Anunciado em junho, durante a entrega das obras de revitalização do Calçadão da rua Batista de Carvalho, o projeto Novo Centro, em Bauru, avança em ritmo lento e já começa a enfrentar cobranças e críticas. Entre as principais ações previstas estão a reforma da Estação Ferroviária e a criação da Guarda Civil Municipal, duas propostas apresentadas pela Prefeitura como importantes para a transformação da região central. A reforma da Estação Ferroviária é estimada em mais de R$ 100 milhões e deverá ser viabilizada por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP), na modalidade de concessão administrativa. A proposta prevê a revitalização, restauração, implantação, operação e manutenção do espaço, que deverá ser transformado em um complexo administrativo, cultural e de serviços.
O projeto prevê ainda a instalação da futura sede da Prefeitura de Bauru e de outras sete secretarias no local. A prefeita Suéllen Rosim (PSD) afirmou que a transferência da estrutura municipal deverá contribuir para uma nova dinâmica na região central, inclusive durante o período noturno. Apesar de já terem sido realizadas etapas de consulta e audiência pública, o edital da concessão ainda não foi encaminhado à Câmara Municipal. A demora contrasta com uma declaração feita pela própria prefeita durante entrevista ao programa Café com Política, no fim de julho. Na ocasião, Suéllen afirmou que pretendia enviar o projeto ao Legislativo ainda durante o mês de aniversário de Bauru.
GUARDA MUNICIPAL TAMBÉM ENFRENTA CRÍTICAS
A criação da Guarda Civil Municipal é outro eixo do Novo Centro que começa a enfrentar questionamentos. O Projeto de Lei nº 71/2026, que regulamenta a corporação, estabelece seu modelo de organização e cria o Plano de Cargos, Carreiras e Salários dos futuros agentes, chegou à Câmara Municipal em 17 de agosto e, em poucos dias, já passou a ser alvo de críticas entre os vereadores. Na sessão da última segunda-feira (24), o vereador Pastor Bira (Podemos), integrante da Comissão de Segurança Pública, anunciou que pretende convocar uma audiência pública para discutir a proposta. Segundo ele, também deverá buscar o diálogo com pessoas e entidades ligadas ao tema antes do avanço da tramitação. Ele é membro da Comissão de Segurança Pública do Legislativo.
A vereadora Estela Almagro (PT) também criticou a condução do processo. Ela questionou a falta de diálogo na fase de elaboração da proposta e afirmou que a prefeita apresentou o projeto previamente apenas a vereadores da base governista, antes de seu encaminhamento oficial ao Legislativo. Neste momento, o texto está sob análise da Procuradoria Jurídica da Câmara, que tem até 2 de setembro para emitir parecer.
200 CARGOS PREVISTOS
O projeto estabelece a criação de 200 cargos efetivos para a Guarda Civil Municipal. A previsão inicial, entretanto, é de convocação inicial de 60 agentes. Segundo a Prefeitura, a principal atribuição da nova corporação será a proteção do patrimônio público municipal. Os guardas deverão atuar no monitoramento de prédios públicos, incluindo escolas e unidades de saúde, com apoio de viaturas e equipamentos.
A proposta também prevê que os agentes tenham porte de arma, conforme as normas estabelecidas pela legislação federal, além de treinamento especializado antes de ingressarem na corporação. As equipes poderão atuar ainda em patrulhamento de áreas consideradas estratégicas, em ações integradas com as polícias Militar e Civil.
Embora os dois projetos tenham sido anunciados como pilares do Novo Centro, os obstáculos na tramitação e as críticas sobre a condução das propostas colocam em xeque o ritmo de implantação das medidas. Enquanto a concessão da Estação Ferroviária ainda aguarda o envio do edital ao Legislativo, a Guarda Municipal começa a tramitar sob questionamentos de vereadores justamente sobre a falta de debate e participação na construção do projeto.