FUNDAÇÃO CASA

Jovem relatou mal-estar cinco vezes em um mês antes de morrer

Por Paulo Eduardo Dias | das Folhapress
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Reprodução/Google Street View
Fachada da Fundação Casa de Itaquera, na zona leste de São Paulo
Fachada da Fundação Casa de Itaquera, na zona leste de São Paulo

As circunstâncias que causaram a morte de um interno da Fundação Casa nesta terça-feira (28) está sendo investigada pela Polícia Civil. O jovem de 18 anos cumpria medida socioeducativa em uma unidade em Itaquera, na zona leste de São Paulo.

Em menos de um mês, ele relatou não se sentir bem e foi encaminhado cinco vezes a unidades de saúde, retornando ao internato sem receber um diagnóstico preciso. O jovem estava na Fundação Casa havia cerca de oito meses.

Em nota, a instituição lamentou a morte e disse que "apura internamente as circunstâncias do caso e colabora com as investigações das autoridades policiais".

O boletim de ocorrência foi registrado como morte suspeita e lesão corporal --o que aponta para possível agressão. A Secretaria da Segurança Pública confirmou que investiga a morte.

Segundo a Fundação Casa, a primeira queixa do jovem ocorreu em 22 de junho, quando apresentou os primeiros sintomas e foi encaminhado a uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento). De acordo com a gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos), após novos episódios de mal-estar, ele retornou para avaliação em outras três ocasiões -- nos dias 26 e 29 de junho e 6 de julho --, quando foram realizadas novas avaliações e prescrições médicas.

Em 10 de julho, após nova queixa sobre o quadro de saúde, o jovem foi encaminhado à UPA Itaquera. No local, teria tentado fugir, ação impedida pelo servidor da Fundação Casa que o acompanhava e pela equipe do hospital.

Como o quadro se agravou, o interno foi transferido para o Hospital Geral de São Mateus, onde permaneceu internado. Segundo a Fundação Casa, ele passou por exames, avaliações e procedimentos necessários para o acompanhamento clínico.

O governo afirmou que, durante o período de internação, o adolescente foi acompanhado por profissionais das áreas psicossocial e de enfermagem da unidade de Itaquera.

O Departamento de Execuções da Infância e da Juventude do Tribunal de Justiça disse que monitora a ocorrência e que poderá atuar, por meio do Juízo Corregedor da Fundação Casa, caso seja verificada alguma irregularidade.

A Justiça e o Ministério Público informaram que o processo está sob segredo.

A Defensoria Pública informou que não atua no caso, após a família ter contratado um advogado.

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