A qualidade da saúde oferecida pelo poder público (municipal, estadual e federal) em Bauru é considerada ruim ou péssima por aproximadamente quatro a cada dez moradores da cidade. É o que mostra a pesquisa realizada pela Ágili Pesquisas e Marketing, encomendada pelo Jornal da Cidade e JCNET.
Segundo o levantamento, que ouviu 450 pessoas por telefone entre os dias 5 a 8 de julho, 38,2% dos moradores ouvidos desaprovam o serviço prestado no município, sendo que 10,7% o classificam como ruim e 27,5%, como péssimo. O percentual corresponde a mais que o dobro do contingente que avalia positivamente a assistência de saúde local: 16,2%. Deste total, 2,2% a consideram ótima e 14%, boa. Outros 42% classificam o atendimento como regular.
E, não por acaso, é justamente a saúde a área compreendida como prioritária para o recebimento de investimentos públicos para 45% dos entrevistados. Depois deste setor, aparecem a educação, com 9,5% da preferência; segurança, com 8,5%; emprego, com 7%; e saneamento básico, com 5,2%.
A pesquisa JC/JCNET/Ágili entrevistou pessoas maiores de 16 anos, das zonas urbana e rural de Bauru, por meio de amostragem. A margem de erro é de 4,6% para mais ou para menos.
Após os primeiros 100 dias do governo Suéllen Rosim (PSD), em abril de 2021, a Ágili Pesquisas e Marketing havia mostrado que a saúde era o problema da cidade que 41,07% dos moradores mais queriam ver resolvido. Na ocasião, em um contexto de pandemia de Covid-19, foram apontados aspectos como a falta de leitos, de médicos e medicamentos e necessidade de melhorias em postos de saúde.
FILA DE ESPERA
São problemas que, até hoje, não foram sanados. Para se ter ideia, na noite desta quinta-feira (13), 41 pacientes aguardavam em unidades de saúde do município por internação em hospitais do Estado. Destes, 12 estavam na fila há mais de 48 horas.
Em junho passado, o Jornal da Cidade também mostrou que mais de 70 mil moradores da cidade estavam à espera por agendamento de exames e consultas. Devido à alta demanda e oferta insuficiente dos serviços nas redes municipal e estadual, a demora para conseguir uma vaga poderia chegar a 40 anos, conforme mostraram dados do Cadastro de Demanda por Recursos de Saúde (CDR) de usuários do SUS na cidade.
Ao todo, eram 70.822 pessoas aguardando na fila, porém, por ano, estado e município só realizam 43.452 atendimentos. Para se ter ideia, somente exames de ultrassom de mamas, pélvico e transvaginal respondiam por uma fila de 14.297 pacientes.
DÉFICIT
Conforme fontes ouvidas pelo JC, a demanda represada de internações, exames, consultas e cirurgias dificulta sobremaneira a continuidade do tratamento dos pacientes atendidos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Isso sem contar que, em razão do adensamento populacional em áreas antes desocupadas, Bauru acumula um déficit estimado de ao menos oito postos de saúde.
Atualmente, conta com 24 unidades (incluindo as de Saúde da Família), sendo que o ideal, para o tamanho da população dependente do serviço público, seriam 32, com base em parâmetros estabelecidos pelo Ministério da Saúde. "Enquanto isso, o prédio onde funcionou o Pronto-Atendimento Infantil e o Posto Avançado Covid continua parado, sem uso. Fora que ninguém sabe quando a unidade do Vargem Limpa vai começar a ser construída e ficar pronta. Além dela, são necessárias também unidades no Manchester e no Ouro Verde", descreve.
Fiscalização do Tribunal de Contas apontou problemas
Em março passado, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) realizou fiscalização surpresa e identificou problemas estruturais e de gestão em duas Unidades de Saúde da Família (USFs) de Bauru, escolhidas por amostra. Entre as falhas, estavam falta de acessibilidade nos banheiros, sinais de infiltração de umidade, oscilações na rede elétrica e falta ar-condicionado.
Vale lembrar que, em maio, conforme o JC publicou, a Secretaria Municipal de Saúde estava começando a instalar 360 computadores que estavam no almoxarifado da prefeitura desde meados de dezembro de 2022. Segundo denúncia do Conselho Municipal de Saúde, outros 106 equipamentos de ar-condicionado estavam armazenados no depósito, aguardando instalação, que ainda depende da adaptação da rede de energia das unidades.
Poucos dias antes da vistoria realizada pelo TCE, o JC também mostrou que a epidemia de dengue deste ano escancarou as deficiências das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Bauru, devido à alta demanda de pacientes. Insuficiência de profissionais, demora para atendimento, falta de medicamentos comuns e até de insumos básicos, como esparadrapo, foram denunciados pelos usuários. Evidentemente, a superlotação tornou a situação mais dramática, mas, conforme profissionais da área ouvidos pelo JC, os problemas não são novidade para quem presta e quem recebe os atendimentos.
Outro ponto preocupante em relação à saúde de Bauru foi evidenciado pela pesquisa "Comparação do nível de desenvolvimento dos municípios paulistas de maior porte", publicada em abril pelo Núcleo de Estudos das Cidades. O grupo é constituído por professores do câmpus de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatec) de Jaú.
Segundo o estudo, que abarca os 41 municípios paulistas com população acima de 200 mil habitantes, a saúde de Bauru ficou na 22.ª colocação, posição conceituada como regular, com atenção para a taxa de mortalidade infantil, de 10,95 mortes para cada 1 mil nascidos vivos, patamar considerado ruim.
Nesta mesma área, a longevidade média de 72 anos e a taxa de mortes por Covid-19 foram resultados tidos como regulares.
Comentários
2 Comentários
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José Marcelo Ravanhan 15/07/2023Não,me surpreende pelo contrário me assusta que apenas 38,2% da população aceite que uma cidade do porte de BAURU tenha uma saúde pública de cidade com APENAS 230mil habitantes,fora as cidades ADJACENTES. Temos regiões onde a saúde é quase ZERO, infraestrutura de UBS vergonhosas onde a população destas regiões convivem sem o sistema de urgência e emergência com o SAMU instalado a quase 20km de um ponto a outro na cidade quando o ideal era sua base ser no centro da cidade. Prédios e locais mais bem localizados não faltam ao poder municipal o que falta é estratégia e gestão . Só não é um caos maior por causa dos profissionais que atuam dioturnamente nas 3 UPAS e no PSM CENTRAL,FORA ISSO SO JESUS NA CAUSA MESMO!!!!! -
Dorival Vieira 15/07/2023A realidade objetiva é que devemos ampliar o que se define como Saúde. Não vamos corrigir o que o poder econômica tem como Definição de saúde. A Saúde e um bem comum. Assim deveria ser tratada. No entanto é negligência. Como exemplo a construção de Bairros afastados. Criação de um profissional de Saúde. Prefeito de Bauru. Que reafirmou o afastamento do Ser humano. De forma específica os profissionais da Saúde de Bauru. São Éticos e filosoficamente sabem e conhece