ABASTECIMENTO

Desassoreamento do Batalha avança e amplia abastecimento de Bauru

Redação
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O Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru estima ter praticamente quadruplicado a capacidade de reservação da lagoa de captação do Rio Batalha com o desassoreamento iniciado em março deste ano. A operação retirou cerca de 75 mil metros cúbicos de sedimentos, volume equivalente a 75 milhões de litros, segundo o presidente da autarquia, João Carlos Viegas. A meta contratual era remover 90 mil metros cúbicos.

O serviço foi contratado junto à empresa Allonda Ambiental, com investimento previsto de R$ 6,7 milhões, e abrange uma área de aproximadamente 110 mil metros quadrados. Os trabalhos começaram em 24 de março de 2026 e são financiados com recursos do Fundo de Recuperação das Bacias Hidrográficas (FRBH), abastecido com 1% da arrecadação da tarifa de água.

Segundo Viegas, a diferença entre o volume previsto e o efetivamente removido decorre de dificuldades operacionais enfrentadas durante a dragagem. A principal delas foi a presença de grande quantidade de algas enraizadas no fundo da lagoa, que interferiam no funcionamento do sistema de sucção.

"O desassoreamento é uma operação de alta complexidade, principalmente porque o abastecimento de água não pode ser interrompido durante os trabalhos", afirma o presidente do DAE. Apesar de a meta inicial não ter sido atingida, ele avalia que o resultado é positivo pelos benefícios à disponibilidade e à qualidade da água.

PROFUNDIDADE MAIOR

Sondagens realizadas antes da intervenção apontaram profundidade média de 1,30 metro na lagoa de captação, com variações entre trechos mais profundos e outros mais rasos. Com a dragagem, o objetivo operacional é alcançar uma profundidade média geral de 2,5 metros, além de formar um canal central para direcionar a água durante períodos de estiagem extrema.

O trabalho envolve a remoção mecânica de plantas aquáticas, a sucção da areia acumulada no fundo e o bombeamento do material para áreas de deságue e secagem construídas nas margens do Rio Batalha. A medição do volume removido é feita em metros cúbicos, com aferição por batimetria.

A operação contou com uma draga de sucção e uma escavadeira anfíbia da empresa contratada. Paralelamente, o DAE utilizou equipamento próprio para limpar as margens, retirar plantas aquáticas, como as taboas, e trabalhar na reconstituição do rio e de seus afluentes, especialmente os córregos do Ventura e do Veado.

A escavadeira anfíbia da autarquia foi adquirida neste ano por R$ 2,179 milhões. Com o encerramento do contrato de dragagem, previsto para ocorrer após a conclusão dos trabalhos contratados, o DAE pretende dar continuidade à manutenção do manancial com o equipamento próprio e avaliar novas contratações ou a compra de outros maquinários.

O material retirado foi bombeado para grandes estruturas de deságue e secagem instaladas nas margens. Neste momento, a autarquia trabalha na destinação final dos sedimentos secos e na recuperação das áreas utilizadas. O valor final liquidado do contrato ainda está em verificação, mas, segundo o DAE, não ultrapassará os R$ 6,7 milhões previstos.

NA ESTIAGEM

O Rio Batalha é um dos mananciais utilizados no abastecimento de Bauru. De acordo com Viegas, aproximadamente 100 mil habitantes recebem água tratada proveniente da Estação de Tratamento de Água (ETA) Batalha, embora parte das regiões atendidas também conte com reforço de água captada em poços.

Nas crises hídricas de 2024 e 2025, a lagoa de captação proporcionava, conforme o presidente do DAE, entre 30 e 45 dias de abastecimento sem chuvas. Com o aumento da capacidade de reservação, a expectativa da autarquia é que essa autonomia tenha sido duplicada.

A estimativa, porém, é uma projeção operacional e não representa uma garantia de abastecimento por prazo fixo. A autonomia efetiva depende de fatores como o volume de água disponível no manancial, a intensidade e a duração da estiagem, o consumo da população e a contribuição dos poços que complementam o sistema.

Viegas afirma que a retirada dos sedimentos representa apenas a primeira etapa de um trabalho mais amplo. A expectativa do DAE é mais do que triplicar a capacidade de reservação ao longo do tempo, por meio de intervenções contínuas no Rio Batalha, desde a área de captação até a nascente, incluindo a recuperação de seus principais afluentes.

MAPEAR TODA A BACIA

Como parte do planejamento de longo prazo, o DAE prevê contratar um estudo técnico abrangente da bacia hidrográfica do Rio Batalha. O levantamento deverá mapear a região entre a captação e a nascente, identificar pontos de erosão, avaliar o grau de assoreamento, analisar a qualidade da água e verificar as condições da mata ciliar.

A intenção é estabelecer diretrizes para orientar as ações de recuperação ambiental e reduzir os riscos ao abastecimento. A autarquia também pretende ampliar a articulação com os municípios que integram a bacia. Segundo Viegas, o DAE já se reuniu com proprietários de terras às margens do rio em Bauru e busca apoio técnico e institucional da Prefeitura de Piratininga.

O presidente ressalta que a manutenção do manancial deverá ser permanente, com frentes de trabalho voltadas à limpeza, à recuperação das margens e ao controle do assoreamento. A continuidade das intervenções poderá envolver a aquisição de uma nova escavadeira anfíbia, uma draga de sucção própria ou a contratação de serviços especializados.

DRAGAGEM NÃO RESOLVE SOZINHA

Embora considerada necessária para ampliar a capacidade de armazenamento, a dragagem não é apontada pelo próprio DAE como solução definitiva para a segurança hídrica de Bauru.

Segundo Viegas, a garantia de abastecimento depende da combinação entre a recuperação contínua do Rio Batalha e a ampliação da infraestrutura prevista no programa Água de Todos, que inclui a perfuração de novos poços e a construção de reservatórios para atender justamente as regiões hoje abastecidas pelo manancial superficial. A estratégia busca reduzir a dependência do Rio Batalha, especialmente durante períodos prolongados sem chuva, sem deixar de investir na recuperação do curso d'água.

O desafio será transformar o ganho de capacidade obtido com a dragagem em uma política permanente de conservação da bacia e diversificação das fontes de abastecimento. O DAE também iniciou uma nova etapa do programa de recuperação do Batalha, com o plantio de 170 mudas na mata ciciliar entorno da captação.

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