Brasil amarga maior fila de sua história na Copa; confira
Eliminada pela Noruega neste domingo (5), a seleção brasileira vai viver a maior seca de Copa do Mundo desde a primeira conquista, em 1958, na Suécia. Há 24 anos sem comemorar um Mundial, a torcida verde-amarela terá mais quatro de espera até o torneio de 2030 --sediado em Portugal.
Os 28 anos de fila remontam a campanha do pentacampeonato, quando Rivaldo, Ronaldo e grande elenco bateram a Alemanha por 2 a 0, em Yokohama (Japão), na final de 2002.
À época da última taça, Fernando Henrique Cardoso era o presidente do Brasil; a ferramenta de buscas mais utilizada no país era o extinto 'Cadê?'; e o craque inglês Jude Bellingham só nasceria no ano seguinte. De lá para cá, foram seis edições frustradas com quedas para seleções europeias: França (2006), Holanda (2010), Alemanha (2014), Bélgica (2018), Croácia (2022) e agora Noruega (2026).
Chegar à disputa pelo 3º lugar foi o melhor que a seleção canarinho fez nestes 28 anos. A vitória naquele jogo da Copa de 2014, no entanto, foi da Holanda. Foram quatro quedas nas quartas de final e a mais recente, nas oitavas.
Reencontro com algozes de 1998
A campanha na fase de grupos da Copa de 2006 foi próxima de impecável. Três vitórias sobre Croácia (1 a 0), Austrália (2 a 0) e Japão (4 a 1). Gana foi a adversária do Brasil nas oitavas de final em um jogo de simbolismos. Ronaldo superou Gerd Müller na artilharia de todas as Copas com 15 gols. O Brasil venceu a partida por 3 a 0.
Cafu assumiu o topo dos brasileiros que mais jogaram em Copas (19 vezes). A despedida do camisa 2 e capitão do penta em Mundiais seria na fase seguinte.
O Brasil era favorito para o duelo diante dos franceses, classificados em segundo do grupo. A última Copa de Zinedine Zidane enfatizou o feito de oito anos antes. O camisa 10 conduziu a vitória por 1 a 0 que despachou o "quadrado mágico" de Carlos Alberto Parreira.
Pane no sistema
O Brasil fez o que se esperava da seleção pentacampeã. Se classificou em primeiro do Grupo G. Bateu a Coreia do Norte por 2 a 1 e a Costa do Marfim por 3 a 0. Fechou com empate sem gols diante de Portugal. "Cada um tem seu gosto. Eu gosto de vencer", declarou o técnico Dunga.
A seleção avançou para as oitavas para enfrentar o Chile. Impôs ao adversário ritmo de jogo e marcou aos 34 minutos. A dobradinha Kaká e Luis Fabiano também funcionou. Robinho selou a vitória por 3 a 0.
A expectativa era de jogo difícil contra a Holanda antes do apito inicial e de classificação encaminhada na saída para o intervalo. A seleção foi com 1 a 0 para o vestiário.
Wesley Sneijder empatou no começo do segundo tempo. Em seguida veio a virada. A tarefa de buscar a igualdade ficou inviável com a expulsão de Felipe Melo.
O ano do 7 a 1
A campanha começou empolgando a torcida da casa: vitória de 3 a 1 sobre a Croácia; um empate sem gols diante do México; e goleada sobre o Camarões por 4 a 1 para fechar a fase de grupos em primeiro lugar.
Já nas oitavas, o Chile deu mais trabalho do que o esperado. Empate em 1 a 1 no tempo normal e classificação nos pênaltis, por 3 a 2. Nas quartas, contra a Colômbia, Thiago Silva e David Luiz garantiram a vitória por 2 a 1.
Apesar da vitória, o Brasil passou para a semifinal com dois desfalques importantes: Thiago Silva e Neymar, com uma fratura na coluna depois da joelhada de Zuñiga.
A seleção viveu um dos episódios mais traumáticos da história em Copas. Thomas Müller abriu o marcador para os alemães e nos 18 minutos seguintes os europeus abririam nada menos que cinco gols de vantagem. O jogo terminou em 7 a 1 para a Alemanha. Na disputa pelo 3º lugar, 3 a 0 para a Holanda.
A geração belga
Tite foi o técnico que fez o Brasil chegar à Rússia com expectativa de surpreender os adversários. Sob o comando do ex-corintiano, foram nove vitórias e classificação com quatro jogos de antecedência.
A campanha no Grupo E começou em ritmo de cautela, com um empate por 1 a 1 contra a Suíça. A vitória veio diante da Costa Rica, por 2 a 0. Contra a Sérvia, os brasileiros garantiram a liderança do grupo por 2 a 0.
Nas oitavas, a seleção tirou vantagem do desgaste físico dos mexicanos e construiu o placar de 2 a 0. Aquela foi considerada a melhor exibição da equipe no torneio. Chegou às quartas de final para pegar a badalada "geração de ouro" da Bélgica.
Fernandinho, volante do Brasil, marcou contra e obrigou a seleção a se expor mais na partida. Em assistência de Lukaku, o meio-campista De Bruyne ampliou para os belgas, aos 31 minutos de jogo.
O Brasil diminui em cabeçada do meia Renato Augusto, mas parou aí. Foi a quarta vez consecutiva que o Brasil se despediu de um Mundial ante uma seleção europeia.
A três minutos da semifinal
Na primeira fase, o Brasil bateu a Sérvia por 2 a 0 e ganhou da Suíça de 1 a 0. Garantida nas oitavas, a selçeão foi com time misto contra Camarões e terminou surpreendido: 1 a 0 para os africanos.
Nas oitavas, o Brasil venceu por 4 a 1 e confirmou a invencibilidade em Copas contra equipes asiáticas. O primeiro teste seria nas quartas, contra a Croácia.
Os europeus ditaram o ritmo na primeira etapa do jogo, com a posse de bola concentrada no veterano Luka Modric. Na prorrogação, Neymar abriu o placar e colocou o Brasil em vantagem. A três minutos do fim, os europeus marcaram com Bruno Petkovic. A seleção foi eliminada nas penalidades.