148 OCORRÊNCIAS

‘Estrada da morte’: Miguel Melhado acumula crimes, acidentes e mortes em 2022; relembre

Por Luis Eduardo de Sousa | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 3 min
Paulo Bernardino/Sampi Campinas
Rodovia liga Vinhedo a Viracopos, e acumula fama de perigosa
Rodovia liga Vinhedo a Viracopos, e acumula fama de perigosa

Homicídio, latrocínio, estupro, colisão, capotamento, choque, sequestro, receptação, tráfico e até estelionato. A lista de ocorrências registradas na rodovia Miguel Melhado de Campos (SP-324), é extensa. Só entre e janeiro e novembro de 2022, foram 148 boletins registrados. Um histórico de meter medo a quem precisa passar pela via. 

A estrada liga o Aeroporto Internacional de Viracopos a Vinhedo, município na RMC (Região Metropolitana de Campinas), mas pega um trecho de Itupeva. Em Campinas, a via corta a Região do Jardim Campo Belo, na periferia da cidade, e tem como bairros próximos o São Domingos, Cidade Singer, Itaguaçu e Jardim Fernanda (leia mais abaixo).


Os dados foram disponibilizados pelo SIC (Serviço de Informações ao Cidadão) a pedido da Sampi. As 148 ocorrências registradas são de três delegacias, de Vinhedo, Itupeva e Campinas.

Local errado, hora errada
A maioria das ocorrências acontece entre o começo da noite e o fim da madrugada, das 20h às 4h, mais precisamente. Vinhedo lidera com 68 registros, em seguida vem Campinas, com 62 e Itupeva, com 20. 

Na Miguel Melhado acontece de tudo, desde atropelamento de pedestres que cruzam a rodovia para circular entre os bairros até, por incrível que pareça, morte por causa natural. 

Em novembro, um oficial da Aeronáutica foi assassinado a tiros na rodovia, quando passava pelo Jardim Campo Belo. Ele havia saído de um evento em Louveira e seguia para Viracopos, onde embarcaria para Brasília. O caso é investigado pela 1ª DIG (Delegacia de Investigações Gerais), de Campinas.

De acordo com o Estado, sete pessoas foram vítimas de homicídio na Miguel Melhado no período, mas o número total de mortes é ainda maior se contabilizados outros crimes e acidentes. 

Em setembro, por exemplo, duas pessoas morreram após uma colisão entre duas motocicletas

Também no começo de novembro, o organizador da ‘Feira do Rolo’, que acontece às margens da rodovia, foi baleado em frente a uma multidão e não resistiu

Na beira da pista teve até manifestação, recentemente, já que uma obra para duplicação da via promete derrubar casas próximas ao local. 

De meter medo 
A Sampi esteve na Miguel Melhado na última quinta-feira, 29, para conversar com moradores e comerciantes sobre a violência na rodovia, e teve dificuldades, já que ninguém se sente muito confortável com o assunto. 

“Eu moro aqui há quase 20 anos e já presenciei vários acidentes aqui na rodovia. Roubos também, demais. Minha tia já foi assaltada indo trabalhar, no ponto de ônibus”, comenta o vendedor Fábio, que trabalha na região.  



Fábio durante entrevista à Sampi

O motoboy Ricardo Henrique disse que tem medo da violência quando passa pelo local. “Os caras chegam do lado moto armados, te mandam encostar. Se você não obedecer, eles atiram, sem dó. Conheço vários motoboys que já foram assaltados aqui”, conta. 

Índia Campineira  
O trecho da Miguel Melhado no Campo Belo remete a Nova Delhi, onde pedestres, motos, carros, ciclistas e animais apenas transitam, como se fossem uma orquestra. Só que no caso de Campinas, a orquestra às vezes desafina e acidentes acabam acontecendo. 

Isso porque, como os dois lados da rodovia são habitados por bairros extremamente populosos, a travessia de pedestres pela pista é grande. Sem passarelas, semáforos ou faixas, os atropelamentos são frequentes.

Joversino Cardoso é lavrador e perdeu o irmão há dois ano, vítima de um atropelamento por motocicleta na rodovia.  



“Nessa pista aí, é todo dia. Só nos últimos 15 dias foram três pessoas mortas. Muito rolamento e pouca passagem para o pessoal atravessar, e não tem como, o pessoal precisa passar. Precisa ter uma segurança, umas passarelas, alguma coisa”, diz Joversino. 

Até quando? 
O estigma de violenta da Miguel Melhado, evidentemente, deve cair por terra quando o número de casos reduzirem. Os moradores reclamam que falta estrutura. O DER (Departamento de Estradas e Rodovias) realiza uma obra de duplicação, mas não se sabe ao certo o quanto isso vai contribuir com a infraestrutura cobrada. 

Enquanto isso, assaltos, sequestros e acidentes continuam tornando a Miguel Melhado, se não a mais, a mais temida de Campinas.

Comentários

1 Comentários

  • Odirley 13/09/2023
    Hoje mesmo dia 13/09/23, acabei de presenciar mais um assalto. Um carro branco com 3 indivíduos armados, fechou um motoqueiro, que provavelmente estava indo trabalhar. Os assaltos continuam