Alta performance na segurança pública
O esporte e a Polícia Militar sempre estiveram presentes na vida do tenente-coronel Fábio Domingues Pereira, comandante do 13.º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), tropa de elite da PM em Bauru. Filho de tenente, cresceu dentro de quartéis e, por conta de uma bronquite, começou a praticar atividades físicas.
Na adolescência, com seu 1,96 metro de altura, foi jogar basquete profissionalmente no Paraná, mas o sonho de seguir carreira na PM falou mais alto. O esporte, porém, tornou-se um aliado na trajetória profissional.
Com 30 anos de serviço, Fábio fez mestrado e doutorado para aprofundar-se nos estudos do uso da força policial e tornou-se faixa preta de jiu-jitsu, sendo instrutor desta modalidade e de krav magá. Associando teoria e prática, aperfeiçoou o treinamento dentro da corporação, com foco em reduzir a letalidade e a vitimização policial.
"Busquei conduzir minha carreira a partir da motivação e superação que existem no esporte. Sou entusiasta de alta performance em ações de segurança pública", diz. Hoje com 48 anos, Fábio comanda mais de 200 policiais com alto grau de qualificação, que atendem ocorrências envolvendo crimes ultraviolentos. Eles integram o Baep, que receberá o Prêmio Atenção neste ano.
Nascido em Itaporanga e casado com Grazziela Janegitz, ele relembra, nesta entrevista, sua trajetória, que pode ser acompanhada no Instagram @fabiodomingues_300, onde também faz análises de situações de uso da força.
JC - O que o motivou a ingressar na carreira militar?
Fábio - Meu pai, Dirceu, é tenente aposentado. Eu cresci em ambiente de quartel. E, por conta da profissão dele, vim morar na região. Eu nasci em Itaporanga, mas morei em Itararé até os 10 anos, onde ele era comandante de destacamento da polícia. Primeiro, fomos para Marília, ficamos um período em Agudos, e voltamos para Marília, onde morei até os 15 anos. Cresci em um bairro simples e havia um pessoal que não era do bem. Não me misturei e fui praticar esportes.
JC - Que esporte você praticou?
Fábio - Eu cresci fazendo atividade física no Sesi de Marília e joguei basquete no time da Unimar. No ano seguinte, fui convidado a jogar no Paraná, onde fiquei por dois anos atuando profissionalmente, em Arapongas e Maringá. Fui campeão juvenil no Campeonato Paranaense e joguei pela seleção infanto-juvenil do estado. Meu pai sempre me incentivou a praticar esportes quando criança porque eu tinha bronquite e isso, aliás, foi o motivo de virmos para a região de Bauru, que é mais quente que Itararé.
JC - E quando ocorreu a mudança para a carreira militar?
Fábio - Eu sonhava ser oficial da polícia e voltei para Marília. Prestei uma prova do CFO (Curso de Formação de Oficiais Policiais Militares) e vi que precisava estudar mais. Então, me dediquei um ano só para fazer cursinho e passei na Academia de Polícia Militar do Barro Branco. Entrei em 1993 e me formei em 1996. Nesse período, fui atleta de basquete e ganhamos duas vezes o campeonato brasileiro entre alunos de cursos de formação de oficiais.
JC - Como foi sua trajetória profissional até chegar em Bauru?
Fábio - Fui trabalhar no Centro de São Paulo em 1997 e, como segundo-tenente, fui para Ourinhos, onde fiquei por um ano e meio, época em que comecei a fazer alguns cursos e especializações. Como tenente, me mudei para Marília, onde trabalhei na Força Tática, policiamento com motos e comunitário. Fiz cursos de operações táticas especiais, de choque, de controle de distúrbios civis, de ações táticas especiais, sempre buscando adquirir mais conhecimento. Como capitão, fui para Paraguaçu Paulista, cheguei a ficar nove meses em Garça e voltei. Em Paraguaçu, conheci e casei com minha esposa e ficamos quatro anos em Jaú, onde fui promovido a major.
JC - Foi nesse momento em que veio morar em Bauru?
Fábio - Sim. Em 2019, trabalhei no 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior e fiquei um ano no Comando de Policiamento do Interior 4, trabalhando com planejamento e treinamento. Já tinha feito mestrado em defesa pessoal e uso da força, em Jaú, e fui fazer doutorado de polícia na mesma área. Em toda minha carreira, busquei identificar o que era mais importante em treinamento para reduzir a letalidade e a vitimização policial. No doutorado, estudei toda a atualização dos modelos de uso da força no mundo após a morte do George Floyd, influenciada pela repercussão política que houve. Depois de ser promovido a tenente-coronel, fui convidado a assumir o comando do 13.º Baep, em agosto de 2022. E, apesar de ser bastante maduro na minha função, continuo fazendo cursos, porque acredito que o ser humano precisa buscar conhecimento sempre.
JC - Alguma ocorrência te marcou mais?
Fábio - Uma delas foi em Marília, em 2007, quando um homem armado fez sete reféns e negociei a rendição. Precisei usar a força, mas todos saíram ilesos. Arrisquei minha vida e isso me fez buscar mais conhecimento para ajudar a aprimorar as técnicas de uso da força para evitar que outros policiais corressem risco desnecessário. Então, fora da instituição, fui estudar e praticar técnicas de imobilização, jiu-jitsu, krav magá, kombato, entre outros sistemas de defesa pessoal. Sou um estudioso do ambiente de lutas para filtrar e compartilhar o que interessa, como educador de outros treinadores de segurança pública. E, com isso, acabei sendo três vezes campeão mundial de jiu-jitsu.
JC - Qual é o próximo objetivo dentro do Baep sob seu comando?
Fábio - A unidade mais antiga do Baep tem dez anos e a nossa, só três. Nos preocupamos com o planejamento do futuro dos Baeps. As missões de patrulhamento tático, de canil, cavalaria já estão enraizadas e, agora, buscamos o fortalecimento das ações de resgate de reféns. O Baep é uma tropa de elite que atua nas ocorrências mais críticas, com risco de vida 24 horas por dia, atuando, inclusive, como escudo para outros policiais cumprirem sua missão. Então, este aprimoramento das ações é fundamental.
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Tati 15/10/2023Excelente! As artes marciais auxiliam no controle da mente, as vezes, nossa maior inimiga.