INVESTIGAÇÃO

Delegado diz que tiros em empresários não indicam legítima defesa

Por Laís Bachur | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Sampi/Franca
Laís Bachur/GCN
Delegado responsável pela investigação, Davi Abmael Davi
Delegado responsável pela investigação, Davi Abmael Davi

O delegado Davi Abmael Davi, responsável pela investigação do caso da empresária baleada após um show sertanejo em Franca, afirmou nesta quarta-feira, 15, que, até o momento, não há elementos que sustentem a tese de legítima defesa.

Em entrevista ao portal GCN/Sampi, o delegado informou ainda que a polícia avalia a possibilidade de realizar uma reconstituição para esclarecer a dinâmica dos disparos. A vítima, Giovanna Abdalla, de 29 anos, segue em estado grave após ser atingida por um tiro que perfurou o intestino.

Reclassificação do crime e andamento da investigação

De acordo com o delegado, o autor dos disparos, Rafael Araldi Moreira, foi inicialmente autuado em flagrante por disparo de arma de fogo e lesão corporal culposa. No entanto, com o avanço das investigações, o caso passou por uma nova classificação. “Houve uma nova classificação do crime para tentativa de homicídio duplamente qualificado, em virtude de ser um casal contra duas pessoas”, explicou.

A autoridade destacou ainda que o estado de saúde da vítima inspira cuidados e que exames periciais seguem em andamento.

Davi Abmael afirmou que o suspeito alegou não ter tido intenção de atingir as vítimas e que não teria visão direta no momento dos disparos. “Isso está sendo analisado pela perícia”, disse.

Segundo ele, caso os laudos e imagens não sejam suficientes para esclarecer a dinâmica, a polícia poderá avançar para uma etapa mais detalhada. “Podemos requisitar uma reconstituição do delito no local”, completou.

Legítima defesa é considerada improvável

Um dos principais pontos abordados pelo delegado foi a hipótese de legítima defesa, que, segundo ele, é uma tese que cabe à defesa do investigado, mas que encontra fragilidades no caso. “Existe um requisito essencial, que é o uso moderado dos meios necessários. É preciso analisar qual era a agressão e qual era o risco”, explicou.

O delegado questionou se a situação justificaria o uso de arma de fogo. “Uma mulher batendo com um cinto em um portão o exporia a risco de vida? Haveria necessidade de vários disparos?”, ponderou.

Ele ainda destacou que, diante das circunstâncias, a alegação se torna difícil de sustentar. “A partir do momento em que uma pessoa é atingida e há vários disparos, essa excludente de legítima defesa fica muito delicada de se alegar”, afirmou.

Segundo o delegado, caso houvesse elementos claros de legítima defesa, o flagrante poderia nem ter sido mantido.

Até o momento, Rafael Araldi Moreira permanece preso enquanto as investigações continuam.

Relembre o caso

A ocorrência teve início após uma briga durante um show da dupla Henrique & Juliano, realizado na madrugada do último domingo, 12, em Franca.

Segundo as investigações, a confusão começou em um camarote, quando Rafael teria se envolvido em uma discussão e, posteriormente, ofendido Giovanna, o que gerou novo desentendimento. Ele foi retirado do local por seguranças.

Horas depois, já no Jardim Santa Lúcia, o casal foi até o imóvel do suspeito. Imagens mostram Giovanna batendo com um cinto no portão, quando Rafael efetuou diversos disparos.

A empresária foi atingida, com o projétil atravessando seu corpo e ficando alojado no intestino. Ela foi socorrida e levada ao Hospital São Joaquim/Unimed, onde passou por cirurgia.

O carro do casal também foi atingido, e imagens indicam que eles não estavam armados.

Rafael, que possui registro como CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador), foi detido e encaminhado à Central de Polícia Judiciária, onde permanece à disposição da Justiça.

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