Pesquisa de Orçamentos Familiares mostra que 85,4% dos brasileiros adoçam alimentos e bebidas com açúcar. Mas, para driblar as doenças que o consumo em excesso traz, a substituição por adoçantes tem sido cada vez frequente. Os maiores consumidores são as mulheres, sobretudo do Sudeste e Nordeste. Do natural ao artificial, as opções adoçam com pouquíssimas calorias.
Especialistas no assunto detalham as diferenças entre eles, da origem à melhor função de cada um na cozinha, e o impacto na saúde.
"Os adoçantes têm origens completamente diferentes. Eles podem vir da cana-de-açúcar e de aminoácidos, enquanto outros são produzidos quimicamente", explica Daniel Magnoni, nutrólogo do Hospital do Coração, em São Paulo.
ALTERNATIVA
Para quem busca perder peso, produtos adoçados com adoçantes podem ser uma alternativa, desde que associados a uma dieta hipocalórica e à atividade física.
"Em uma recente revisão sistemática, o uso de bebidas açucaradas com adoçantes como substituto para bebidas adoçadas com açúcar resultou em uma pequena melhora em fatores de risco cardiometabólicos (risco de diabetes e doenças cardíacas)", afirma a vice-presidente do Departamento de Diabetes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Melanie Rodacki.
Mas os benefícios não anulam os riscos. O ciclamato, por exemplo, um dos principais adoçantes de alguns refrigerantes, teve sua comercialização proibida pela Federal Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos na década de 80, pelo risco de câncer de bexiga em ratos. No Brasil, em contrapartida, o ciclamato é um dos 17 edulcorantes autorizados para uso em suplementos alimentares pela Anvisa. A indústria alega que os trabalhos foram feitos em animais e não em seres humanos.
Pesquisa conduzida pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, a pedido da Organização Mundial da Saúde, chegou à conclusão que adoçantes artificiais e de baixa caloria podem não ajudar na perda de peso.
"Estudos de longo prazo são necessários para avaliar os efeitos sobre o sobrepeso e a obesidade, o risco de diabetes, doenças cardiovasculares e doenças renais", ressaltaram os pesquisadores.
Os melhores produtos, de acordo com os especialistas, são os de origem natural, como stevia e eritritol. São seguros e conferem doçura semelhante ao açúcar, além de apresentar poucos efeitos colaterais.
Mas os médicos são unânimes em afirmar que o ideal mesmo é o alimento com seu próprio sabor, sem adição de açúcares, seja o natural ou o artificial.