EM BAURU

Deputado Motta defende redução da jornada e fim da escala 6x1

Priscila Medeiros
| Tempo de leitura: 3 min
Priscila Medeiros
Deputado federal Luiz Carlos Motta
Deputado federal Luiz Carlos Motta

O deputado federal Luiz Carlos Motta (PL), presidente licenciado da Federação dos Comerciários do Estado de São Paulo, esteve em Bauru na noite da última quarta-feira (19) e conversou com o JC/JCNET sobre jornada de trabalho, fortalecimento dos sindicatos e reeleição.

Motta defende a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e o fim da escala 6x1, com cinco dias trabalhados e dois de descanso. Segundo ele, a mudança é uma das principais bandeiras do movimento sindical e pode contribuir para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e até aumentar a produtividade nas empresas.

Com trajetória ligada ao movimento sindical e à representação dos comerciários, Motta chegou à Câmara dos Deputados em 2019, após ser eleito em 2018. Atualmente, está no segundo mandato e afirma que a presença de representantes dos trabalhadores no Congresso é necessária para ampliar a defesa dos interesses da categoria. "Eu acho que é muito importante ter a representação lá em Brasília. Todas as categorias têm representação: metalúrgicos, professores, bancários. Então, os comerciários também deveriam ter uma representação", afirmou.

De acordo com o deputado, a atuação parlamentar não se limita aos trabalhadores do comércio. "Fico muito feliz hoje de estar lá representando não só os comerciários, mas também todos os trabalhadores brasileiros. As pautas que têm interesse dos trabalhadores, a gente tem votado sempre a favor dos trabalhadores", disse. Entre as principais pautas defendidas por Motta está a redução da jornada de trabalho. Para o deputado, a adoção de uma jornada de 40 horas semanais, com dois dias de descanso, poderia trazer impactos positivos tanto para os trabalhadores quanto para as empresas. "Eu acho muito importante para a classe trabalhadora, porque a pessoa trabalhando mais motivado, mais descansado, tendo tempo para convivência familiar, tendo seu tempo para estudar e se reciclar, ele vai render muito mais para a parte patronal", declarou.

Motta também citou o caso das Casas Bahia ao rebater argumentos de que a redução da jornada poderia aumentar as dificuldades enfrentadas pelas empresas. Segundo ele, os problemas recentes da companhia estariam relacionados à gestão, e não à jornada dos funcionários. O deputado também avalia que a redução da carga horária poderia contribuir para diminuir os afastamentos provocados por doenças entre trabalhadores do comércio.

MUDANÇAS NO COMÉRCIO

Para Motta, a transformação do setor nos últimos anos, especialmente com o crescimento das vendas pela internet, trouxe novos desafios para os trabalhadores. Entre eles está a redução de algumas funções tradicionais e a necessidade de qualificação profissional.

"Nós estamos perdendo muitas funções dentro do comércio. Nossa federação, a Federação dos Empregados no Comércio do Estado de São Paulo (Fecomerciários) está fazendo vários cursos de qualificação e estamos nos preparando para esse mundo novo do trabalho", afirmou.

O parlamentar defende uma discussão conjunta entre trabalhadores e empregadores para encontrar alternativas diante do avanço do comércio eletrônico. Segundo ele, o crescimento das vendas virtuais tem afetado principalmente os estabelecimentos de rua, com reflexos tanto para empregados quanto para empresários.

Motta também defende o fortalecimento da representação sindical e afirmou que é necessário aproximar novamente os trabalhadores das entidades. "Eu acho que o fortalecimento é convencer os trabalhadores a acreditar no movimento sindical. Hoje nós temos bons sindicatos e maus sindicatos. Vale se destacar e o trabalhador ter consciência de que o sindicato hoje é muito mais vantajoso para ele do que não ser filiado a um sindicato", afirmou.

Ao falar sobre o período final do atual mandato e a campanha pela reeleição, Motta apontou novamente a redução da jornada como uma de suas principais bandeiras. "Já aprovamos na Câmara, agora está no Senado. A gente está trabalhando para que seja aprovado isso o mais rápido possível dentro do Senado Federal, para que o presidente possa sancionar", afirmou.

Para o deputado, a aprovação da medida representa uma das principais prioridades do movimento sindical no Congresso Nacional. "Essa é uma das bandeiras principais hoje do movimento sindical dos trabalhadores dentro do Congresso Nacional", concluiu.

Comentários

Comentários