OPINIÃO

Pai & filho: sobre a Revolução Industrial

Por Cesar Augusto Teixeira de Carvalho |
| Tempo de leitura: 4 min
Prof. Dr. aposentado do Dep. de Engenharia Civil - Faculdade de Engenharia da Unesp Bauru

Filho: Hoje, pai, o professor comentou sobre a Revolução Industrial que se iniciou na Inglaterra no século 18, destacando os abusos dos donos das fábricas, como a exploração salarial dos empregados e do trabalho infantil, com as crianças trabalhando em ambiente impróprio, adoecendo com frequência pois respiravam muito pó de carvão.

Pai: Alguma coisa que disse pode até ser verdade, filho! Inclusive Engels, parceiro de Marx, publicou na época "A situação da classe trabalhadora na Inglaterra", livro que tocava neste assunto e que repercutiu muito. Mas, parece que a esquerda tem dificuldade de interpretação ou necessidade incrível de usar um fato distorcido a seu favor, ignorando outros. Que eu saiba, naquela época, os pais até achavam bom que os filhos trabalhassem, pois evitava a vadiagem e também ajudaria no sustento da família. A meu ver, a Revolução Industrial (RI) foi ótima pois os empregos aumentaram bastante melhorando a qualidade de vida das pessoas, e as crianças pararam de morrer como antes.

Filho: Isto meu professor não falou, pai! Mas como justifica o que disse?

Pai: Antes da Revolução Industrial (RI) tudo era caro e havia poucos empregos, com as crianças adoecendo e morrendo com facilidade de frio e desnutrição. A mudança tecnológica que caracteriza a RI começou aos poucos, ganhando destaque com os Teares Mecânicos, donde proliferaram as indústrias de produção de roupas, requerendo altos investimentos iniciais dando origem ao termo "capitalismo".

Mas, a parte boa deste processo foi que tornaram as roupas bem mais baratas, além de criar milhares de empregos. Muitos repudiam o fato de mulheres e até crianças terem ido trabalhar nas fábricas, mas ignoram que se tratava de um ato voluntário, pois a alternativa era ainda pior: desemprego e fome. Outro fator que contribuiu para o trabalho infantil, foi a desproporção existente entre as ofertas de empregos e de adultos disponíveis para preenchê-los, donde resultou no aproveitamento das crianças. Estes fatos associados com os empregos nas fábricas, deram mais recursos e qualidade de vida às famílias mais pobres, e as crianças passaram a se alimentar e se vestir melhor, o que diminuiu as doenças e as mortes. Para se ter uma ideia, a expectativa de vida na Inglaterra antes da Revolução Industrial era de 36 anos, depois começou a crescer devido ao aumento da qualidade de vida, chegando hoje a 80 anos.

Filho: Legal pai, o professor nunca falou nada disso.

Pai: É lógico, filho, que pode ter ocorrido abusos de alguma ordem, mas precisamos distinguir o que é falha do sistema, com aquelas devido ao caráter de algumas pessoas, uma vez que estas já ocorreram até no Socialismo e na Igreja Católica. Para se inibir estas falhas humanas, pode-se simplesmente melhorar as leis a respeito. É bom também pensarmos que a Revolução Industrial foi um momento marcante na evolução do mundo, onde pessoas diferenciadas em conhecimento, se associaram com investidores e criaram máquinas pra fazer toda esta revolução. Além dos Teares Mecânicos, foi nesta época que apareceram também os trens, depois os carros, os refrigeradores, os aviões, ... dando um salto tecnológico fantástico ao mundo.

Filho: Mas muita gente também enriqueceu com isto, não é pai?

Pai: É verdade, filho, mas não foi à custa dos pobres como alguns querem induzir. Neste processo, que ficou conhecido como "capitalismo", alguns enriqueceram, mas o resto do mundo também se beneficiou das criações e dos empregos gerados, principalmente os pobres. Um fato pouco entendido é que este enriquecimento não foi à custa de prejuízo dos outros como alguns dizem, mas sim devido a uma atividade criada a mais, gerando uma riqueza adicional à sociedade. Se estas pessoas não tivessem o mérito de fazer isto, estes avanços também não teriam acontecidos e tudo seria como antes, desperdiçando uma riqueza latente. Nesta hipótese, o dono da fábrica não ganharia nada, e os empregados também não; as roupas continuariam mais caras, e as crianças voltariam a adoecer e morrer com facilidade. Depois também não viriam os trens, carros, aviões, computadores, smartphones, ... e estaríamos ainda andando a "cavalo" e nos comunicando por sinais de "fumaça". Assim, acho até que não estaríamos lamentando o grande fracasso da raça humana, pois estaríamos ainda subindo em árvores como os macacos, e não haveria nada conhecido pra comparar. Na verdade, devemos agradecer aos macacos que desceram da árvore e começaram a pensar além do habitual.

 

 

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