O servidor Fábio Colasso Schwarz, diretor de departamento da Secretaria de Educação de Bauru, será o primeiro a depor à Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apura as circunstâncias da compra do material pedagógico Palavra Cantada, fornecido pela editora Movimenta.
A definição da oitiva foi decidida em reunião dos integrantes da CEI na manhã de ontem (26), que também deliberou pela convocação de Davison de Lima Gimenes, ex-integrante do setor de compras da Educação.
Davison foi citado na terça-feira (25) pela ex-secretária de Educação Maria do Carmo Kobayashi durante depoimento à Comissão de Fiscalização e Controle, presidida pela vereadora Estela Almagro (PT).
A ex-secretária elogiou o papel de Davison na pasta e disse que ele "segurou a barra contra muitos editais [que tentavam lhe impor]".
Fábio, por sua vez, terá de explicar por que o primeiro contato entre a editora Movimenta e a Prefeitura de Bauru se deu através de mensagens em seu WhatsApp pessoal.
Schwarz apresentou duas versões distintas sobre o caso. Numa primeira reunião, em abril, ele afirmou que Douglas von Gal, representante comercial da Movimenta, havia o acionado pelo aplicativo de mensagens.
Depois, em maio, disse não se lembrar da maneira como houve o primeiro contato. E descartou a possibilidade de se confirmar ou não sua versão. "Reforço que apago todas as mensagens do meu telefone particular", disse o servidor.
Questionado sobre como o representante havia conseguido seu número de telefone pessoal, Fábio tergiversou e disse que na época em que conversou com Douglas a Secretaria de Educação estava em processo de mudança de prédio e que, como não havia telefone, muitos fornecedores o acionavam no número particular.
A vereadora Chiara Ranieri (União Brasil), no entanto, sinalizou que a CEI poderá solicitar a quebra do sigilo telemático do servidor caso a história permaneça sem esclarecimentos. "Vamos utilizar todos os recursos para conduzir a comissão com a maior seriedade possível", disse.
Depois das oitivas de Fábio e Davison, a expectativa é que a CEI ouça a ex-secretária Maria do Carmo Kobayashi e seu ex-assessor da pasta Clóvis Cavenaghi, que depuseram à Comissão de Fiscalização e Controle na terça-feira e apontaram ingerência do gabinete da prefeita na Educação.
Por último, ao menos neste primeiro momento, a comissão quer ouvir o advogado Daniel Fernandes de Freitas, o assessor de Suéllen Rosim e pivô da situação desencadeada após o depoimento de Kobayashi.
A ex-secretária mencionou o nome de Daniel quando questionada sobre qual assessor da prefeita interferia nos trabalhos da pasta. E Clóvis, seu assessor na época, foi além: afirmou que a ingerência do advogado na Secretaria de Educação chegava a ser abusiva.
Presidente da Comissão Especial de Inquérito, o vereador Markinho Souza (PSDB) evita comentar o assunto.
"Prefiro não antecipar juízo de valor sobre o caso porque isso pode comprometer a comissão e consequentemente seu relatório final. Mas saliento que as afirmações [de Kobayashi], se comprovadas, são graves", destacou.
Ainda na reunião desta quarta, a vereadora Chiara Ranieri pediu que a CEI convoque o vereador Pastor Bira (Podemos) para que o parlamentar preste depoimento sobre uma declaração que proferiu há pouco mais de dois meses.
Pastor Bira disse ter ouvido de um prefeito da região que a compra do Palavra Cantada em Bauru envolveu uma negociação de 30% do valor do contrato em propina. Mas não mencionou quem seria sua fonte.
Professoras e diretoras de escolas municipais também deverão ser ouvidas futuramente. Numa audiência na Câmara em maio, elas se mostraram surpresas ao descobrir que duas reuniões das quais participaram no ano passado, ocasiões em que tiveram o primeiro contato com o Palavra Cantada, foram fundamentais para avalizar a aquisição de R$ 5,2 milhões do projeto.
Elas imaginavam que assinaram naquela ocasião a lista de presença de uma reunião comum. Mas só descobriram neste ano que as rubricas constavam do processo de compra dos kits pedagógicos.
Em conversas reservadas, elas temem responsabilização caso a investigação evolua para a seara judicial e dizem que o sentimento é de que foram usadas. Professoras e diretoras foram unânimes ao dizer naquela ocasião que, quando da avaliação pedagógica, não foram informadas em nenhum momento sobre a compra dos materiais ou o preço da aquisição.
O promotor Fernando Masseli Helene, do Ministério Público de Bauru, disse ao JC nesta quarta-feira (26) que acompanha as investigações da Câmara sobre o caso Palavra Cantada e que aguarda a conclusão dos trabalhos para tomar eventuais providências. "Estamos esperando o desfecho da Comissão Especial de Inquérito. Claro que sabemos do que está ocorrendo. Precisamos respeitar os trabalhos do Poder Legislativo antes de abrir investigações pelo Ministério Público, até para não tumultuar o andamento do processo na Câmara", disse.
Comentários
2 Comentários
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COARACY Domingues 27/07/2023MAIS uma vez, ASSINARAM O ATESTADO DE NEGLIGÊNCIA E INCOMPETÊNCIA, JUNTAS ! A Secretária foi OMISSA e CONIVENTE, e, na minha opinião, só denunciou após a possibilidade de ação do MPE. -
Dorival Vieira 27/07/2023Em busca da Palavra Ética. Que a CEI tenha no Ministério Público suporte e a possibilidade do Mesmo de de se Alinhar nas Investigações. E chamar a Prefeita para expor suas palavras. Diante das Palavras Cantadas.