PRESOS NOVAMENTE

Defesa recorre ao STJ e critica prisões dos acusados de agiotagem

Por Laís Bachur | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
GAECO
Dinheiro, arma e objetos apreendidos pela polícia na Operação contra agiotas
Dinheiro, arma e objetos apreendidos pela polícia na Operação contra agiotas

A defesa de um dos acusados de integrar um suposto esquema de agiotagem em Franca afirmou que já está recorrendo novamente das prisões decretadas pelo TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo) e tenta reverter a decisão junto ao STJ (Superior Tribunal de Justiça). Segundo o advogado, não há expectativa de soltura na audiência de custódia, marcada para esta quinta-feira, 10, mas os recursos já estão sendo protocolados na tentativa de revogação da prisão.

O posicionamento foi dado por Rafael Spirlandeli, advogado de Thiago Giacomini Cravo, um dos investigados presos na noite desta quarta-feira, 9. Em nota enviada ao portal GCN/Sampi, o defensor criticou duramente a decisão judicial.

'Uma grande injustiça vivemos hoje'

“O direito e a justiça foram esquecidos com essa decisão do tribunal de justiça. Prender indiscriminadamente todos os réus sem individualizar as condutas é um grande retrocesso jurídico. Thiago tinha ciência desde quarta-feira que seria novamente preso e com serenidade aguardou o cumprimento da prisão. Nos quatro meses que ficou em liberdade, cuidou de sua família e trabalhou de forma lícita, sem nenhum descumprimento das medidas cautelares impostas pelo juiz. Uma grande injustiça vivemos hoje”, disse o advogado Rafael Spirlandeli, em nota.

De acordo com o advogado, Thiago deve passar por audiência de custódia, mas a decisão do TJ-SP impede qualquer mudança no cenário neste momento. Ainda assim, a defesa já atua em instâncias superiores para tentar reverter a medida.

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Entenda o caso

A Justiça determinou o retorno à prisão de 15 investigados por participação em um esquema de agiotagem que teria movimentado milhões de reais em Franca. A decisão foi tomada pelo TJ-SP na terça-feira, 7, após recurso do Ministério Público.

Os acusados haviam sido soltos em dezembro de 2025 por decisão da 3ª Vara Criminal, mediante cumprimento de medidas cautelares, como comparecimento periódico à Justiça, proibição de contato entre os investigados e restrição de saída da comarca.

No entanto, o Ministério Público recorreu, alegando risco à ordem pública e ao andamento do processo. O Tribunal acatou o pedido e determinou a expedição de novos mandados de prisão preventiva.

Investigação e acusações

Segundo o Ministério Público, o grupo atuava de forma organizada, emprestando dinheiro a juros abusivos e utilizando ameaças e violência para cobrar dívidas.

As investigações fazem parte da Operação Castelo de Areia, conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), que identificou uma estrutura com divisão de funções entre os integrantes.

O acórdão do Tribunal cita provas como interceptações telefônicas, registros de cobranças violentas, indícios de intimidação de vítimas e testemunhas.

Réus investigados

São alvos da decisão judicial:

Rogério Alves dos Santos
Thiago Giacomini Cravo
Alex Alves dos Santos
Alex Sander Henrique da Silva
Patrick da Silva Delgado
Willian Fernando Alves do Nascimento
Wescley Mateus Carlos da Costa
Carlos Roberto de Souza
Bruno Ricardo de Matos Souto
Antônio Henrique Pimenta Mathias (foragido)
Matheus Carrijo Machado
Leonardo Carrijo Machado
Renata Alves dos Santos
Pamela dos Santos
Maria Eduarda Teixeira de Almeida

Um dos investigados, Antônio Henrique Pimenta Mathias, é considerado foragido. Ele é apontado como participante de uma cobrança em que uma mulher foi agredida.

Processo segue sob sigilo

O caso tramita sob segredo de justiça, e os réus devem permanecer presos enquanto a ação penal continua em andamento. A defesa, por sua vez, tenta reverter a decisão nas instâncias superiores, alegando ilegalidade nas prisões coletivas sem individualização das condutas.

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Comentários

1 Comentários

  • Jesuino Salgado 3 dias atrás
    Pra quem não entende um advogado defender assim um agiota parasita tem que saber que essa é a profissão dele, tem advogado que vive do dinheiro, qualquer que seja a sua origem, do criminoso que ele defende. Para entender melhor esse fenômeno, advogado é tbm um comerciante, um comerciante do direito, eles vendem resultados, e o resultado para o cliente dele é a liberdade, não a justiça. Quer ver, pergunta pra esse advogado se ele defenderia de graça esse cliente dele...aproveita e pergunta tbm se ele se importa se o seu cliente não é, ou não era, agiota.... Talvez esse advogado mude de ideia se algum dia alguém da família dele for cobrado por algum dos membros dessa quadrilha de agiotas...mas, por enquanto, o que intere$$a $ão o$ honorario$ advocatício$. Justiça?....passa mais tarde. ...