APÓS VISITA

Sinserm acusa temperaturas altas em almoxarifado e informa que irá à Justiça

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Sinserm/Divulgação
Teto com buracos facilitam entrada de água da chuva e animais; no detalhe Termômetro do almoxarifado aferiu, em dezembro passado, temperatura de 35,7 graus
Teto com buracos facilitam entrada de água da chuva e animais; no detalhe Termômetro do almoxarifado aferiu, em dezembro passado, temperatura de 35,7 graus

Representantes do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru (Sinserm) visitaram, nesta segunda-feira (22), o almoxarifado da Secretaria Municipal de Saúde, no Parque Colina Verde, e afirmam terem constatado irregularidades no local. A entidade sustenta que os problemas colocam em risco não apenas a integridade física dos trabalhadores, mas também a qualidade dos materiais armazenados.

Entre as deficiências estaria a ausência de aparelhos de ar-condicionado e de ventilação no local, que resultam na exposição de profissionais e medicamentos a altas temperaturas. Em razão da precariedade, o sindicato irá propor uma ação civil pública na Justiça do Trabalho e estuda a possibilidade de protocolar representação ao Ministério Público, para que o órgão investigue o acondicionamento inadequado de materiais comprados com recursos públicos e eventuais riscos a que usuários de unidades de saúde municipais estão sendo submetidos.

Uma das imagens enviadas pelo Sinserm ao Jornal da Cidade mostra uma planilha com anotações sobre as temperaturas no almoxarifado, nas duas primeiras semanas de dezembro passado, em que as máximas alcançaram 35 graus, com umidade relativa do ar chegando a 84%. Na mesma fotografia, está uma caixa de cloridrato de propafenona 300 mg, remédio usado por pacientes com doenças cardíacas, que deveria, conforme resolução da Anvisa, ser armazenada em temperatura ambiente de 15 a 30 graus, protegida da umidade. Na semana passada, o mesmo local registrava 33,6 graus, conforme marcação de um termômetro digital.

OUTROS APONTAMENTOS

Além do desconforto térmico, os sindicalistas constataram número insuficiente de funcionários para realizar todo o trabalho de manutenção e gestão do almoxarifado. Também encontraram o piso com buracos, iluminação precária - em desconformidade com norma regulamentadora do Ministério do Trabalho - e teto com aberturas, que facilitam a entrada de água da chuva e de animais.

Segundo o advogado do Sinserm, José Francisco Martins, a visita ocorreu após reunião com assessores da Secretaria Municipal de Saúde, na última sexta-feira (19). Na ocasião, o sindicato pediu para que os problemas no almoxarifado, reiteradamente relatados pelos servidores, fossem corrigidos. "A estrutura é completamente inadequada à finalidade a que se destina. A secretaria precisa tomar uma atitude", pontua.

Em nota, a pasta informou que um processo com pedido de reposição e contratação de servidores foi aprovado e enviado à Secretaria de Finanças. Acrescentou que notificou o proprietário do imóvel onde fica o almoxarifado para que faça os reparos no piso e adeque a rede elétrica, a fim de tornar possível a instalação dos aparelhos de ar-condicionado.

"A secretaria enfatiza que adquiriu, em 2023, ventiladores que foram instalados na área do almoxarifado, e a sala de armazenamento de medicamentos que necessitam de refrigeração recebeu ar-condicionado. O processo para aquisição de materiais e melhorias na iluminação no local está em andamento", conclui.

Planilha com anotações sobre as temperaturas no almoxarifado e termômetro marcando 31,2 graus, acima do ideal para acondicionar medicamentos (crédito: Sinserm/Divulgação)
Planilha com anotações sobre as temperaturas no almoxarifado e termômetro marcando 31,2 graus, acima do ideal para acondicionar medicamentos (crédito: Sinserm/Divulgação)
Termômetro do almoxarifado aferiu, em dezembro passado, temperatura de 35,7 graus
Termômetro do almoxarifado aferiu, em dezembro passado, temperatura de 35,7 graus

Comentários

2 Comentários

  • Coaracy Domingues 23/01/2024
    MAIS UMA VEZ, ASSINARAM O ATESTADO DE NEGLIGÊNCIA E INCOMPETÊNCIA, JUNTAS !
  • Freddy A Bertone 23/01/2024
    Acho que não temos vereadores em nossa cidade , não é eles que teriam que fiscalizar?