COMBATE AO CRIME

'Segurança não pode esperar', alerta especialista em Bauru

Por Priscila Medeiros | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Priscila Medeiros
Tenente-coronel da Polícia Militar do Maranhão Lucas Cardozo é  especialista em Gestão de Segurança Pública, Ciências Criminais e em inovação e tecnologias aplicadas ao combate ao crime organizado.
Tenente-coronel da Polícia Militar do Maranhão Lucas Cardozo é especialista em Gestão de Segurança Pública, Ciências Criminais e em inovação e tecnologias aplicadas ao combate ao crime organizado.

A segurança pública brasileira precisa deixar de ser tratada como uma responsabilidade exclusiva dos governos estaduais e avançar para um modelo integrado entre União, Estados e municípios. A avaliação é do professor e tenente-coronel da Polícia Militar do Maranhão Lucas Cardozo, que esteve em Bauru para discutir o combate à criminalidade e o Direito Operacional.

Com 22 anos de atuação na corporação, o especialista em Gestão de Segurança Pública, Ciências Criminais e em inovação e tecnologias aplicadas ao combate ao crime organizado, defende investimentos em inteligência, fortalecimento das guardas municipais e valorização dos policiais. Cardozo considera que a participação dos municípios na segurança pública tende a crescer, especialmente por meio das guardas civis municipais. Para ele, a ampliação das atribuições dessas forças exige definição clara de competências, estrutura e capacitação. “A guarda municipal vem justamente para somar. O que nós temos que fazer é equipar, estruturar e capacitar para que ela possa lidar com as questões da segurança pública”, afirmou.

A realidade de Bauru também foi abordada durante a entrevista, especialmente diante dos recorrentes furtos de fios e cabos elétricos. Segundo o tenente-coronel, o combate a esse tipo de crime deve alcançar a cadeia de receptação, que absorve os materiais furtados e mantém o mercado criminoso ativo. Quando os delitos estão associados ao consumo de drogas, ele defende a atuação conj  unta das áreas de segurança, saúde e assistência social. “É uma responsabilidade de todos”, declarou.

Outro ponto de preocupação é a dificuldade de preenchimento das vagas oferecidas em concursos para a Polícia Militar de São Paulo. Na avaliação de Cardozo, o problema envolve remuneração, condições de trabalho, riscos da profissão e perspectivas de carreira. “Se nós não conseguirmos ter um diagnóstico do que são esses fatores, esse problema vai perdurar por muito tempo. E segurança pública é uma das pautas que não dá para esperar. A segurança pública tem que ser feita todo dia”, afirmou.

O especialista também defende que os policiais tenham segurança jurídica para atuar dentro da legalidade. Segundo ele, o Direito Operacional deve oferecer respaldo à atividade policial, e não criar receio de agir. No combate ao crime organizado, Cardozo considera indispensável o fortalecimento da inteligência e o enfrentamento da estrutura financeira das facções. Para ele, grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho buscam ampliar sua influência para além do tráfico, ocupando atividades econômicas e serviços em determinadas regiões.

Câmeras de monitoramento, inteligência artificial e centrais de operações são apontadas como ferramentas importantes para ampliar a capacidade de prevenção e resposta das cidades. Cardozo afirma que a tecnologia deixou de ser um diferencial e passou a ser uma necessidade. Ele também alerta para os riscos da expansão territorial das facções, que podem ocupar espaços deixados pelo poder público. “Aonde existe um vácuo de poder, alguém vai se apoderar. Se o poder público não ocupar aquele espaço, a criminalidade vem e ocupa”, declarou.

Ao comentar as discussões nacionais sobre mudanças estruturais na segurança pública, incluindo a PEC da Segurança, o tenente-coronel defendeu que o tema seja tratado de forma técnica e apartidária. Para ele, o compartilhamento de informações entre as forças policiais e as diferentes esferas de governo ainda é um obstáculo. “Enquanto ficamos nessa discussão, a sociedade está sofrendo, o crime está avançando e nós estamos ficando para trás”, afirmou. Na avaliação do especialista, planejamento, integração, inteligência e valorização profissional são fundamentais para impedir que o crime ocupe espaços deixados pelo poder público.

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