Ex-presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan constatou e escreveu em "Capitalismo na América" que a atual geração de americanos é mais pobre que a geração dos seus pais e avós. O presidente Donald Trump tem prometido aos seus eleitores que fará o seu país voltar aos velhos tempos de hegemonia econômica mundial. "Make America Great Again" (MAGA)- é o seu slogan. Todos os dias ele precisa demonstrar que cumpre esse objetivo. Solta uma bombinha aqui e outra lá, impacta seus fornecedores com taxações para aumentar a arrecadação e assim restabelecer a cultura do "sonho americano".
Que Trump assim proceda é até defensável, tirando-se os exageros. Um deles é o de querer influenciar na política interna de países não-inimigos, a ponto de ameaçar a soberania de cada um. O governo norte-americano retrocede aos tempos de Teddy Roosevelt, do início do século passado, quando os interesses americanos sempre estiveram em primeiro lugar. Mesmo que necessário o "big stick", o grande porrete.
O governo Trump não esconde que quer governos alinhados a ele no seu quintal. Segundo o secretário de Estado Marco Rubio, faltam no seu álbum de figurinhas somente a Nicaragua, a Venezuela, Cuba, Colômbia e o Brasil. Estes dois últimos, em "fase de eleições". Trump, mais uma vez não conseguiu ajudar a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro, com a intenção de se livrar do inconveniente Lula. Publicou a foto do seu encontro com o "01" na Casa Branca com elogio ao jovem que ama o seu país e, menos de 24 horas depois veio o anuncio do tarifaço sobre produtos brasileiros.
Mesmo que Flávio não tenha trabalhado por novas taxações e contra o Pix, o termo "Tariflávio" viralizou na internet - o segundo mais comentado na rede social. O primeiro foi "O Pix é nosso", que foi criado no governo de Jair Bolsonaro e o clã não soube explorar eleitoralmente. O terceiro tema mais comentado: "Bolsonaros, inimigos do Brasil". No momento em que escrevo ainda não há pesquisas sobre possíveis danos causados às pretensões bolsonaristas à Presidência da República. Essas coisas costumam pegar. Flávio está trabalhando com sua equipe para se descolar da pecha. Lula o chamou de "traidor da Pátria, um novo Joaquim Silvério dos Reis que traiu Tiradentes e acabou enforcado". Tropeçou na história. Tiradentes é quem foi enforcado. Joaquim ficou numa boa e morreu de causas naturais.
Os bolsonaristas vão acusar Lula de ser agressivo e não conseguir negociar. De qualquer maneira, o assunto deve predominar durante a campanha eleitoral, mais que segurança publica e os grupos "terroristas". Vorcaro, depois da delação será melhor esquecer. Para todos. Será lembrada a facada em Bolsonaro em Juiz de Fora, com mais teorias conspiratórias. Não por acaso, Flávio tem usado colete à prova de bala por baixo da camisa verde-amarela da Seleção, em suas aparições públicas. Ronaldo Caiado (PSD) tomou carona na polêmica e acusa Lula como culpado pelo tarifaço, resultado da sua política ideológica de esquerda no Itamaraty. Romeu Zema (Partido Novo), na mesma direção, alega incompetência e inoperância do governo Lula nas relações internacionais. Com essa atitude, ambos podem acabar marcados como linha auxiliares da candidatura Bolsonaro.
Será que Trump conseguirá um efeito desestabilizador nas eleições brasileiras? As pesquisas revelarão tendências. Os Estados Unidos ainda não declararam qual lado escolher. A disputa é imprevisível. O pior é que os prováveis mais votados para o segundo turno, até agora não apresentaram nenhum projeto nacional. O governo Trump pressiona por maior combate à corrupção, por liberdade ao comércio digital, fiscalização do desmatamento ilegal e do trabalho forçado. Tudo contra o Pix, inimigo da lucratividade dos cartões de crédito. Ainda bem que Trump não se insurgiu contra o contrabando de canetas emagrecedoras.
Seria o caos acabar com elas.