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1 a cada 5 trabalhadores em Bauru ganha até um salário mínimo

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Ilustrativa
Censo aponta que o rendimento médio mensal dos bauruenses inseridos no mercado de trabalho era de R$ 3.299,00
Censo aponta que o rendimento médio mensal dos bauruenses inseridos no mercado de trabalho era de R$ 3.299,00

Um a cada cinco trabalhadores de Bauru vivia, em 2022, com até um salário mínimo. O dado, que demonstra a desigualdade de renda na cidade, integra o módulo "Trabalho e Rendimento" do Censo Demográfico 2022, divulgado na última quinta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o levantamento, 19,9% da população ocupada com 14 anos de idade ou mais recebia até um salário mínimo - à época, de R$ 1.212,00 -, enquanto apenas 9,1% ganhavam mais de cinco salários. No topo da pirâmide, só 3% superavam dez salários mínimos.

O Censo aponta que o rendimento médio mensal dos bauruenses inseridos no mercado de trabalho era de R$ 3.299,00. O valor fica acima da média nacional, de R$ 2.851,00, mas abaixo da estadual, de R$ 3.460,00.

Ainda assim, a cidade fica no topo do ranking regional, seguida por Piratininga (R$ 3.213,00), Lins (R$ 2.852,00), Lençóis Paulista (R$ 2.851,00) e Santa Cruz do Rio Pardo (R$ 2.743,00). No total, a cidade contava com 192.376 ocupadas, o correspondente a 60,6% da população com 14 anos ou mais - índice superior aos registrados no Estado (57,6%) e no País (53,5%). Apesar da renda média expressiva, os números expõem desigualdades entre gêneros e grupos raciais. Os homens bauruenses tinham rendimento médio de R$ 3.766, superando em 36,9% o das mulheres, que recebiam R$ 2.751,00. O contraste se repete no recorte por cor ou raça, com amarelos (R$ 4.087,00) e brancos (R$ 3.849,00) entre os mais bem remunerados, seguidos com significativa discrepância por pardos (R$ 2.324,00), pretos (R$ 2.256,00) e indígenas (R$ 1.950,00).

O IBGE também destaca que, mesmo com maior escolaridade média, as mulheres seguem ganhando menos. Entre as ocupadas, 32,8% tinham ensino superior completo, contra 24,6% dos homens. Ainda assim, em todos os níveis de instrução, o rendimento delas é menor. A maior diferença aparece entre os que concluíram o ensino superior, com salário de R$ 7.243,00 para eles e R$ 4.547,00 para elas - uma disparidade de 59%.

DESIGUALDADE

A desigualdade de renda também é perceptível quando analisados os grupos por raça. Em Bauru, os trabalhadores brancos lideram em quase todos os níveis de instrução, com exceção dos que não frequentaram a escola ou não concluíram o ensino fundamental, categoria liderada pelos amarelos, com R$ 2.418. A maior discrepância é observada no ensino superior, com brancos recebendo R$ 6.150,00; amarelos, R$ 5.949,00; indígenas, R$ 4.553,00; pardos, R$ 4.390,00; e pretos, R$ 3.726,00.

Entre as categorias de trabalho, as diferenças também chamam atenção. Empregadores com ao menos um funcionário têm os maiores rendimentos médios (R$ 10.827,00), seguidos por militares, incluindo membros das Forças Armadas (R$ 5.609,00); e empregados do setor público (R$ 4.974,00). No outro extremo, estão trabalhadores domésticos (R$ 1.288,00) e empregados do setor privado (R$ 2.563,00). Mesmo representando 46,1% da população ocupada, as mulheres são mais representativas em algumas áreas específicas, como serviços domésticos, saúde humana, serviços sociais e educação. Já os homens predominam em setores como construção, transporte, armazenagem, correio e agronegócio.

O estudo ainda mostra que a diferença na taxa de ocupação entre os sexos permanece significativa. Em 2022, 70,3% dos homens estavam empregados, ante a 53,7% das mulheres. A maior taxa de ocupação por faixa etária foi registrada entre os 40 e 44 anos (82,1%), seguida do grupo de 35 a 39 anos (81,5%).

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