Um instrutor de judô foi condenado a 1 ano e 9 meses de reclusão por injúria racial contra a atleta Talita Libório durante os Jogos Abertos do Interior de 2022. Renan Augusto Furtado Rossi também deverá pagar R$ 5 mil à judoca. A pena de prisão foi convertida em prestação de serviços à comunidade, e a decisão ainda cabe recurso.
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O episódio ocorreu durante a competição realizada em São Sebastião, no Litoral Norte. Na ocasião, Talita representava a delegação de Mogi das Cruzes e, segundo a acusação, foi chamada de “macaca” e “negrinha”, além de ouvir que “só ganha roubado”. Rossi integrava a delegação de Sorocaba.
Tribunal reverte absolvição do instrutor
A condenação foi determinada pela 1ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, que reverteu uma decisão anterior de absolvição. Na primeira análise do caso, a Justiça havia considerado que não existiam provas suficientes para comprovar a autoria do crime.
Talita recorreu da decisão. Ao analisar o recurso, o desembargador Flavio Fenoglio considerou que o depoimento da atleta foi detalhado, coerente e seguro nas diferentes fases do processo. Segundo o magistrado, o relato também foi confirmado por uma testemunha imparcial que presenciou as ofensas.
Com base nesses elementos, o tribunal reconheceu a responsabilidade criminal do instrutor e determinou a condenação, além do pagamento de indenização de R$ 5 mil à vítima.
Atleta relatou impactos psicológicos após ofensas
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo, o episódio provocou forte abalo psicológico em Talita Libório. A atleta teria deixado de participar da competição no dia seguinte e permanecido um ano afastada do judô.
A denúncia também aponta que a judoca precisou de acompanhamento psiquiátrico por dois anos após o ocorrido.
Depois do episódio, a Prefeitura de São Sebastião instalou faixas de combate ao racismo em espaços esportivos utilizados durante os Jogos Abertos do Interior.
Talita comemora decisão judicial
Nas redes sociais, Talita celebrou a condenação e relembrou o impacto do episódio. A judoca descreveu o ocorrido como um dos dias mais difíceis de sua vida e afirmou que as ofensas deixaram marcas profundas.
Em sua manifestação, a atleta também ressaltou que não desistiu de buscar justiça e defendeu o respeito e a dignidade como direitos.
Defesa afirma que instrutor é inocente
A defesa de Renan Augusto Furtado Rossi contesta a condenação e afirma que o instrutor é inocente. Segundo os advogados, os relatos de outras testemunhas contradizem a acusação. Como a decisão ainda pode ser questionada por meio de recurso, o caso poderá passar por novas análises na Justiça.
Com informações do portal Metrópoles