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Automedicação e dengue: ibuprofeno, aspirina e diclofenaco devem ser evitados

Por Bernardo Yoneshigue |
| Tempo de leitura: 3 min
Certos remédios podem provocar efeito colateral
Certos remédios podem provocar efeito colateral

Todos já devem ter percebido que, no fim do comercial de alguns remédios na televisão ou no rádio, é reproduzida uma rápida mensagem que diz: "Este medicamento é contraindicado em caso de suspeita de dengue".

Mas, no momento em que o Brasil vive uma alta significativa da doença, você sabe dizer quais são esses remédios e por que eles devem ser evitados nestes casos? Primeiro, é preciso ressaltar que qualquer automedicação não é recomendada.

Existem duas formas de dengue: a clássica e a hemorrágica. A mais comum provoca sintomas como febre alta repentina, dor de cabeça, prostração, dores musculares e/ou articulares e dor atrás dos olhos. Mas, em cerca de um a cada 20 casos, segundo o Instituto Butantan, ela pode se desenvolver para a forma mais grave.

Nesse caso, dor abdominal intensa, sangramento nas gengivas ou nariz, vômito persistente, às vezes com sangue, e presença de sangue nas fezes são alguns dos sinais de que o quadro evoluiu para a forma hemorrágica. Se você tiver qualquer sintoma, evite os medicamentos que, embora sejam seguros no dia a dia, podem ampliar o risco em caso dengue.

Os que você pode se medicar

No geral, a orientação no caso de suspeita, ou de confirmação de dengue, é que a preferência seja pelos analgésicos dipirona e paracetamol, que não interferem como os outros no risco de sangramento. Eles podem ser importantes porque, como não há tratamento específico para a dengue, as recomendações envolvem repouso, hidratação e o uso de um dos dois medicamentos para aliviar febre ou dores.

“Só tem um alerta em relação ao paracetamol: apesar de ser um excelente medicamento, ele deve ser usado com orientação médica porque doses muito elevadas podem ter um ação colateral no fígado, e a dengue também pode afetar o fígado”, lembra Ana Elisa Gonçalves.

A especialista destaca que, em todos os casos, embora sejam medicamentos que fazem parte do cotidiano de muitas pessoas, o ideal é sempre buscar a orientação de um profissional como um médico ou um farmacêutico e evitar a automedicação.

“Por mais que sejam medicamentos que não precisam de receita, sempre há riscos. Por isso não recomendamos o uso prolongado dos medicamentos ou excessivo. O ideal é que o uso seja feito apenas após a avaliação de um profissional. Se houver suspeita de dengue, por exemplo, ele não vai indicar nenhum desses remédios que aumentam o risco. O paciente deve sempre procurar ajuda e explicar os sintomas”, aconselha ela.

Funcionamento das plaquetas

De acordo com a doutora em Ciências Farmacêuticas pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e divulgadora científica Ana Elisa Gonçalves, os medicamentos contraindicados em caso de dengue são os que pertencem à classe chamada de anti-inflamatórios não esteroides, que incluem analgésicos e antitérmicos comuns encontrados em farmácias sem cobrança de receita médicas. Alguns mais conhecidos são o ibuprofeno; o cetoprofeno; o ácido acetilsalicílico (aspirina e várias outras formulações); o naproxeno; o piroxicam; o diclofenaco; a nimesulida e a indometacina. Além disso, explica a especialista, os corticoides, como prednisona, prednisolona, dexametasona e hidrocortisona, também são contraindicados. "Esses medicamentos têm um efeito colateral que é uma atuação no funcionamento das plaquetas, que são células responsáveis pela coagulação do sangue. Quando temos uma lesão, precisamos da coagulação para não ter um sangramento, uma hemorragia. Só que a dengue é uma doença viral que gera quadros hemorrágicos justamente porque o vírus pode destruir as plaquetas e causar lesões em vasos sanguíneos. Então, quando já há essa ação do vírus, o uso conjunto desses medicamentos vai piorar a atividade das plaquetas e levar a um risco maior de hemorragia", alerta.

Gonçalves afirma que medicamentos anticoagulantes, geralmente indicados para pessoas em maior risco de problemas cardíacos, como heparina, varfarina e rivaroxabana, também podem aumentar riscos em caso de dengue, já que interferem no processo de coagulação. "No entanto, são casos em que os tratamentos não podem ser interrompidos, então é importante que o paciente busque o médico imediatamente no caso de suspeita ou confirmação de dengue. Será preciso um monitoramento mais de perto da quantidade de plaquetas e pode haver um ajuste na medicação", explica.

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