OPINIÃO

Tem algo errado que não está certo!

Por Rafael Moia Filho |
| Tempo de leitura: 3 min
O autor é escritor, acadêmico da ABLetras, blogger, analista político e graduado em Gestão Pública

Em Bauru, no Centro do Estado de São Paulo, temos uma farmácia/drogaria para cada 1.500 habitantes. Num primeiro momento é difícil dizer se esse número é pouco ou se é exagerado. São 254 farmácias e drogarias para 380 mil habitantes.

A doença está em moda? Esse número reflete o envelhecimento da nossa população a cada ano que passa? Ou vender remédio é altamente lucrativo? Numa das avenidas principais da cidade, chega a ter cinco farmácias no mesmo cruzamento. O triste é saber que, apesar de tantas ofertas de medicamentos, faltam opções de atendimento para a população dos bairros mais afastados. Faltam leitos hospitalares e de UTI, algo que persiste por décadas, desde antes da pandemia da Covid-19. Faltam medicamentos de alto custo, mesmo com ordens judiciais para cumprir.

Um cidadão que não possua plano de saúde e precisa utilizar o SUS demora para ser atendido pelo médico na Unidade da Pronto Atendimento (UPA) de seu bairro ou da região onde vive. Entretanto, caso o médico peça um exame de imagem como radiografias, tomografias computadorizadas (TCs), ressonância magnética (RMs) ou ultrassons, o tempo de espera é imenso, levando muitas vezes o paciente a desistir do tratamento. Ou até morrer antes de conseguir realizar o exame.

Assim é o capitalismo selvagem brasileiro em sua mais pura essência nefasta. Os medicamentos, cujos lucros para os laboratórios são obscenos, tem oferta de primeiro mundo, já o atendimento médico hospitalar e a realização dos exames que tem custos altos para o Estado (Governo Estadual e Prefeituras), deixam o cidadão à mingua.

O problema obviamente não é o Sistema Único de Saúde (SUS), que apenas precisa da injeção de investimentos em modernização e uma administração mais eficiente que tenha como foco salvar vidas, prevenção e atendimento com qualidade ao servir a população.

Porém, nem sempre governadores e prefeitos têm uma mínima preocupação com a questão do zelo com a saúde pública nos Estados e cidades por eles administradas. Na cabeça sem oxigênio dos nossos políticos, a saúde não dá votos.

No caso específico de Bauru, cidade que fica no Centro Paulista, de acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde de Bauru, em abril de 2024 a cidade possuía 1.860 leitos hospitalares, divididos da seguinte forma:

SUS: Leitos de Internação: 780

- Leitos de UTI: 130

Privado: Leitos de Internação: 750

- Leitos de UTI: 200

É importante ressaltar que esses números podem variar ligeiramente de acordo com a fonte consultada e a época do ano. A distribuição dos leitos por tipo de especialidade:

Clínica Médica: 520

Cirúrgica: 400

Pediatria: 200

UTI: 330

Maternidade: 100.

Hospitais com maior número de leitos:

Hospital de Base: 450 leitos

Hospital Estadual de Bauru: 380 leitos

Hospital da Unimed: 250 leitos

Santa Casa de Bauru: 200 leitos.

A cada quatro anos temos eleições para prefeitos no país, porém, a situação da saúde não tem melhoria há décadas, ao contrário, sofre com uma piora constante.

Os recursos são destinados pelo governo federal aos Estados e Municípios, porém, nunca nos parecem ser suficientes para atender à crescente demanda. Os recursos viajam como a soja em caminhões onde o desperdício no trajeto causa espanto ao final da viagem.

Assim são os recursos que parecem desaparecer na poeira da estrada.

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