Muito antes de sensores, temporizadores e controladores organizarem o trânsito de Bauru, a fluidez nas ruas contava com semáforos que dependiam da iniciativa humana e uma manivela. Quem viveu a realidade de equipamentos condicionados à ação do homem foi Luiz Prudente, de 84 anos, policial militar da reserva, que dedicou três décadas ao tráfego bauruense.
"Trabalhei 30 anos no trânsito de Bauru. Naquela época, o setor era pobre, não tinha estrutura. Tudo era manual", relembra. Entre as décadas de 1960 e 1970, a cidade contava com cerca de dez semáforos manuais, instalados em pontos como as avenidas Rodrigues Alves, Araújo Leite, Marcondes Salgado e até na rodovia Marechal Rondon. O cruzamento da Rodrigues Alves com a Rondon - onde hoje existe um viaduto - é o que mais marcou o policial, que atuou ali por mais de 15 anos.
"Era pista simples. A gente segurava o verde para caminhões e ônibus descerem com segurança. Se parassem na ladeira, não subiam mais. Era tudo no braço", conta. Segundo Prudente, o que deve ter sido o primeiro semáforo do município foi instalado na Rodrigues Alves com a Araújo Leite.
"Depois, a cidade começou a se equipar melhor", diz. Naquele período, cerca de 80 policiais atuavam organizando o trânsito no Centro, na Batista de Carvalho e durante eventos. "Era tudo muito mais humano. A gente conhecia todo mundo. Hoje é outra cidade, outro trânsito, outra cultura. Mudou tudo", diz.
Com o passar dos anos, os equipamentos manuais deram lugar aos semáforos automáticos e a estrutura da cidade cresceu. Mas, nos anos 60 e 70, tudo era feito com improviso, disciplina e muito suor. "Nós éramos cerca de 80 policiais que trabalhavam no trânsito. Ficávamos nas esquinas da Batista de Carvalho, que era rua de trânsito intenso, e no centro. Cada um cuidava de um cruzamento", relembra o aposentado.
O trabalho realizado por ele guarda semelhanças com os profissionais do Grupo de Operações de Trânsito (GOT) da Emdurb. No entanto, os atuais agentes atuam em situações específicas, assim como fiscalizam, trabalham com educação de trânsito, segurança viária e apoio operacional.
REIVINDICAÇÃO
A Emdurb recebe cerca de 40 pedidos por mês, dos quais apenas 5% são aprovadas por critérios técnicos. Atualmente, a cidade possui 249 semáforos veiculares e 42 para pedestres (28 automáticos e 14 com botoeiras).
A evolução tecnológica mudou a lógica de operação. Nos anos 1970 surgiram os primeiros departamentos de engenharia de tráfego e a "onda verde", que sincroniza sinais para melhorar o fluxo - conceito adotado até hoje.
Com o tempo, vieram controladores eletrônicos, lâmpadas de LED, sensores e, mais recentemente, sistemas inteligentes capazes de ajustar o tempo conforme o fluxo, priorizar ônibus, reduzir congestionamentos e integrar informações com outros modais.
De acordo com o chefe de Implantação e Manutenção Semafórica da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Marcos Roberto Magro, os dispositivos semafóricos instalados em ruas de mão única, como as ruas Cussy Júnior e a Quinze de Novembro, possuem "onda verde" - sistema de semáforos sincronizados que permite aos motoristas passar por uma sequência de cruzamentos sem parar, mantendo uma velocidade constante e regulamentada.
O objetivo é melhorar a fluidez do trânsito, reduzir o tempo de percurso e diminuir congestionamentos.
Bauru possui três semáforos inteligentes na avenida Affonso José Aiello com rua Regina Célia Palmeira; Nuno de Assis com a marginal da Marechal Rondon e Nossa Senhora de Fátima com as ruas Luiz Bleriot e Charles Lindemberg, onde os detectores veiculares priorizam a via de maior fluxo de veículos.
"Assim que contam certo número de carros na via secundária, ele emite um sinal para o controlador abrir o sinal para essa via", informa Marcos.
CRITÉRIOS
Mesmo com os avanços, a instalação de novos semáforos segue critérios rígidos, destaca Aníbal dos Santos Ramalho, engenheiro de Trânsito da Emdurb. Para cruzamentos veiculares, é necessário tráfego de ao menos 600 veículos por hora na via principal e 200 na via secundária, em média de oito horas. Para pedestres, acima de 250 pessoas por hora e fluxo veicular de 1.000 veículos. Em situações de alto risco, a implantação pode ser antecipada.
"Quando o local tem muito risco de acidente/atropelamento ou a média está próximo desse número, nós podemos implantar o semáforo de pedestre" informa o engenheiro.
Dentro dos próximos dias, a Emdurb irá implantar um conjunto semafórico no cruzamento da avenida Cruzeiro do Sul com a rua José Pereira Guedes, no Parque Júlio Nóbrega, local que registra grande fluxo de veículos.