EM BAURU

Mercado é aliado na ressocialização do sistema prisional local

Por Priscila Medeiros | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Priscila Medeiros
De acordo com o policial penal Everaldo Silveira Virgolino da Silva, a empregabilidade é o pilar da ressocialização
De acordo com o policial penal Everaldo Silveira Virgolino da Silva, a empregabilidade é o pilar da ressocialização

A oferta de emprego para pessoas que deixam o sistema prisional tem se consolidado como uma das principais ferramentas de ressocialização. Em Bauru, a Central de Atenção ao Egresso e Família (Caef), vinculada à Secretaria da Administração Penitenciária do Estado de São Paulo (SAP), busca ampliar parcerias com empresas da cidade e da região para oferecer oportunidades de trabalho a egressos, contribuindo para reduzir a reincidência criminal e promover a reconstrução de suas trajetórias de vida.

Responsável pelo acompanhamento de cerca de 500 pessoas por mês, a unidade atua com homens e mulheres que cumprem pena em regime aberto ou estão em liberdade condicional. Além de fiscalizar o cumprimento das condições impostas pela Justiça, a equipe desenvolve ações voltadas à educação, qualificação profissional, regularização de documentos e inserção no mercado de trabalho.

Segundo o policial penal Everaldo Silveira Virgolino da Silva, que atua na Caef, o emprego é o principal pilar da reintegração social. "A empregabilidade é o pilar da ressocialização. Nosso objetivo é oferecer condições para que essa pessoa reconstrua a vida e não volte a cometer crimes", afirma. De acordo com ele, a equipe procura identificar quais egressos demonstram interesse em mudar de vida e faz a ponte com empresas dispostas a oferecer uma oportunidade.

De acordo com o psicólogo da Coordenadoria de Reintegração Social e Cidadania da Polícia Penal do Estado de São Paulo (PPESP), Sany Robert Alkschbirs, a inserção no mercado de trabalho é um dos principais fatores que favorecem a reintegração social da pessoa egressa do sistema prisional. "Mais do que garantir autonomia financeira, o trabalho pode contribuir para o resgate da autoestima, fortalecer o sentimento de pertencimento e abrir espaço para a construção de novos projetos de vida. Também favorece o estabelecimento de vínculos sociais e amplia as possibilidades de participação na comunidade, aspectos importantes para que essa pessoa possa reconstruir sua trajetória e exercer sua cidadania, reduzindo as possibilidades de reincidência".

Apesar da demanda, a Caef enfrenta dificuldades para ampliar a rede de empregadores. Atualmente, uma das principais parceiras é o Grupo Adato, de Bauru, que recebe candidatos encaminhados pela unidade para participar dos processos seletivos.

Everaldo Silva ressalta que os egressos não recebem qualquer benefício ou privilégio durante a contratação. Eles passam pelas mesmas etapas de seleção dos demais candidatos e, caso admitidos, têm os mesmos direitos e salários dos demais funcionários. Segundo Everaldo, a principal barreira ainda é o preconceito. "E a Adato quebra esse estigma. Ela abre as portas para que essas pessoas tenham a chance de disputar uma vaga em igualdade de condições."

Além do Grupo Adato, a Caef já contou com parcerias temporárias em empresas da região, especialmente durante períodos de safra, mas busca ampliar o número de empregadores interessados em participar do programa.

Empresas interessadas em oferecer oportunidade de trabalho podem procurar diretamente a unidade para conhecer o trabalho desenvolvido. A Caef está localizada na rua Rio Branco, 18-05, no Centro, e funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

Para Everaldo, ampliar o número de parceiros significa beneficiar toda a sociedade. "Quando uma pessoa consegue trabalhar, ela ganha autonomia, recupera a dignidade e reduz significativamente as chances de voltar a delinquir. A ressocialização não beneficia apenas o egresso, mas toda a comunidade, porque contribui para uma sociedade mais segura", conclui.

RECOMEÇO

Um dos beneficiados pela iniciativa é um homem que passou nove anos preso e, após conquistar a liberdade condicional há três meses, conseguiu uma vaga de emprego por meio da Caef. Hoje contratado com carteira assinada, ele afirma que o trabalho permitiu reconstruir a vida e restabelecer os laços familiares. "A Caef me ajudou a retomar minha vida. Consegui um emprego e pude reconstituir minha família. Só tenho a agradecer pela oportunidade", diz Everaldo.

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