
Foi na serraria do avô, em 1990, que Tiago Amôr, 43 anos, conheceu o empreendedorismo e deu os primeiros passos que o levariam à carreira na área de tecnologia. Impactado pelas possibilidades que os computadores da época traziam, ainda na infância começou a estudar programação e não parou mais.
Há quatro meses, ele tornou-se CEO da Lecom Tecnologia, empresa bauruense onde iniciou como estagiário. Tiago ajudou a construir a trajetória da companhia, que figura como uma das líderes do Brasil em soluções de hiperautomação e gestão de processos empresariais.
O ano de 2024 inclusive, foi de conquistas também para a Lecom, que formalizou sociedade com a também bauruense Ikatec e adquiriu a Yank Solutions e a Roberty Automation. Atualmente, o grupo possui faturamento anual superior a R$ 140 milhões.
Casado com Fabiana, com quem teve as filhas Lorena, 14 anos, e Melina, 10 anos, Tiago nasceu em Dois Córregos, cresceu em Cabrália Paulista e mudou-se para Bauru em 2000 para cursar sistemas de informação na Unesp. Antes de terminar a graduação, já estagiava na Lecom, à época denominada Travelnet.
Enquanto evoluía na empresa, fez pós-graduações em gestão e especialização em negócios e em gestão de projetos e obteve certificações internacionais como profissional de gerenciamento de projetos e de gestão de processos de automação de empresas. Nesta entrevista, Tiago relembra sua trajetória, revela suas ações de fomento ao desenvolvimento do setor de tecnologia, como a criação do Bauru Innovation Day (BID), e como concilia a agitada rotina com a paixão por correr maratonas.
JC - O que despertou o interesse pela área de TI?
Tiago - Meu avô paterno, José Reynaldo, o 'Martelo', tinha uma serraria em Cabrália e, quando conseguiu um contrato com a Faber Castell, chamou os cinco filhos para ajudar. Aos seis anos, comecei a fazer pequenos serviços, nada pesado, mas me sentia envolvido nos negócios, queria aprender, então, meu avô e meu pai, o Dedé, influenciaram muito minha vida. Em 1990, quando a fábrica adquiriu computadores, comecei a ter acesso à tecnologia e fiquei maravilhado. O profissional que implantou o sistema montou uma escolinha de programação na cidade e me matriculei aos 11 anos. Escrevendo códigos, vi que podia criar algo com matemática, que sempre gostei de estudar. Dali, não parei mais.
JC - Quando mudou-se para Bauru?
Tiago - Estudei em Bauru no segundo e terceiro anos do colegial, mas só me mudei para cá quando fui cursar sistemas de informação. Ninguém me conhecia na cidade e sempre gostei de me relacionar com as pessoas, assim como meu avô materno, o João 'Bota'. Foi um momento difícil, mas importante para meu amadurecimento. Além de isolado, eu me senti inútil e resolvi cursar programação em Visual Basic aos sábados no Senac. O professor era o Eugênio, que trabalhava na empresa onde estou hoje. Como sempre fui ativo, em três aulas, já tinha estudado e aprendido o curso todo, o que chamou a atenção dele.
JC - Foi a porta de entrada para a Lecom?
Tiago - O nome, na época, era Travelnet, provedora de internet fundada pelo João Cruz e a Luciane Cruz, que estava abrindo uma unidade de desenvolvimento de sites, pela qual o Eugênio era responsável. Tive o convite para ser assistente comercial, mas, antes, estagiei por um ano em uma empresa menor. Quando comentei com o Eugênio que estava desenvolvendo um sistema de palm top para uma loja, ele disse que a Travelnet estava recebendo investimentos da Logocenter (hoje Totvs, após fusão com a Microsiga) para desenvolver produtos digitais, automação de vendas, e me convidou para ser estagiário. Fui e, seis meses depois, em 2002, nasceu a Lecom, quando fui efetivado como programador de palm.
JC - E foi de estagiário a CEO em pouco mais de 20 anos.
Tiago - Não sabia que chegaria até aqui, mas é importante acreditar, porque motiva a correr atrás. Fui desenvolvedor, coordenador, crescendo até chegar a CEO. E hoje a Lecom é uma das líderes no Brasil em hiperautomação de processos. Temos um terço das transações do Gov.br, do governo federal e clientes como a BMW, Honda, Bayer, Localiza, entre outros. A Lecom se preocupa com o desenvolvimento das pessoas, então, formamos profissionais muito bem-sucedidos, que atuam em grandes empresas no País e fora dele.
JC - Além da Lecom, atua em outras frentes?
Tiago - Por meio do nosso diretor de operações, o Erich, conheci a Associação de Empresas de Serviços de Tecnologia da Informação (Asserti) de Marília e, com a ajuda do Sebrae, conseguimos criar uma Asserti em Bauru. E o BID nasceu da ideia de comemorarmos o primeiro ano da associação. Na primeira edição, em 2018, reunimos quase 300 pessoas para falarmos sobre inovação e, em 2024, já junto com o I-Nova, foram 1.200 pessoas. A Ikatec e a Lecom só estão juntas, inclusive, por conta das conexões proporcionadas pelo BID. Além disso, montei um curso de especialização de gestão de projetos no Senac e dei aulas de 2002 até recentemente, além de ter dado algumas especializações na Unesp, trilhando os passos da minha mãe, Cecília, professora aposentada. E, como obtive uma das minhas certificações junto à Association of Business Process Management Professionals International (ABPMP), que veio para o Brasil, tornei-me diretor regional e, depois, estadual da entidade, quando fizemos um evento com quase 1,5 mil pessoas na Capital.
JC - E ainda encontra tempo para correr maratonas?
Tiago - Comecei a correr a convite de um amigo há 12 anos e nunca mais parei. É um hábito que me traz foco, serenidade, resiliência, disciplina, ajuda na vida profissional e pessoal e é um exemplo para minhas filhas. Já treinei em lugares maravilhosos no Brasil e fora, já corri de um lobo em Atlanta. Iniciei com a meia maratona de Buenos Aires, onde também corri minha primeira maratona. Agora, o sonho é completar as seis maiores do mundo: já fiz a de Berlim, Boston e Chicago e, neste ano, pretendo fazer a de Nova York, quando restarão apenas as de Londres e Tóquio.

