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Antigo hotel no Centro é alvo de preocupações para Polícia Civil

Por Larissa Bastos | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Polícia Civil/Reprodução
Delegado afirma que alguns quartos do local sequer têm portas; situação dos quartos e banheiros do prédio é insalubre e imóvel não possui Auto de Vistoria
Delegado afirma que alguns quartos do local sequer têm portas; situação dos quartos e banheiros do prédio é insalubre e imóvel não possui Auto de Vistoria

Um prédio onde funcionava um hotel em frente à Praça Machado de Mello, no Centro de Bauru, tem sido usado para "hospedar" pessoas sem qualquer tipo de controle ou cadastro, de maneira clandestina, o que tem preocupado a Polícia Civil. Investigações apontam que criminosos utilizam o local como esconderijo e até como ponto de venda e consumo de drogas. Para se ter ideia, em uma única operação, cinco pessoas foram presas no endereço, incluindo um foragido da Justiça por homicídio.

Segundo o delegado Cledson do Nascimento, da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic), o estabelecimento passou a chamar a atenção da polícia após um notável aumento na quantidade de roubos nas imediações do imóvel, que fica ao lado da linha férrea - frequentemente utilizada por criminosos para locomoção entre a região central e outros bairros da cidade.

"Os responsáveis pelo hotel cobram R$ 80,00 pela diária e R$ 250,00 para uso mensal, sem qualquer registro de dados das pessoas que estão frequentando o local. Alguns quartos sequer têm portas e a situação lá dentro é totalmente insalubre. Se 'hospedam' lá desde pessoas sem residência fixa até quem vende ou consome entorpecentes, ou quer se esconder após roubos e furtos. É uma verdadeira cracolândia", alerta o delegado. Ele aponta, ainda, que o imóvel não possui Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), nem alvará para funcionamento.

Para se ter ideia, conforme o JC noticiou, em uma operação da Deic no prédio em 20 de abril último, com apoio da Polícia Militar (PM), foram abordadas sete pessoas - todas com antecedentes criminais -, sendo que quatro delas foram presas suspeitas de assaltos a transeuntes na região central, e uma foi encaminhada a um presídio da região, pois era procurada da Justiça por homicídio. Em revista no imóvel, foram apreendidos três celulares e oito facas.

Uma pessoa que trabalha em um comércio próximo do antigo hotel, que pediu para ter a identidade preservada, disse que a movimentação no estabelecimento e nas imediações piorou bastante após a saída da Base Centro da PM, que ficava na praça Machado de Mello. "A sensação de insegurança é grande", lamenta.

Preocupada com a situação, a autoridade policial enviou um ofício à Prefeitura de Bauru pedindo que sejam tomadas as medidas cabíveis no local, e afirma que continuará realizando operações no ponto. "A segurança pública é um problema que todas as instituições têm obrigação de se envolver. Se todos fizerem a sua parte, é possível reduzir a criminalidade na região e criar um ambiente mais seguro", conclui Cledson do Nascimento.

Questionado sobre a situação, o Poder Executivo, por meio da Secretaria do Planejamento (Seplan), se limitou a dizer, em nota, que "o Corpo de Bombeiros vistoriou o local e teria detectado algumas irregularidades e acionado a pasta que, por sua vez, está notificando o estabelecimento". No entanto, não respondeu à reportagem em qual data foi feita a fiscalização, quais as irregularidades encontradas e se o imóvel tem alvará para funcionamento.

Em relação à situação insalubre e às pessoas sem residência fixa, a prefeitura informou que não cabe ação do Serviço Social e da Vigilância Sanitária. "Os casos envolvendo usuários de drogas e criminosos que praticam roubos na região e 'se escondem' no prédio, são um problema de segurança pública", completou.

Já a PM ressaltou que, diuturnamente, realiza patrulhamento preventivo ostensivo na área central da cidade, inclusive nas proximidades do hotel, também ocorrendo o emprego de policiais militares em exercício de atividade delegada. Sobre as consequências da mudança da Base Centro, a corporação não respondeu.

O JC tentou contato com a pessoa legalmente responsável pelo imóvel. No entanto, os dois telefones registrados em seu nome estavam inoperantes.

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