COLUNISTA

Onde está o dente que não apareceu na boca?

Por Alberto Consolaro | Professor Titular da USP e Colunista de Ciências do JC
| Tempo de leitura: 3 min
Canino sendo tracionado para o seu lugar no plano oclusal com fios metálicos e a capa do livro de 652pg com 3600 figuras
Canino sendo tracionado para o seu lugar no plano oclusal com fios metálicos e a capa do livro de 652pg com 3600 figuras

Pode ser agenesia do tipo anodontia parcial que ocorre em até 25% das pessoas se não considerarmos os terceiros molares, os mais ausentes. Pode faltar um ou até os quatro
terceiros molares no mesmo paciente.
Esta falta congênita de dentes permanentes afeta os segundos dentes de cada série. Os incisivos superiores laterais são os mais afetados nos estadunidenses, os segundos prémolares superiores e inferiores, nos europeus e os incisivos centrais, nos orientais. Este fenômeno é hereditário e faz parte da natureza humana, sem representar qualquer tendência de que estamos reduzindo o numero de dentes.
Mais frequente que a anodontia parcial, são os dentes que não aparecem na boca no tempo normal de erupção por falta de alinhamento nos espaços entre os demais. São os dentes não irrompidos, também equivocadamente, ditos dentes inclusos. Eles afetam a maioria da população se incluirmos os terceiros molares e ocorrem por:
1º). Ficarem deitados ou inclinados, enquanto o normal são verticais e paralelamente posicionados com os outros. Seus germes podem ter sofrido rotações pequenas ou maiores no osso por forças do crescimento dos maxilares, que podem ser pequenos para tantos dentes, deslocando alguns deles de sua posição e trajeto. 
2º). Porque os seus germes se desenvolveram em locais ectópicos, ou seja, fora do local geneticamente determinado, longe dos demais dentes, como abaixo dos olhos no soalho da órbita, no seio maxilar, no ângulo da mandíbula e até os côndilos mandibulares. Isto é um erro embrionário.
3). Em muitos casos os dentes ficam não irrompidos por encontrar cistos, tumores e outros dentes no trajeto em direção ao plano oclusal, ficando impactados sem irromperem.
Para diagnosticar esta situação, as imagens radiográficas e tomográficas são determinantes para achar as causas e a real posição do dente não irrompido. Nas radiografias as imagens bidimensionais são planas e limitadas, já nas tomografias, são imagens tridimensionais incríveis que dá ao profissional o controle da situação pré e transoperatória.

TRATAMENTOS

O tratamento dos dentes não irrompidos pode ser cirúrgico para removê-los, quando são terceiros molares. Mas, quando são outros dentes como caninos e incisivos, deve-se preservar o dente, recolocando-o no seu lugar no arco dentário. E como?
Abordando cirurgicamente e tracionando-os ortodonticamente com fios metálicos para o local, como o guincho ou guindaste faz com carros quando caem em abismos ou locais inusitados. São manobras mecânicas e biológicas que requerem treinamento e planejamento para os profissionais. Se errarem, pode comprometer os dentes vizinhos e até perdê-los. É como se pegasse na mão do dente e dissesse: - o caminho é esse, vamos por aqui.
Abrir espaços entre os dentes para os não irrompidos aparecerem na boca, é como preparar uma mulher para o parto normal, enquanto na abordagem ortodôntica e cirúrgica, é como fazer uma cesariana para o dente aparecer e ocupar o seu espaço no arco.
Os dentes não irrompidos devem ser redirecionados para a boca, visando a função e estética bucofacial. Para exercer este papel, os profissionais são treinados e especializados em cirurgia bucomaxilofacial e ortodontia e ortopedia funcional.
Outro aspecto é que, se esses dentes permanecerem parcial ou totalmente não irrompidos, ao longo dos anos podem dar origem a doenças inflamatórias, cistos e tumores. Por isto, sempre que possível, o ideal é removê-los.

REFLEXÃO FINAL: UM LIVRO

Para harmonizar os aspectos biológicos, imaginológicos, cirúrgicos, ortodônticos e ortopédicos, após muitas pesquisas e atendimentos em décadas de acompanhamento de pacientes, eu e Dr. Mauricio Cardoso, nos arvoramos em escrever o livro “Dentes não irrompidos e os Distúrbios da erupção” pela Editora DentalPress. O primeiro lançamento foi esta semana em Campinas, no prestigioso 5º Meeting do Grupo Ortofechado, onde compartilhamos esta experiência. Os que queiram adquirir o livro, contactem os autores pelas redes sociais.

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