INDECISÃO

Em Jundiaí, jovens repensam a primeira Carteira de Habilitação

Por Giovanna Vianna |
| Tempo de leitura: 3 min
Adaiane Marangne relata queda na procura pela primeira habilitação em Jundiaí.
Adaiane Marangne relata queda na procura pela primeira habilitação em Jundiaí.

A primeira habilitação continua fazendo parte dos planos de milhares de pessoas de 18 a 25 anos em Jundiaí, mas o que tem pesado na decisão são os custos finais. Segundo o Detran, nos oito primeiros meses de 2026, foram emitidas 5.071 primeiras habilitações no município, sendo 3.481 para pessoas de 18 a 25 anos. O número já representa 82,4% do total registrado em 2025, quando 4.224 pessoas dessa faixa etária tiraram a primeira habilitação.

As autoescolas do município relatam queda na procura pelo documento e apontam mudanças nos motivos que levam alguém a tirar a carteira, entre elas, o custo. Considerando cerca de 20 aulas práticas a R$ 150 cada, além das taxas do processo, o valor pode chegar a aproximadamente R$ 3,4 mil. Adaiane Marangne, proprietária de uma autoescola na Vila Hortolândia, relata queda de aproximadamente 20% na procura pela primeira habilitação nos últimos anos. Mesmo assim, os jovens de 18 a 25 anos continuam sendo maioria. “Hoje ele tem muitas facilidades com os aplicativos, tipo Uber, e para comprar um veículo hoje em dia é muito caro. Então alguns acabam adiando a CNH”, afirma.

Segundo ela, a habilitação também é vista como investimento profissional. “Existem empresas que contratam pessoas que tenham habilitação para, no futuro, fazer um curso de empilhadeira ou exercer qualquer outra função que precise da CNH. Vejo a carteira como um investimento, tanto para trabalhar em empresas quanto para trabalhar por conta própria”, explica.

Em uma autoescola no Jardim Pacaembu, o proprietário, que preferiu não ser identificado, também percebe a mudança. “O principal motivo que ouvimos é a questão financeira, porque tirar a habilitação representa um investimento. Também existe a facilidade que eles têm hoje com aplicativos de transporte e transporte público. Alguns pensam que, como conseguem se locomover dessa forma, podem deixar a CNH para depois”, afirma.

Para ele, tirar a carteira e comprar um carro já não precisam acontecer ao mesmo tempo. “Hoje é muito comum o jovem querer primeiro conquistar a habilitação e deixar a compra do carro para mais tarde. Nem todo mundo que tira a CNH tem condições ou pretende comprar um veículo imediatamente”, explica.

INDECISÃO 

O município tem atualmente 306.642 condutores ativos, sendo 23.544 entre 18 e 25 anos. A procura também aparece nos processos em andamento. Em janeiro de 2025, 695 pessoas estavam em processo para obter a CNH em Jundiaí. No mesmo mês deste ano, eram 850, alta de 22%, segundo o Detran.

Aos 25 anos, Mariana Russo decidiu começar agora o processo. Ela nunca dirigiu e está na etapa do CFC. A principal motivação é conquistar independência para se locomover. “Decidi porque achei que era um momento oportuno. Protelei muito tempo para tomar essa atitude, mas acredito que as coisas acontecem no tempo certo”, conta.

Depois de habilitada, ela espera ter mais liberdade para se deslocar. “Quero ter mais facilidade para sair, fazer academia e outros esportes sem depender da rotina de outra pessoa, além de fazer coisas do dia a dia, como ir ao mercado, visitar alguém e me deslocar para a casa de familiares”, afirma. 

Para Stephanie Vianna Regiani, de 24 anos, o medo de dirigir e a rotina de deslocamento pesam na decisão de não tirar a carteira neste momento. “O primeiro choque veio quando percebi que teria que dirigir em São Paulo. Além do estresse e do tempo em deslocamento, o custo-benefício acaba sendo melhor com o transporte público ou fretamento, o que me livra de mais uma responsabilidade”, afirma.

Ela também considera que os aplicativos reduziram a necessidade de ter um veículo próprio. “Hoje consigo viver tranquilamente sem carro. Acho que as plataformas de transporte como Uber e 99 cumprem muito bem sua função e, no final das contas, o custo é muito mais baixo do que manter um carro”, diz.

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