COLUNISTA

Osteoporose não afeta os maxilares

Por Alberto Consolaro |
| Tempo de leitura: 3 min
Professor Titular da USP e Colunista de Ciências do JC
Na osteopenia e osteoporose, a fragilização das estruturas ósseas de origem sistêmica não afeta os maxilares
Na osteopenia e osteoporose, a fragilização das estruturas ósseas de origem sistêmica não afeta os maxilares

A partir de radiografias periapical e panorâmica, assim como nas tomografias dos maxilares, não se deve dar o diagnóstico de osteoporose ou osteopenia em laudos e prontuários. As duas são situações ósseas como sinais imaginológicos de algumas doenças clínicas importantes.

A osteopenia deixa o osso com trabéculas e corticais mais finas e espaços medulares mais amplos, o que fragiliza toda a estrutura, mas sem, ainda, microfraturas ou fraturas. A presença de fraturas, mesmo subclínicas, em um osso osteopênico, caracteriza, conceitualmente, o diagnóstico de osteoporose.

REMODELAÇÃO

Os ossos são renováveis e a cada período entre 5 e 10 anos, trocamos por completo estas estruturas mineralizadas. O que não ocorre com os dentes permanentes que uma fez formados, não se modificam com a remodelação óssea constante, visto que suas células não têm receptores para os mediadores locais e sistêmicos envolvidos neste processo, ignorando-os!

Antes de discorrer sobre a funções de suporte e movimentos exercidas pelos ossos, a sua função essencial é manter o equilíbrio iônico dos tecidos, a começar pelo sangue. Essencial por ser vital, sem a qual a vida sucumbe.

O principal elemento químico do corpo é o cálcio e os ossos representam uma reserva estratégica, uma almoxarifado, um centro de logística da distribuição de minerais. Já os dentes não são fontes de reserva de íons para o resto do corpo e os usam apenas para dar dureza aos seus tecidos.

Quando diminui o cálcio no sangue, as quatro paratireoides e suas células, captam esta necessidade e liberam milhões de moléculas de paratormônio. Nas células ósseas que atuam em conjunto – osteoclastos, osteoblastos, osteócitos e macrófagos – o paratormônio induz a reabsorção nas superfícies externas e internas dos ossos. Em poucos minutos o nível sanguíneo de cálcio é restabelecido e vai subindo gradativamente.

Logo o cálcio vai ficando elevado no sangue e estimula as células C parafoliculares da única tireoide que temos, a produzir calcitonina, que via sanguínea, estimula as células ósseas a reverter a predominância de fenômenos reabsortivos para a deposição mineral e neoformação óssea, sem contar que aumenta a liberação renal de cálcio. Os estrógenos auxiliam a calcitonina neste processo.

Esta gangorra metabólica diária de sobe e desce do nível sanguíneo, ajuda o osso regular o cálcio e, ao mesmo tempo, dá aos ossos uma grande capacidade de se adaptar às necessidades funcionais diárias de movimentos e funções do sistema musculoesquelético, remodelando-se constantemente.

NOS MAXILARES

O ritmo de remodelação óssea ou turnover ósseo diário, varia de região para região, sendo mais rápido ou lenta de acordo com as exigências funcionais, vascularização e metabolismo da área. Nos maxilares, a remodelação óssea é uma das mais lentas entre os 206 ossos que temos, talvez seja para que fiquemos sempre fortes na parte que tritura os alimentos para nos sustentar, mesmo quando doentes.

Quando o organismo tem alguma doença sistêmica que fragiliza os ossos com osteopenia e osteoporose, antes que manifestações imaginológicas e clínicas possam ser percebidas e detectadas nos maxilares, as manifestações em outras áreas do corpo já deram sinais e sintomas pelos órgãos afetados e o paciente procurou outros especialistas.

REFLEXÃO FINAL

Os sinais e sintomas de doenças ósseas metabólicas nos maxilares não ocorrem, pois seriam muitos tardios e no resto do corpo já teriam comprometidos a sua qualidade de vida ou a própria vida do paciente. Se ocorrer e for detectado sinais nos maxilares da osteoporose e osteopenia, o quadro seria muito grave e avançado, e por isto mesmo que geralmente não ocorre, sucumbiríamos antes!

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