Lembro que quando iniciei no jornal impresso, um assunto qualquer, por mais banal que pudesse parecer, merecia 120 linhas, mais um box e uma caixa com gráfico ou resumo em tópicos para abastecer o leitor de informações.
Nós, repórteres, aprendíamos a escrever narrando fatos como aconteceram, sem poder emitir nossa opinião sobre os fatos, afinal, estávamos apenas como informantes dos fatos e acontecimentos.
Para comentar as repercussões, causas e efeitos daquilo que narrávamos através de um texto cabia apenas e tão somente aos articulistas ou ao diretor de jornalismo em espaço próprio. Muitas vezes, nem mesmo o editor poderia fazê-lo. O editorial trazia em seu bojo o assunto pertinente e que chamava a atenção dos leitores ávidos por informações e que desejavam se inteirar e saber como o veículo se posicionava diante de tais fatos ou ocorridos.
Muitas vezes, estas opiniões editoriais tinham grande peso e significado, principalmente na vida política. Eram lidos e relidos, comentados em rodas de boteco, no serviço e até mesmo por vizinhas que liam os jornais e sabiam com detalhes o que acontecia.
Hoje estamos vivendo informações vazias, sem dados ou detalhes. Tem alguns veículos que não falam o quê, onde, como, quando e nem os por quês.
Lançam em suas plataformas alguns poucos detalhes, muitas vezes quem postou a informação sequer sabe do que se trata. Posta a foto ou vídeo e escrever (grafando errado) detalhes em "stantes". Então você busca o impresso. Nada!
Muitas vezes aquilo que poderia ser uma boa pauta se esvazia e os jornais locais que antes se aprofundavam em detalhes, relatos, pequenas entrevistas, o famoso "povo fala" se perdeu. Não temos espaço e os leitores não querem perder tempo.
Porém, mais do que nos informarmos, é preciso compreendermos. Vamos ler mais, buscar mais conhecimentos, mais detalhes do que necessitamos. Afinal, precisamos, mais do que nunca, dos veículos de comunicação que são, presume-se, as fontes confiáveis. Nestas devemos dar valor e valorizar.
Vamos ler mais, entender mais, escrever mais.