O uso excessivo de telefone celular tem sido associado a problemas como dificuldade de sono, dores nas articulações e falta de concentração. Mas uma das questão que preocupa muita gente - a radiação emitida pelos aparelhos - não tem razão de ser, segundo especialistas ouvidos pelo jornal The New York Times.
"Muitas pessoas pensam "radiação é radiação", mas nem tudo é igual. Não há dano ao DNA observado pelo uso do celular nem risco de nada perigoso ou prejudicial", diz Gayle Woloschak, professora de radiologia da Escola de Medicina Feinberg da Northwestern University.
A maioria dos especialistas e autoridades de saúde - como a Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA), os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) - concorda que não há evidências de que a radiação do smartphone cause problemas de saúde.
No entanto, diferentes estudos ganharam manchetes com sugestões da ligação entre radiação a tumores cerebrais. Segundo Howard Fine, muitos dos estudos foram posteriormente desacreditados, inclusive os focados nas redes móveis de quinta geração, ou 5G.
Em uma pesquisa publicada em 2010, por exemplo, foi encontrada uma pequena associação entre um tipo de tumor cerebral e os níveis mais altos de uso de celular. Mas os próprios pesquisadores observaram que "vieses e erros" os impediram de provar causa e efeito.
Todos os especialistas entrevistados afirmaram que os poucos estudos que sugeriram que os smartphones representam riscos de radiação não provaram realmente que os celulares causaram esses problemas de saúde. De acordo com o Pew Research Center, grande parte da população dos Estados Unidos tem celulares e seria quase impossível apontar os aparelhos como a razão pela qual alguém desenvolveu câncer.
Para Fine, fatores de risco não relacionados poderiam ser os culpados, como exposição à poluição do ar, tabagismo ou hábitos não saudáveis. Para o Instituto Nacional do Câncer dos EUA, estudos com falhas confundem as percepções sobre a segurança dos telefones.
Pesquisadores lembram que os telefones da próxima década serão diferentes dos usado hoje. Isso torna desafiador estudar os riscos a longo prazo. Mas Fine afirma que a radiação realmente diminuiu com a tecnologia mais recente, e Woloschak diz que as novas redes não são mais arriscadas do que as mais antigas.
"A radiação do 5G não é maior do que a do 4G, apenas permite uma transferência de dados maior", explica a professora de radiologia.
Ainda assim, a Comissão Federal de Comunicações e outros órgãos internacionais estabelecem limites de radiação para novos telefones. Isso explica por que, em setembro, autoridades francesas disseram à Apple que ela deveria reduzir os níveis de radiação emitidos pelo iPhone 12. A empresa fez uma atualização para corrigir o problema.