Em reunião com 13 vereadores, na manhã desta quarta-feira (1), a prefeita de Bauru, Suéllen Rosim (PSD), afirmou que não fará a revogação do contrato com o Consórcio Bauru Park, responsável pela implantação da nova Área Azul no município. Mas disse ser possível fazer ajustes na execução do contrato firmado entre a Emdurb e o Consórcio, responsável pela implantação do sistema de estacionamento rotativo no município.
Segundo a prefeita, uma eventual decisão sobre a rescisão do contrato não dependeria da chefia do Poder Executivo, mas da análise técnica da empresa responsável pela gestão do trânsito - a Emdurb. "Apesar de saber que a autonomia para romper ou não o contrato não é uma decisão política, mas técnica, da empresa que tem um presidente e uma equipe especializada que cuida da mobilidade da cidade, entendo que a discussão realizada hoje trouxe reflexões importantes", afirmou.
Suéllen ressaltou que não defende o fim da Área Azul, mas acredita que o sistema pode ser aperfeiçoado para atender melhor à população. "Eu não sou favorável a revogar a política pública, mas entendo que ela pode ser aperfeiçoada", disse. Entre os pontos debatidos, a prefeita destacou a manutenção da fiscalização, principalmente com caráter educativo. Segundo ela, o objetivo do sistema não é aplicar multas, mas garantir a rotatividade das vagas nas regiões de maior demanda. "Quem é contra a fiscalização, principalmente quando ela é educativa? O objetivo não é multar, mas fazer com que a vaga cumpra sua função de ser rotativa", afirmou.
Outro tema discutido foi a expansão das áreas contempladas pela cobrança do estacionamento rotativo. De acordo com Suéllen, ela solicitou ao presidente da Emdurb que reavalie, junto às equipes técnicas, a necessidade da ampliação prevista em alguns pontos da cidade. "A questão da ampliação de mais vagas pode eventualmente ser revista. Há locais em que as equipes técnicas poderão concluir que essa expansão não faz sentido neste momento", afirmou.
A prefeita também disse, após a reunião com os vereadores, que a fiscalização intensificada foi um dos fatores que mais provocaram desconforto entre os motoristas, defendendo que a população compreenda a finalidade da medida. "Precisamos manter a fiscalização e reavaliar alguns pontos para que as pessoas não apenas se acostumem, mas entendam, sob o olhar técnico da empresa, a razão dessa orientação. Acho que foi isso que gerou o maior desconforto na população."
Suéllen observou ainda que motoristas que estacionam corretamente não enfrentam problemas com a fiscalização, enquanto aqueles que descumprem as regras estão sujeitos às penalidades previstas na legislação de trânsito. "Quem estaciona no lugar certo está tranquilo. Quem estaciona de forma irregular comete uma infração prevista na legislação, embora a forma como essa fiscalização ocorre possa ser discutida."
Por fim, a prefeita afirmou que qualquer eventual alteração na operação da Área Azul também deverá considerar o trabalho da Comissão Especial de Inquérito (CEI) instaurada pela Câmara Municipal para acompanhar o contrato. Segundo ela, as discussões seguem em andamento e eventuais mudanças precisarão ser avaliadas com cautela, uma vez que podem interferir no cenário de fiscalização atualmente em análise pelos vereadores.
'Viemos defender a população'
Em entrevista ao perfil do Instagram Imprensa News Brasil, o vereador Marcelo Afonso (PSD) afirmou que a implantação da nova Área Azul provocou forte reação negativa da população e defendeu que a Prefeitura de Bauru reveja o contrato firmado com o Consórcio Bauru Park ou adote medidas para flexibilizar a cobrança do estacionamento rotativo. Segundo o parlamentar, embora a administração municipal tenha obtido avanços em diversas áreas, a implantação do novo sistema de estacionamento acabou se tornando uma medida impopular.
"A Prefeitura tem acertado em muitas ações, mas, neste caso, foi uma medida que realmente não foi bem recebida pela população. A repercussão tomou uma proporção muito grande e entendemos que esse não é um momento adequado para manter esse modelo da forma como está", afirmou. Afonso ressalta que a decisão sobre eventuais mudanças no contrato não cabe ao Legislativo, mas ao Poder Executivo, em conjunto com a Emdurb.
"A caneta não é do vereador. A decisão é da Prefeitura e da Emdurb. A empresa precisa gerar receitas, pois não possui orçamento próprio, e essa é uma definição que compete ao Executivo", declarou. O vereador afirmou que o objetivo da reunião com a prefeita Suéllen Rosim foi levar ao Executivo as reivindicações recebidas da população. "Nós viemos defender a população. Esse foi o principal objetivo da reunião", disse.