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'A Filha do Palhaço' é melodrama contido que acerta no tom

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Pai e filha: interpretação dos atores foi elogiada
Pai e filha: interpretação dos atores foi elogiada

É comum ouvirmos a expressão "é só um melodrama" para desqualificar ou diminuir um filme que tenha aspectos ou mesmo uma feição melodramática. Como se fosse fácil realizar uma obra dentro desse registro dos sentimentos. Acontece que, num melodrama contido como "A Filha do Palhaço", que estreia agora nos cinemas brasileiros (mas ainda não chegou a Bauru), qualquer escolha errada, seja no tempo dos cortes, na divisão das cenas, na interpretação de todo o elenco ou mesmo no uso da música, pode afundar o filme, abalar suas estruturas, tornando-o menos apreciável, até insuportável no sentimentalismo.

A faixa do melodrama é estreita. Chegar nela requer uma habilidade de contenção que poucos diretores dominam. O risco de passar dessa faixa e cair no dramalhão, no chorume, no piegas, é muito grande, e talvez por isso muitos evitam percorrer a estrada florida e secreta que leva ao melodrama. Felizmente, Pedro Diógenes não teve medo. Na história do reencontro de um pai com a filha, agora uma adolescente, após muitos anos de separação, o diretor cearense acerta o tom e a intensidade das emoções.

Domínio surpreendente para um diretor ainda jovem, que há poucos anos não resistia em quebrar as bases da narrativa tradicional para não encará-la de frente. Aqui ele consegue evitar o sentimentalismo excessivo, abrindo as portas para cenas mais dramáticas quando elas se fazem necessárias, e abraçando a contenção nos momentos em que é preciso pisar no freio das emoções.

Escudado pelo diretor de fotografia Victor de Melo e pelo montador Victor Costa Lopes, Diógenes é muito feliz nos posicionamentos de câmera, nos tempos de corte, nas distâncias trabalhadas nos enquadramentos. Vai bem até na manjada cena do disco, que mostra de onde veio o nome da filha. A trama já começa com um problema a ser resolvido. Joanna, interpretada por Lis Sutter, espera o reencontro com seu pai, Renato, vivido por Démick Lopes, enquanto assiste ao show de humor que ele faz no palco, vivendo uma personagem espalhafatosa e sem papas na língua.

Diógenes já havia mostrado talento em filmes passados, seja os que assinou com o coletivo Alumbramento. "A Filha do Palhaço" coroa mais uma vez a boa geração de jovens cineastas brasileiros.

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