PRIMEIRA INFÂNCIA

Autora da lei que barrou celular em sala de aula visita Bauru

Por Priscila Medeiros | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Priscila Medeiros
Deputada estadual e pré-candidata a deputada federal Marina Helou (PSB)
Deputada estadual e pré-candidata a deputada federal Marina Helou (PSB)

A deputada estadual Marina Helou (PSB) está em Bauru visitando entidades socioassistenciais e concedeu entrevista ao JCNET nesta quinta-feira (28). Durante a conversa, abordou temas como primeira infância, meio ambiente, inclusão, saúde mental e os impactos do uso excessivo de celulares por crianças e adolescentes. Marina está em seu segundo mandato na Assembleia Legislativa de São Paulo e é autora de sete leis estaduais, entre elas a Política Estadual pela Primeira Infância, a Lei Criança Primeiro, a Política Estadual do Manejo do Fogo, a lei que proíbe uso de celulares em escolas no estado e a coautoria da política de distribuição gratuita de medicamentos à base de canabidiol. É pré-candidata a deputada federal.

Autora da Lei Estadual nº 18.058, de 5 de dezembro de 2024, que ampliou as restrições ao uso de celulares e outros dispositivos eletrônicos nas escolas públicas e privadas paulistas, a deputada afirmou que a proposta nasceu após perceber os impactos do excesso de telas no ambiente escolar. Segundo Marina, a motivação para criar a legislação surgiu durante visitas a escolas. Ela relatou que ficou impressionada ao perceber o silêncio durante os recreios, mesmo com centenas de alunos presentes. “As crianças estavam todas no celular, isoladas ou em pequenos grupos, sem interação”, afirmou.

A parlamentar destacou que, ao aprofundar os estudos sobre o tema, identificou efeitos negativos não apenas no desenvolvimento social e emocional dos estudantes, mas também na aprendizagem. Ela citou a queda nos indicadores educacionais, o aumento de casos de ansiedade e depressão entre crianças e adolescentes e o crescimento de crimes virtuais envolvendo menores.

“Não é um projeto contra a tecnologia. O problema é o uso excessivo das redes sociais, que capturam a atenção das crianças e adolescentes”, declarou. Marina afirmou ainda que o projeto enfrentou resistência inicial, mas ganhou força após a divulgação de estudos internacionais que relacionam o uso intenso de celulares e redes sociais ao agravamento de problemas de saúde mental e desempenho escolar. A deputada ressaltou que São Paulo foi o primeiro estado do país a aprovar uma lei restringindo celulares nas escolas, medida que posteriormente inspirou a legislação federal. Segundo ela, pesquisas já apontam resultados positivos em locais onde a restrição foi implementada, incluindo melhora nos índices de aprendizagem e redução no uso excessivo da internet entre estudantes.

Outro tema abordado durante a entrevista foi a Política Estadual pela Primeira Infância, criada por Marina Helou. A deputada explicou que a proposta estabelece responsabilidades do Estado no cuidado com crianças de até seis anos, fortalecendo ações integradas entre diferentes secretarias e ampliando o apoio aos municípios. “A primeira infância é a fase mais importante do desenvolvimento humano. O investimento nessa etapa gera impacto para o resto da vida”, afirmou.

Durante a visita a Bauru, a deputada passou por entidades assistenciais, instituições sociais e participou de uma plenária sobre adoção promovida pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Vice-presidente da Frente Parlamentar da Adoção, Marina destacou a necessidade de ampliar programas de acolhimento e incentivar a adoção de crianças mais velhas, grupos de irmãos e crianças com deficiência.

A parlamentar também demonstrou preocupação com o aumento de diagnósticos relacionados ao transtorno do espectro autista (TEA), TDAH e outros transtornos do neurodesenvolvimento. Segundo ela, há carência de profissionais especializados e de políticas públicas efetivas para garantir inclusão escolar adequada.
“Precisamos criar ambientes verdadeiramente inclusivos, com suporte às crianças, às famílias e aos professores”, afirmou.

Pré-candidata a deputada federal, Marina Helou disse que decidiu disputar uma vaga na Câmara dos Deputados por considerar necessário ampliar o debate sobre transparência, participação popular e políticas públicas voltadas à população.  “Eu poderia continuar na Assembleia Legislativa de forma mais confortável, mas acredito que o Congresso Nacional precisa melhorar a representação e o diálogo com a sociedade”, concluiu.

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