Entre as belas composições de Caetano Veloso há uma que se conecta diretamente com o que está acontecendo no mundo hoje. Diz o poeta: "Alguma coisa está fora da ordem, fora da nova ordem mundial..."
Sim, vivenciamos uma nova ordem mundial. Os pêndulos da geopolítica estão mudando, e algumas colheitas obrigatórias estão sendo amargamente feitas com seus frutos maduros. O mundo pós 2ª Segunda Guerra Mundial está desmoronando a cada dia. A hegemonia arrogante, imperialista e predatória dos EUA começa a ruir.
Essa conjectura é muito bem entendida e explanada por Jimmy Carter, que em 2019 disse: "Enquanto os EUA, nos últimos anos, gastaram trilhões de dólares em guerras, a China investiu em projetos como ferrovias de alta velocidade que beneficiam seu povo." E Carter vai além: "Os EUA são a nação que mais guerreou na história do mundo, devido ao desejo de impor valores americanos a outros países, enquanto a China priorizou investir seus recursos em projetos como ferrovias de alta velocidade em vez de gastos de defesa. Quantas milhas de ferrovia de alta velocidade nós temos neste país?"
Finalizando sua análise, completou: "Nós desperdiçamos, eu acho, US$ 3 trilhões", disse Carter, referindo-se aos gastos militares americanos só no Iraque e Afeganistão. "A China não desperdiçou um único centavo com a guerra, e é por isso que eles estão à nossa frente em quase todos os aspectos."
Esta obviedade é tão gritante e irrefutável que os líderes mundiais de hoje, tão medíocres e subservientes, não conseguem enxergar. Refiro-me aos líderes europeus, para não cometer a deselegância de citar os líderes americanos que ainda persistem na sua sina de guerra e desestabilização da paz mundial. Estes valores, esta ideologia, esta falácia americana seguem verdadeiramente com um único e inequívoco propósito: ganância. Nada é mais lucrativo do que a indústria armamentista dos EUA. Sejam democratas ou republicanos, ambos servem os desígnios desta indústria, que tem qualquer governo nas mãos e seus insaciáveis projetos de guerra e pilhagem.
Na contramão desta indústria subsidiada com o dinheiro dos impostos dos americanos e - vítimas dessa indústria - do mesmo modo com o dinheiro de seus "aliados" e inimigos não há saúde nem educação nos EUA. O sonho e os valores americanos são um rastro de hipocrisia e destruição.
Com o crescimento econômico da China aliada à nova rota da seda e sua crescente influência planetária, o Tio Sam vê sua hegemonia em risco; afinal, o mundo multipolar em nada, absolutamente nada, interessa à indústria armamentista dos EUA e seu lacaio de plantão na Casa Branca.
A diferença gritante e insofismável desta mudança paradigmática é que, ao contrário da imposição de "valores" e do modus operandi de saque e rapinagem, a China visa ao comércio, ao business, onde o cerne não é a indústria de armas, nem a colonização de seus parceiros.
Evidentemente, os senhores da guerra reagem como previsivelmente se pode imaginar, ou seja, mais guerras, mais conflitos, mais mortes, mais armas, mais lucros. Este convite irresponsável, de bailar à beira do precipício, coloca a humanidade em risco, pois China e Rússia que ditam a nova multipolaridade do mundo e os EUA são potências nucleares.
As provocações, ações e intimidações americanas não amedrontam nem acovardam os novos protagonistas da geopolítica mundial.
Portanto: "Alguma coisa está fora da ordem, fora da nova ordem mundial..." e não voltará, pois a ordem mundial mudou.
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