Poeira, lama, buracos, entulho, lixo e esgoto escorrendo pelas ruas. Estas são características comuns na maioria das ruas do Parque Manchester, na zona oeste de Bauru. Há anos, os moradores ouvem a promessa da chegada do saneamento básico. No entanto, as obras seguem inconclusas e as casas ainda não têm ligação com a rede de esgoto, que já está pronta. Quem mora ali é obrigado a ter fossas no quintal, que precisam ser periodicamente limpas. Os próprios munícipes costumam contratar o serviço na iniciativa privada, muito embora o Departamento de Água e Esgoto (DAE) ofereça esse atendimento, a um custo mais baixo, e alega que não tem demanda represada.
No entanto, segundo os residentes do Manchester, a autarquia não tem suprido as necessidades do bairro. O serviço - que não é barato - precisa ser contratado "por fora" para que os dejetos não transbordem pelo encanamento e contaminem o interior das residências. Ele custa, em média, de R$ 200,00 a R$ 480,00, segundo os moradores.
Em nota enviada ao JC, o DAE informou que o serviço "segue normalizado e compatível com a capacidade atual de atendimento do departamento". "Os consumidores podem comparecer ao atendimento do DAE no Poupa Tempo, requerer a limpeza de fossa, efetuar o pagamento e agendar a visita pelo telefone (14) 3106-1114, com disponibilidade imediata", informa a nota.
LIGAÇÃO AO ESGOTO
O último contrato para regularizar o saneamento básico do bairro ocorreu em maio de 2021, quando a empresa Sul Vale Construtora de Obras venceu a licitação para realizar as obras no Manchester, na Quinta da Bela Olinda, no Jardim Santos Dumont e no Jardim Ivone.
O então presidente do DAE, engenheiro Marcos Saraiva, estimou que a execução das obras levaria oito meses. O orçamento total é de mais de R$ 7,3 milhões, dos quais mais de R$ 3 milhões seriam empenhados no Jardim Manchester. As informações são do próprio Saraiva e foram ditas em audiência pública no dia 6 de maio de 2021. No entanto, até o momento, a obra não foi concluída.
Ao JC, diversos moradores do bairro afirmaram que não veem avanços na instalação da rede de esgoto há meses. Paulo Sérgio Albertino Tobias, que reside e trabalha no bairro, narrou uma série de problemas relacionados à condição das ruas e da demora na entrega do esgoto.
Ele calcula que há pelo menos 13 anos escuta promessas do poder público de melhorias no saneamento e no asfalto. No caso dele, a residência também necessita da ligação com o sistema de esgoto da rua e, constantemente, precisa solicitar o serviço de limpeza para a fossa. Avisado de que o DAE afirma estar suprindo as demandas, ele reagiu. "Deve ser 'converseiro'. Se estiver, eu não estou sabendo".
O DAE nega que as obras de ligação estejam paralisadas. "A Divisão de Planejamento informa que as obras das redes coletoras de esgoto do Jardim Manchester continuam sendo realizadas em conformidade com o contrato e nunca foram paralisadas ou suspensas durante a execução. Se houve momentos de baixa atividade, foi por questões técnicas rotineiras ou procedimentais da própria construtora", informou o DAE.
No entanto, a autarquia afirmou que aguarda a conclusão das obras, mais especificamente da ligação do sistema de esgoto da rua aos imóveis do bairro para o final de julho deste ano.
Os residentes do Manchester reclamam ainda de problemas nas obras que pioraram a condição das ruas. Segundo moradores ouvidos pelo JC, as falhas na construção permitem constantes furtos de tampas de bueiros e outros problemas.
No Ranking do Saneamento 2023, realizado pelo Instituto Trata Brasil, que analisa os 100 maiores municípios do País, Bauru aparece na 76ª colocação, três posições abaixo do seu resultado em 2022.