MORTE EM SALTO

Limeira inicia obras para bloquear acesso à ponte do Esqueleto

Por Francisco Lima Neto | da Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/Prefeitura de Limeira
Máquina, sob responsabilidade da Prefeitura de Limeira, faz intervenção na região da ponte do Esqueleto
Máquina, sob responsabilidade da Prefeitura de Limeira, faz intervenção na região da ponte do Esqueleto

A Prefeitura de Limeira, no interior de São Paulo, iniciou obras nesta quarta-feira (17) para impedir o acesso à ponte do Esqueleto, de onde a estudante Maria Eduarda Rodrigues Freitas, 21, foi jogada sem cordas em um salto de rope jump e morreu no sábado (13).

A estrutura, que fica no limite entre Limeira e Cordeirópolis, pertence ao governo federal.

Segundo a prefeitura, a intervenção inclui o fechamento de acessos irregulares à ponte e complementa ações emergenciais que já haviam sido executadas na área anteriormente.

"A atuação ocorre após o Governo Federal reconhecer sua responsabilidade pela área e solicitar apoio operacional do município para ampliar a proteção do espaço até a adoção de medidas definitivas", afirmou a gestão municipal.

Como o governo federal tinha limitações operacionais, a prefeitura afirmou que foi acionada para "prestar apoio na realização dos serviços emergenciais".

Nesta manhã, equipes da prefeitura trabalham na reabertura de uma vala que dificulta o acesso à ponte, O obstáculo, aberto em 2024 a pedido da União, tinha sido fechado por terceiros.

As obras estruturais definitivas, como construção de muros de contenção, fechamento da área e manutenção das valetas, seguem sob responsabilidade do governo federal.

A Prefeitura de Cordeirópolis, por sua vez, afirmou que o acesso à ponte pelo lado do município está fechado há anos, mas que fará o reforço do bloqueio.

A SPU (Secretaria do Patrimônio da União) indicou a possibilidade de doação ou cessão da ponte do Esqueleto à Prefeitura de Limeira em reunião na tarde de segunda-feira (15).

A alternativa foi apresentada pelo superintendente da SPU no estado, Celso Santos Carvalho, em reunião com autoridades federais e locais. Foi recusada, contudo, pelo município. O prefeito de Limeira, Murilo Félix (Podemos), respondeu que não haveria interesse público em receber a estrutura e que a gestão teria outras prioridades.

Embora tivesse o acesso proibido, a ponte era frequentada por praticantes de esportes radicais e ciclistas há anos. Ao menos três grupos realizavam saltos de rope jump no local, especialmente em fins de semana.

As prefeituras de ambos os municípios defendem a derrubada da ponte, que é uma das soluções definitivas em discussão pela SPU, secretaria vinculada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.

Por ora, o governo federal anunciou que instalará barreiras físicas de acesso e placas de aviso de que se trata de propriedade da União e que a entrada é proibida.

A ponte foi herdada pela União após a extinção de estatais ferroviárias há cerca de 20 anos. O governo diz que a transferência da estrutura pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) à SPU foi oficializada em maio.

Há histórico de acidentes graves no local. No ano passado, duas pessoas ficaram feridas durante a prática de "rope jump". Em 2024, uma ciclista morreu ao cair da ponte.

Pessoas que estavam no local registraram o momento em que Maria Eduarda foi lançada para o salto. Ela não estava presa a uma corda ou outro equipamento de segurança.

Os instrutores Luis Felipe Feliciano Egoroff, 32, Vitor de Freitas Gonçalves, 27, e Maicon Fernandes Cintra, 42, foram presos em flagrante e indiciados por homicídio com dolo eventual. A conversão da prisão em preventiva ocorreu no domingo (14).

O advogado do grupo diz que os instrutores prestaram os primeiros socorros, além de chamar o caso de uma "tragédia"

O rope jumping consiste em saltos de grandes alturas com o praticante preso a cordas que produzem um movimento de balanço após a queda. Também conhecido como "pêndulo humano", difere do salto com bungee jump, que utiliza uma corda elástica que provoca rebotes.

Comentários

Comentários