O dia 8 de março passou com um misto de comemoração, indignação e reivindicação. A data, antes nos apresentada como exclusivamente festiva, carrega na origem a luta feminina pela emancipação, pela igualdade de direitos, pelo reconhecimento de seu papel social no mundo. Junto à data, pulularam nas redes sociais manifestações de todos os naipes, indo de singelas ofertas de flores à denúncia de crimes – especialmente o de feminicídio – praticados contra mulheres, exclusivamente pelo fato de serem mulheres.
As mulheres são a maioria da população. Mas basta olhar ao redor e constatar quantas mulheres estão em posição de comando, de chefia e de destaque. Uma primeira informação, fruto dessa evidente ausência, é que elas são invisibilizadas e desvalorizadas.
Infelizmente temos de caminhar um pouco mais nesse olhar e verificar quantas são submetidas a violência sexual, desde assédio moral, constrangimento no espaço público, chegando, em grande número, ao assassinato resultado da ação de um homem covarde com que ela infelizmente se relacionou. Sim, crimes passionais podem ser praticados por todas as partes envolvidas, mas, restringindo-se a casais heteronormativos, quantos casos existem de mulheres que matam seus ex-parceiros depois de um rompimento? Ah, conheço fulano e sicrano.
O caso pode ser de seu conhecimento, respeita-se, mas os milhares de mulheres mortas são de conhecimento de todos. E, segundo os dados mais recentes, são mais de 1500 por ano em nosso país, quatro por dia. Entre o preparo deste texto, sua publicação e leitura, ao menos uma dúzia de mulheres terão perdido a vida!
Gostaríamos que o trocadilho do título se expandisse e resultasse em milhares de mulheres melhores, mas a realidade ainda diz outra coisa.