BAURU NA HISTÓRIA

Conheça a história do primeiro grupo escolar de Bauru

Por Priscila Medeiros e Alex Gimenez Sanches | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
fotos: Museu Ferroviário Regional de Bauru
Prédio do Grupo Escolar, na década de 1920, na avenida Rodrigues Alves
Prédio do Grupo Escolar, na década de 1920, na avenida Rodrigues Alves

O primeiro Grupo Escolar de Bauru nasceu do esforço de autoridades e moradores para ampliar o acesso à educação em uma cidade que começava a se desenvolver. Inaugurada em 1913, na avenida Rodrigues Alves, a instituição reuniu alunos de antigas escolas isoladas e se tornou um marco do ensino público na cidade. Antes da criação do Grupo Escolar, Bauru contava com pequenas escolas isoladas, existentes desde o final do século XIX. Nessas unidades, o ensino era frequentemente multisseriado: um único professor, muitas vezes sem formação específica, ensinava conteúdos diferentes a estudantes de idades variadas na mesma sala.

As escolas funcionavam tanto na área urbana quanto em bairros, distritos, sítios e fazendas. Parte delas era mantida pela administração municipal, que remunerava os professores responsáveis pelo ensino primário. Com o aumento das matrículas, esse modelo passou a exigir uma estrutura maior e mais organizada. A criação de um Grupo Escolar tornou-se, então, uma das prioridades das autoridades locais, interessadas em acompanhar o crescimento da população e ampliar a oferta de ensino.

A MOBILIZAÇÃO

A implantação da unidade dependeu de articulações entre a Câmara Municipal e o Governo do Estado de São Paulo. Na época, a construção de um Grupo Escolar no interior exigia que o município disponibilizasse um terreno para a construção da obra.

Em sessão extraordinária realizada em 15 de outubro de 1910, (4 dias antes do seu assassinato) Azarias Ferreira Leite, então presidente da Câmara, defendeu a oferta de uma área para a construção da escola. A proposta foi aprovada por unanimidade, e o prefeito Francisco Gomes dos Santos recebeu autorização para escolher e adquirir o terreno necessário.

A área que foi sugerida pelo vereador João Augusto Pereira da Silva era um terreno baldio na avenida Alfredo Maia, atual Rodrigues Alves, entre as esquinas das ruas Antônio Alves e Gustavo Maciel.

PRIMEIROS ANOS

E assim, em 7 de junho de 1913 foi inaugurado o primeiro Grupo Escolar de Bauru, tendo como primeiro diretor, o professor Antônio Francisco Redondo.

O edifício foi construído em alvenaria de tijolos, com características arquitetônicas do ecletismo, estilo que combina diferentes referências ornamentais. Entre seus elementos estão as aberturas com vergas arredondadas, a cobertura de quatro águas com telhas francesas e a platibanda decorada. A construção também possui porão e foi implantada recuada em relação aos limites frontal e laterais do terreno.

A expansão da instituição foi rápida. Já em 1914, a escola contava com 14 classes e um total de 621 alunos, números que demonstram a demanda por educação formal em Bauru naquele período.Em abril de 1939, a instituição recebeu o nome de Grupo Escolar Rodrigues de Abreu, em homenagem ao poeta.

CHEGADA DO ENSINO SUPERIOR

Com o crescimento de Bauru, a escola foi transferida, na década de 1950, para um prédio mais moderno na rua Virgílio Malta esquina com a avenida Duque de Caxias. Atualmente o prédio abriga a Escola Técnica Estadual (Etec) de Bauru. A área foi permutada com a Irmandade do Colégio São José, que passou a ocupar o prédio da avenida Rodrigues Alves, com a primeira faculdade da cidade, a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Sagrado Coração de Jesus, conhecida como Fafil. Com a sede da Faculdade sendo transferida para outro prédio, na rua Irmã Arminda, o local passou a ser sede do Colégio São José (primeiro colégio particular da cidade).

A mudança de uso do edifício original marcou uma nova fase de sua trajetória: o espaço que havia abrigado a primeira grande instituição pública de ensino primário de Bauru passou a integrar a primeira faculdade de da cidade.

Prédio histórico protegido pelo patrimônio municipal

A relevância histórica e arquitetônica do edifício levou à sua proteção pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (CODEPAC).De acordo com os dados do tombamento, o terreno possui 7.651,25 metros quadrados, enquanto a área construída é de 492 metros quadrados. A proteção foi estabelecida pelo Decreto Municipal nº 9.415, de 7 de abril de 2003.

O tombamento abrange a fachada frontal voltada para a avenida Rodrigues Alves e as fachadas laterais voltadas para as ruas Antônio Alves e Gustavo Maciel. A preservação inclui o conjunto arquitetônico e seus volumes, além de elementos originais, como paredes, portas e janelas de madeira, ornamentos de ferro e argamassa e escadas. Mais do que uma antiga construção, o prédio representa uma etapa da história da educação pública bauruense. Sua preservação mantém viva a memória de uma instituição que contribuiu para a formação de gerações de moradores e para a consolidação do ensino formal na cidade.

 

 Imagem do Colégio São José na década de 1960
Imagem do Colégio São José na década de 1960
Prédio do Grupo Escolar na década de 1950, com o Colégio São José ao fundo
Prédio do Grupo Escolar na década de 1950, com o Colégio São José ao fundo

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