OPINIÃO

Transfobia na imprensa

Por Adilson Roberto Gonçalves | O autor é pesquisador na Unesp, Rio Claro-SP
| Tempo de leitura: 2 min

A grita transfóbica contra Érika Hilton na Comissão dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados foi apenas um dos símbolos dos tempos em que vivemos. Quer dizer que somente uma mulher nascida mulher (acho que é assim que os transfóbicos definem) pode representar os direitos de todas as mulheres? E quando o Partido da Mulher Brasileira possuía praticamente apenas homens como dirigentes? E por que não temos mulheres à frente de todos os órgãos de decisão, uma vez que são maioria da população? Se a comparação fosse lógica, nenhuma decisão vinda de entidade, setor, ministério ou qualquer outro órgão que não fosse presidido por uma mulher seria válida.

Na Folha de S. Paulo a porta-voz da grita transfóbica foi Lygia Maria, tradicional representante da extrema direita nas páginas daquele jornal, que afirmou que a deputada seria autoritária. Não, Lygia Maria, Érika Hilton é uma pessoa libertária e representa não apenas as mulheres, mas todos nós. A transfobia explícita de sua coluna deverá ser avaliada juridicamente, uma vez que há leis que regulam a questão. No mais, sua ignorância quanto a questões biológicas, sociais e políticas é gritante. Sabemos que, na verdade, não é erro, é método. Na sequência, como muitos leitores, pela primeira vez, concordei com Joel Pinheiro da Fonseca. Mas confesso que comecei a ler a coluna dele dias depois já esperando um dueto com Lygia Maria. Parece que a formação social do Joel falou mais alto do que sua sina de extrema direita e mostrou a diferença entre os distintos seres mulheres. Recomendei que ele enviasse o texto à colega Lygia Maria, contrastando o ódio dela com o agora sábio Joel.

O Estadão foi mais além e publicou editorial condenando a eleição de Érika Hilton, mesmo tendo sido candidata única. Os próprios parlamentares não foram capazes de lançar um nome à altura para fazer frente a deputada, mostrando que a eleição foi acertada. No mais é acompanhar o trabalho da deputada que avançará em questões dos direitos das mulheres muito mais do que a torcida do contra espera.

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