão municipal, ela foi ouvida de maneira bastante tranquila. A irmã dizia que precisava dar um susto no pai. Ela confessa. É o que está no inquérito judicial”, afirmou.

Confissão mudou o rumo das investigações

Segundo Murari, Maria Isabel negou envolvimento quando foi interrogada pela primeira vez. A versão mudou no decorrer das investigações, quando ela passou a admitir participação ao ser confrontada com os elementos reunidos pela DIG.

Na confissão, ela apontou Rafael Vitor de Souza Rosa, de 18 anos, e Guilherme Henrique Melo da Cruz, de 22 anos, como os responsáveis por executar o ataque contra Milton.

Embora Maria Isabel tenha afirmado que pretendia apenas intimidar o pai, a DIG concluiu que a violência empregada pelos executores indica que o objetivo era matar a vítima.

“No primeiro momento, a gente acredita que ela queria, se não a morte… Mas, como ela foi atrás de duas pessoas, e essas duas pessoas agrediram o pai do jeito que agrediram, a gente acredita que sim, ela queria a morte do pai”, declarou Murari.

Motivação segue sem confirmação

Conforme o delegado, a investigação não encontrou indícios de que o crime tenha sido motivado por dificuldades financeiras ou por histórico de violência familiar.

Segundo Murari, Milton trabalhava como reciclador, auxiliava nos cuidados de uma propriedade rural e havia confiado à filha a administração das finanças da casa desde que ela tinha 17 anos. Ainda de acordo com a investigação, ele também lhe deu um carro nessa mesma idade.

“O que a gente supõe é o seguinte: quando você dá poder para um filho, a partir do momento que você começa a querer tirar esse poder dele, ele se revolta […] ela não tinha problema financeiro, ela não tinha questão de abuso sexual. Ela é uma pessoa, pelo que nós sentimos ali, narcisista e quer se impor”, disse.

Morte dos executores

Após a identificação de Rafael e Guilherme, a DIG representou pela prisão temporária dos dois. Antes do cumprimento dos mandados, ambos desapareceram.

Dias depois, os corpos dos jovens foram encontrados em uma área de mata em Sacramento (MG). Segundo a investigação, Maria Isabel teria atraído os dois, dopado ambos, transportado os corpos até o município mineiro e teria contado com a ajuda de um tio, Cláudio, para ocultá-los. O homem está preso, suspeito de ocultação de cadáver.

Murari afirmou que a Polícia Civil ainda apura se outras pessoas participaram das mortes, já que considera improvável que Maria Isabel tenha agido sozinha.

Exame toxicológico não foi realizado

O delegado informou que um dos pontos ainda sem resposta é se Rafael e Guilherme foram dopados antes de serem assassinados. Isso porque, segundo ele, o exame toxicológico não foi realizado durante a perícia.

“Houve apenas o exame que apontou a causa da morte, por esfaqueamento. Não houve o exame toxicológico. Então, o que a gente sabe é que eles morreram por esfaqueamento. Não se sabe se estavam dormindo ou não”, explicou.

Investigações continuam

Maria Isabel permanece desaparecida. Para Murari, há fortes indícios de que ela também tenha sido morta, possivelmente em represália pelas mortes de Rafael e Guilherme.

Paralelamente, a Polícia Civil investiga o envolvimento de familiares dos dois executores no sequestro de Andresa de Oliveira, viúva de Milton de Sousa do Prado e mãe de Maria Isabel, e da filha mais nova do casal. As duas foram resgatadas durante uma operação policial.

Parte das investigações segue sob sigilo para não comprometer as diligências e futuras medidas policiais. Seis mulheres foram indiciadas nos últimos dias.

“Tem mais pessoas envolvidas. Entre as seis e fora das seis. Tem gente que está envolvida e nós não divulgamos ainda porque a investigação continua”, concluiu Murari.

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