ELEIÇÕES 2026

Bauru dá mais votos a candidatos de fora do que para os locais


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Bauru chegou às eleições de 2026 com 277.515 eleitores e 22 candidaturas ligadas à cidade para a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa. O resultado, porém, voltou a expor um dos principais obstáculos para a representação política local: a cidade não consegue concentrar a maior parte de seus votos em candidatos de Bauru.

Consideradas conjuntamente as duas disputas proporcionais, 54,9% dos votos válidos foram destinados a candidatos de outras cidades, enquanto 45,1% ficaram com os candidatos locais. Em números absolutos, são aproximadamente 202 mil votos para candidatos de fora contra 166 mil para os 22 nomes ligados a Bauru.

O resultado ajuda a compreender por que, apesar do tamanho do eleitorado e da quantidade de candidaturas, Bauru terminou a eleição com apenas um deputado eleito: Capitão Augusto (PL), para a Câmara Federal (mesmo assim, Augusto teve apenas 4.508 votos em Bauru). Nenhum dos dez candidatos ligados à cidade conseguiu uma cadeira na Assembleia Legislativa.

Federal quase dividido ao meio

Na disputa pela Câmara dos Deputados, a concentração em candidatos locais foi maior, mas ainda não chegou à metade com folga. O eleitorado de Bauru destinou 48,9% dos votos válidos a candidatos locais e 51,1% a nomes de outras cidades. O quadro mostra que, mesmo na eleição federal, na qual Bauru conseguiu eleger um representante, mais votos foram destinados a candidatos de fora do município.

Entre os candidatos ligados a Bauru, Eduardo Borgo (Novo) foi o mais votado. Ele recebeu 48.345 votos no Estado (32 mil na cidade) e terminou como primeiro suplente do partido, que elegeu duas cadeiras em São Paulo. Rodrigo Agostinho (PSB) obteve 18.461 votos no Estado, André Maldonado (PP), 14.956, e Dr. Raul (Cidadania), 14.199. Capitão Augusto chegou a 153.745 votos em todo o Estado e foi eleito.

Os números estaduais, entretanto, não devem ser confundidos com a votação recebida por cada candidato dentro de Bauru. Na cidade, por exemplo, Eduardo Borgo recebeu 32.020 votos, Rodrigo Agostinho 14.622, Dr. Raul 11.326, André Maldonado 9.439 e Capitão Augusto 4.508. Ao lado deles, candidatos de outras regiões também tiveram votações expressivas, como Lucas Pavanato, com 21.912, e Erika Hilton, com 11.926.

Na eleição estadual, diferença aumenta

É na disputa pela Assembleia Legislativa que a migração do voto bauruense para candidatos de fora aparece com maior intensidade. Os dez candidatos ligados a Bauru receberam, juntos, cerca de 41,2% dos votos válidos, enquanto os candidatos de outras cidades ficaram com aproximadamente 58,8%.

Anderson Prado (MDB) foi o candidato local mais votado, com 41.648 votos no Estado, seguido por Estela Almagro (PT), com 31.151; Junior Rodrigues (PSD), com 19.561; Junior Lokadora (Podemos), com 18.749; e Lúcia Rosim (PSD), com 16.400. Nenhum deles conquistou uma das 94 cadeiras da Assembleia.

Em Bauru, a votação dos candidatos locais também disputou espaço com nomes de outras regiões. Estela Almagro recebeu 21.584 votos no município, Junior Lokadora 17.971, Junior Rodrigues 15.451 e Lúcia Rosim 7.052. Entre os candidatos de fora, Eduarda Campopiano recebeu 17.262 votos.

Muitos candidatos e poucos líderes

O cenário de 2026 não pode ser explicado apenas pela existência de muitos candidatos. Bauru tinha 22 candidaturas locais — 12 para deputado federal e dez para estadual — número menor que o registrado em 2022, quando foram 36. A redução, portanto, não resultou automaticamente em uma concentração do voto. O fato de a cidade não ter lideranças sólidas e agregadoras de votos inclusive na região pesa bastante também e, talvez, seja o fator mais decisivo.

Outro fator é que a eleição de deputados é proporcional. As cadeiras não são distribuídas por município. O resultado depende da votação dos partidos e federações em todo o Estado e, depois, da posição dos candidatos dentro das respectivas legendas.

O caso de Eduardo Borgo é ilustrativo. Mesmo recebendo 48.345 votos no Estado, ele terminou como terceiro candidato mais votado do Novo. Como a legenda conquistou duas cadeiras, Borgo ficou como primeiro suplente.

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