CRISE DIPLOMÁTICA

Não há chance de romper com o Brasil, diz chanceler de Milei

Por Daniela Arcanjo | da Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min
Ricardo Stuckert
Lula escolheu ironizar Milei: 'Quem é esse cara?', perguntou a jornalistas
Lula escolheu ironizar Milei: 'Quem é esse cara?', perguntou a jornalistas

O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, afirmou nesta quarta-feira (29) que não há nenhuma chance de ruptura diplomática com o Brasil devido à crise provocada pelos ataques do presidente Javier Milei a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no fim de semana.

"Do nosso lado, não há nenhuma chance de romper relações. Não estamos levando isso para o nível institucional", afirmou o chanceler argentino à rádio Mitre ao ser questionado sobre as declarações do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que classificou o episódio como lamentável nesta terça (28).

Milei, que tem um histórico de ataques a Lula desde quando tentava chegar à Casa Rosada, em 2023, chamou o petista de ladrão e presidiário no último sábado (25), durante lançamento da candidatura à Presidência de Flávio Bolsonaro (PL), em São Paulo.

O governo, então, reagiu chamando o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, e o representante de Brasília em Buenos Aires, Julio Bitelli, para prestar esclarecimentos. Ao comentar a retaliação, Quirno tentou marcar distância da postura brasileira.

"Isso é o que nós não fazemos. Não levamos [essa crise] ao nível institucional. Deixamos a disputa eleitoral, a diferença política, a diferença ideológica nesse marco", afirmou. "Temos a mais alta estima do embaixador brasileiro na Argentina, Julio Bitelli. Esperamos que, após essas consultas, retorne ao país o quanto antes para seguir desenvolvendo a extensa agenda bilateral que temos."

Na terça, o porta-voz da Casa Rosada usou o mesmo raciocínio ao minimizar o episódio. "É evidente que sempre houve insultos de ambos os lados. Penso que se trata de diferenças ideológicas e políticas, mas a Argentina nunca levou essas diferenças para o âmbito diplomático", afirmou a jornalistas Adrian Ravier.

Apesar das ações do Brasil, também não há sinais de que o governo Lula pretenda cortar relações com a Argentina, um dos maiores parceiros comerciais do país. No entanto, o Palácio do Planalto está avaliando os rumos da relação com Milei para definir o retorno do embaixador, segundo auxiliares envolvidos nas discussões.

O assunto, porém, tem rendido no campo retórico. Na segunda (27), o ministro Dario Durigan (Fazenda) chamou Milei de "palhaço", e o ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) classificou o argentino como "caricatura patética" e puxa-saco de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.

Já Lula escolheu ironizar o homólogo. "Quem é esse cara?", perguntou a jornalistas também na segunda, ao ser questionado sobre a declaração de Milei.

No sábado, Milei também atacou o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, a quem chamou de "lixo careca" por não deixá-lo visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar em Brasília, e criticou a economia brasileira em comparação com a da Argentina.

Comentários

Comentários