COLUNISTA

A solução é o amor


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Quem já teve a oportunidade de ficar por alguns instantes sentado em um banco de praça ou mesmo em poltrona de vagão de trem ou metrô, somente analisando os semblantes e comportamentos dos transeuntes e passageiros, decerto deparou com fisionomias e expressões que revelavam o momento da vida ou o estado emocional da pessoa observada.

A sociedade humana vive abalada por emoções que transtornam e transformam seu cotidiano, suas relações e, por conseguinte, sua conduta e seu proceder. Esse abalo que atinge o indivíduo tem origem em diversas fontes: os fatos sendo divulgados "no momento em que acontece" e, na maioria esmagadora das vezes, privilegiando a tragédia, o escândalo, a má notícia; a propaganda exigente de performance, de competição, de estar à frente do outro; a pressão no trabalho por resultados, crescimento, superação; a imposição familiar por cuidados, atenção, presença.

A comunicação interpessoal ganhou um capítulo à parte nas relações sociais com o advento de tecnologias que ao mesmo tempo em que vendem o estreitamento de distâncias afastam as criaturas, as quais não mais trocam impressões pessoalmente, face a face, olho no olho. As redes sociais substituíram o encontro pessoal; as vídeochamadas tentam sem sucesso ocupar o lugar do abraço; a eventual sinceridade dissimulada no texto da mensagem esconde o real sentimento que o brilho nos olhos ou o desvio do olhar revelariam.

Tudo isso traz angústia, desassossego, agonia, sensação de impotência, tristeza, depressão. Não raro, tais sentimentos acumulados ao longo dos dias descambam em comportamentos concretamente mais agressivos, mentais ou físicos, como inveja, raiva, desonestidade, violência. Tal energia negativa se retroalimenta, impulsionando a movimentos, reações e atitudes de mesma ordem ou ampliados, numa espécie de moto-perpétuo psicológico.

As Escrituras Sagradas tratam dessa questão com sobriedade e sabedoria. Inicialmente alertam que tais vícios da alma decorrem de uma natureza humana corrompida, ou na terminologia mais comumente utilizada, de pecados. Mas a boa notícia é que tais pecados são anuláveis e substituíveis por atitudes espirituais, ou seja, as que provêm do Espírito (natureza divina) e não da carne (natureza humana). A mudança gradual ocorre a partir do momento em que a decisão de servir a Cristo e não aos impulsos mundanos (do mundo) é tomada. A natureza de Jesus, expressada por seu amor incondicional, passa a reger as maneiras, a conduta e o modo de agir, transformando o indivíduo. O Mestre resumiu essa "virada de chave" em dois mandamentos: amar a Deus em primeiro lugar e amar ao próximo como a si mesmo.

Tudo se resume ao amor. O fruto do Espírito desperta essa percepção e provoca verdadeira reviravolta comportamental e sentimental, manifestando no coração virtudes antes desprezadas ou sequer consideradas, todas alicerçadas no amor. Assim, a tristeza dá lugar à alegria, que é o amor exultante. A inquietação, à paz, que é o amor em tranquilidade. A ansiedade, que provoca taquicardia e roer de unhas, cede lugar à longanimidade, que é o amor em espera. Já a indiferença, típica reação à falta de contato pessoal, abre espaço para a benignidade, que é o amor interno disposto a fazer o bem.

A bondade, que é a concretização da benignidade, a efetiva ação do amor fazendo o bem, substitui a maldade do coração. A deslealdade nos relacionamentos submerge para despontar a fidelidade, que é o amor cumprindo sua palavra. A ira, proveniente da inveja acumulada pela competitividade, desocupa seu posto e deixa aflorar a mansidão, que é o amor resistindo ao mal. Por fim, a impulsividade, a tomada de decisões intempestivas e desequilibradas, rende-se ao domínio próprio, que é o amor controlando todas as esferas da vida, o poder de Deus imperando sobre nosso próprio eu.

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