PREÇO DESPENCA

Com preços em baixa, papelão já se acumula nas vias públicas de Bauru

Por Guilherme Matos | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Guilherme Matos
José Benedito recolhe papelão para vender: ele já cobrou R$ 1,20 no material, cujo preço despencou
José Benedito recolhe papelão para vender: ele já cobrou R$ 1,20 no material, cujo preço despencou

"No último ano abaixou demais [o quilo do papelão]. Eles me pagam em torno de R$ 0,20. Se for no ferro velho, está entre R$ 0,03 e R$ 0,05". José Benedito Neto trabalha com papelão há 22 anos. Em 2021, ele chegou a vender o quilo do papelão por R$1,20, mas atualmente precisa de uma quantidade muito maior para chegar num lucro razoável.

Em função da queda, o interesse de empresas em comprar papelão para reciclar diminui, assim como o interesse de catadores em passar horas percorrendo a cidade e recolhendo material para, no fim do dia, receber uma quantia tão baixa. A situação se traduziu num acúmulo de lixo nas vias públicas do município.

A Emdurb confirma ter havido um aumento no descarte do papelão por parte da população. Segundo a empresa pública, o volume do recolhimento do material pela coleta seletiva aumentou em quatro vezes. Quando o preço está bom é mais raro encontrar grandes quantidades acumuladas ao percorrer a cidade.

O impacto foi sentido também por Rosimar Franco Alves, da Recicla Bem, que tem 15 anos de experiência na área. A empresa, localizada no Parque Jaraguá, identificou uma diminuição do papelão arrecadado por conta da queda no preço. Ele aponta que muitas empresas que trabalham com o material tem até deixado de comprar o material.

A Recicla Bem manteve o recebimento em função da problemática ambiental que envolve mantê-lo na rua, mas o lucro não é o suficiente nem para pagar mão-de-obra. "Uns quatro meses atrás, nós comprávamos por R$ 0,60 e vendíamos por R$ 0,80. Agora precisamos adquirir por R$ 0,15 e vender por R$ 0, 25", descreve.

Em nota encaminhada ao JC, a Emdurb informou que tem recolhido os materiais descartados pela população. "A coleta seletiva é feita uma vez por semana nos bairros da cidade, onde os materiais reciclados (papelão, isopor, vidros, etc) descartados pelos moradores é recolhido. Na área central, por ser um local que gera bastante papelão, a coleta é feita todos os dias. Todo o material coletado é levado para as cooperativas de materiais reciclados", informou a empresa.

Papelão acumulado no Centro de Bauru: cena virou comum (crédito: Guilherme Matos)
Papelão acumulado no Centro de Bauru: cena virou comum (crédito: Guilherme Matos)

Comentários

2 Comentários

  • Delson 29/12/2023
    É preciso QUE EMDURB determine que os lixeiros recolham o papelão. Não estão fazendo ,isso está Deixando a cidade que já é suja ,virando um.lixao .
  • Fabiana Milani 29/12/2023
    O problema está nos bairros onde não tem coleta seletiva, papelão por todo lado, lixeiros não coletam, quando chove então piora muito. Quando não há coleta seletiva, prefeitura ou Emdurb devem dar um jeito nisso, um absurdo as ruas ficarem feito lixão devido à falta de coleta.