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Primeira especialidade do Hospital Estadual de Franca é anunciada

Por Giovanna Attili | da Redação
| Tempo de leitura: 6 min
Sampi/Franca
Giovanna Attili/GCN
Dr. Ricardo Cavalli, Dr. Danilo Souza, Dr. Ricardo Bessa, Dr. Valdair Muglia e Dra. Daniela Granero
Dr. Ricardo Cavalli, Dr. Danilo Souza, Dr. Ricardo Bessa, Dr. Valdair Muglia e Dra. Daniela Granero

A primeira especialidade que será atendida pelo Hospital Estadual "Três Colinas" foi anunciada na tarde da última sexta-feira, 27, em entrevista coletiva realizada no DRS VIII (Departamento Regional de Saúde de Franca), com os representantes da Faepa (Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Assistência do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo), da direção regional de saúde e a gestão do novo hospital, que foi anunciada também na coletiva. A especialidade de Oftalmologia será a primeira que receberá maior atenção no início das atividades.

Participaram da coletiva o diretor do DRS Franca, Dr. Ricardo Bessa; o diretor executivo da Faepa, Dr. Valdair Muglia; o superintendente do HC de Ribeirão Preto (Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto), Dr. Ricardo Cavalli; além do diretor-geral anunciado do hospital, Dr. Danilo Souza, e da diretora de atenção médica, Dra. Daniela Granero.

Oftalmologia

Entre os serviços previstos no projeto assistencial do Hospital Estadual Três Colinas, a atenção ambulatorial aparece como a porta de entrada das atividades, com foco em procedimentos de média e alta complexidade. Dentro desse escopo, uma demanda específica da região foi destacada como prioridade no início do funcionamento.

“No nível ambulatorial, também terão procedimentos de alta complexidade. Uma grande demanda da região é a patologia de retina. A oftalmologia será a primeira especialidade”, disse Danilo Souza.

Segundo o diretor-geral, a definição da especialidade inicial levou em consideração a alta prevalência dessas patologias na população regional e a complexidade envolvida nos cuidados, reforçando o papel do hospital como unidade de apoio à rede existente.

Direção definida

Durante a coletiva, a Faepa apresentou oficialmente a diretoria responsável pela condução do Hospital Estadual Três Colinas. Valdair Muglia destacou que implantar um hospital a partir do zero envolve uma série de etapas técnicas e administrativas, que exigem planejamento e tempo de execução.

“Colocar um hospital para funcionar do zero é uma tarefa árdua, demorada, inclusive, porque existem etapas a serem concluídas e etapas extremamente importantes do ponto de vista técnico”, disse Muglia.

Ao explicar a escolha do diretor-geral, Valdair Muglia detalhou a trajetória profissional de Danilo Souza dentro da própria fundação.

“O Dr. Danilo Souza foi escolhido como diretor-geral do hospital. É médico, formado em ortopedia, com ampla experiência. Já passou por outras unidades da Faepa, inclusive Américo Brasiliense e Hospital das Clínicas de Bauru, onde ele foi responsável pela implementação de um plano assistencial”, afirmou.

Perfil assistencial

O projeto do Hospital Estadual Três Colinas foi apresentado como uma resposta às necessidades regionais identificadas ao longo dos anos. De acordo com Danilo Souza, a unidade não foi desenhada para competir com serviços já consolidados, mas para absorver demandas reprimidas da rede.

“O projeto assistencial desse hospital levou em consideração as demandas regionais. São serviços que têm uma demanda deprimida, então não existe uma concorrência por um tipo específico de paciente”, explicou.

Segundo ele, a unidade terá papel relevante na ampliação do acesso a procedimentos de maior complexidade.

“Acredito que vá fazer diferença na vida de muitas pessoas. Tem um papel assistencial importantíssimo a ser cumprido. Ele tem já no seu projeto assistencial 30% de alta complexidade para ser realizado dentro dessa unidade”, disse.

Entre as áreas previstas, estão ortopedia, neurocirurgia, cardiologia, especialidades clínicas e cirúrgicas, além de leitos de terapia intensiva.

“Procedimentos da área de ortopedia, de neurocirurgia, de cardiologia, de especialidades cirúrgicas e especialidades clínicas. Teremos leitos de UTI adulto, leitos da unidade coronariana no ano que vem, e leitos de UTI pediátrica também”, afirmou o diretor geral.

Comissionamento

Apesar das obras físicas estarem concluídas, o hospital passa atualmente pela fase de comissionamento, considerada essencial antes da entrada de pacientes. O processo envolve testes, calibrações e validações de todos os sistemas da estrutura.

“A primeira etapa dessas corridas paralelas que a gente está fazendo para colocar o hospital para funcionar é o comissionamento da estrutura. As obras físicas do hospital estão concluídas, mas existe uma série de testes, calibrações e elementos que aquela infraestrutura que está construída precisa passar antes de receber pacientes”, explicou Danilo Souza.

A expectativa apresentada é de que essa fase seja concluída até meados de abril.

Cronograma

A implantação do Hospital Estadual Três Colinas foi dividida em cinco fases, começando pela etapa pré-operacional e avançando até a ocupação total da unidade.

“Tem cinco fases: a fase pré-operacional, que é a que estamos vivendo agora, e fases 1, 2, 3 e 4. É previsto que a fase 4 seja concluída no final de 2027”, disse Danilo Souza.

Segundo o cronograma, o núcleo administrativo deve começar a operar nas primeiras semanas de março, seguido pela abertura gradual dos atendimentos.

“A gente espera ter na unidade já funcionando um núcleo administrativo já nas primeiras semanas de março e, entre abril e maio, começar um núcleo pioneiro de atendimento”, afirmou.

Tecnologia futura

O planejamento do hospital também prevê a incorporação de tecnologias de alta complexidade em fases posteriores do projeto. Entre elas, está a implantação do equipamento de arteriografia hemodinâmica.

“Esses procedimentos de endovascular são procedimentos de alta tecnologia, e está previsto neste hospital a implementação do equipamento de arteriografia hemodinâmica. Esse equipamento é para a fase mais avançada do projeto, que vai acontecer em 2027”, contou o diretor-geral.

Integração HC

A relação entre o Hospital Estadual Três Colinas e o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto foi destacada como estratégica para a padronização dos atendimentos e possível formação profissional.

“O hospital tem uma parceria muito grande com a Faepa na implementação das unidades. Haverá todo esforço por parte da academia para que os protocolos e diretrizes de atendimento sejam semelhantes”, disse Ricardo Cavalli.

Segundo ele, há possibilidade de convênios para residência médica e especialização. “É possível que haja a celebração de convênios entre o HC de Ribeirão e o Hospital Três Colinas para residência médica, para formação e especialização”, afirmou.

Regulação

A inserção do Hospital Estadual Três Colinas na RAS (Rede de Atenção à Saúde) foi apontada como um reforço à capacidade regional. Ricardo Bessa destacou que os fluxos de regulação serão mantidos.

“A Santa Casa de Franca é um serviço que oferece assistência médica de excelente qualidade e nós teremos outro equipamento de saúde que ofereça assistência médica também de excelente qualidade. Os sistemas de regulação serão obedecidos”, disse.

Segundo ele, a nova unidade deve ajudar a reduzir filas e o tempo de espera por leitos hospitalares. “O Hospital Três Colinas vem para ajudar a diminuir essas filas, para encurtar esse período de tempo de espera no pronto-socorro até chegar ao hospital”, completou.

Estrutura

O Hospital Estadual Três Colinas contará com 40 leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), divididos em 20 adultos, 10 pediátricos e 10 de UCO (Unidade Coronariana), além de quatro leitos de isolamento.

No segundo pavimento, serão 20 leitos de hospital-dia e nove leitos destinados à preparo e recuperação em exames de endoscopia, colonoscopia e broncoscopia.

Do terceiro ao sétimo pavimento, são 148 leitos, sendo dois pavimentos com 56 leitos clínicos adultos e dois com 56 leitos cirúrgicos adultos, além de um pavimento com 26 leitos pediátricos e psiquiátricos infantis.

A estrutura se completa com três prédios anexos: o primeiro reúne reabilitação, psiquiatria adulto com 15 leitos e setor de cintilografia; o segundo concentra laboratório, farmácia e 14 salas administrativas; e o terceiro será destinado ao acolhimento e bem-estar de usuários do SUS (Sistema Único de Saúde), com áreas de convivência e alimentação.

Contratações

O processo seletivo do hospital já registra grande procura. De acordo com Danilo Souza, cerca de 3.500 pessoas se inscreveram nos primeiros dias. “A receptividade dos processos seletivos foi realmente elevada. Concluímos com cerca de 3.500 pessoas inscritas e confirmadas”, afirmou.

Valdair Muglia reforçou que a prioridade é a contratação de profissionais da própria região. “Será, prioritariamente, através de contratação de profissionais locais. Isso é uma prática da Faepa e da Secretaria de Saúde”, explicou.

Daniela Granero destacou que instituições de ensino da região já demonstram interesse no projeto. “Acredito que as faculdades daqui vão ter interesse, sim. É prioridade que a gente pegue os profissionais de Franca e região”, disse.

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