TALENTO

Entrevista da Semana com a bauruense Mariana Barbosa Petelinkar

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Larissa Bastos
Mariana Petelinkar é formada em relações públicas
Mariana Petelinkar é formada em relações públicas

Seu talento faz as pessoas brilharem

"Minha maior recompensa é ver a felicidade das pessoas". É assim que a bauruense Mariana Barbosa Petelinkar, 47 anos, define o que a motiva, todos os dias, a ir para seu escritório e planejar inúmeros eventos sociais e corporativos da cidade. Por trás do sucesso de uma celebração, há um trabalho árduo, que não permite falhas, quando o objetivo é ter excelência no que se faz.

E é com seu talento, reconhecido na cidade, que Mariana faz os protagonistas das festas, sejam casamentos, aniversários ou em empresas, brilharem. O reconhecimento vem em forma de agradecimento, mas, também, de muitos contratos.

Formada em relações públicas e proprietária da empresa de assessoria de eventos que leva seu nome e que comanda há 16 anos, a produtora é responsável, há mais de uma década, pela realização do Prêmio Atenção e do Destaques do Ano da Acib, entidade, inclusive, da qual é segunda-secretária.

Ela também foi escolhida para organizar todos os cerimoniais dos Jogos Regionais de 2012, realizado em Bauru, bem como quatro aniversários do Francisco Guedes Bombini, o Super Chico, que morreu aos 6 anos nesta semana. Chegou, ainda, a dar aulas no Senac e no Iesb e a responder por um dos capítulos do livro "Mulheres que Fazem Acontecer".

Em meio à rotina agitada, Mariana opta, nas horas vagas, por ficar em casa com os filhos - João Vitor, 26 anos, e Beatriz, 10 anos. Também gosta de brincar com a cachorrinha Bella e a gata Luna. Nesta entrevista, ela fala sobre os desafios e as belezas de sua profissão, rememora como o avô a influenciou a empreender e os momentos difíceis que o setor enfrentou durante a pandemia de Covid-19, além de celebrar as expectativas para um promissor 2023.

JC - Como surgiu seu interesse pelo empreendedorismo?

Mariana - Começou com meu avô paterno, que era caixeiro-viajante, e minha avó, que fazia cera em casa. Ele montou uma fábrica em Bauru, a Indústria de Cera Santo Antônio, que produzia a cera Cidinha e as velas Santo Antônio. Era um homem muito politizado, culto. A fábrica ficava do lado da casa deles, onde eu morei por muitos anos, na rua São Paulo, na Vila Seabra. Já meus pais sempre foram servidores públicos. E minha irmã mais velha e única, Alexandra, teve oficina de costura, vendia roupas. Eu, quando estava estudando para o vestibular, dava aulas particulares no fundo de casa. Fui promoter de boate. Queria ter meu dinheirinho e nunca me acomodei.

JC - E como descobriu que tinha talento para produzir eventos?

Mariana - Antes de me formar, fiz estágio na Tilibra e, ao mesmo tempo, um curso de estética. Eu e minha irmã abrimos um salão. Isso foi há 26 anos, quando o João Vitor nasceu. Foi minha primeira incursão no empreendedorismo, mas chegou um momento em que tive que optar e decidi fechar o salão. Fui contratada na Tilibra, onde trabalhei por vários anos. Depois, fui para a Zillo Lorenzetti, época em que fizemos a mudança da identidade da empresa para Zilor. Além de comunicação externa e interna, eu fazia os eventos. Na Zilor, por exemplo, era evento para 4 mil pessoas. Quando saí de lá, abri minha empresa. Vi que havia um nicho a ser explorado na área de assessoria de eventos, já que não tinha muita gente atuando no ramo. Comecei em uma salinha, em uma casa simples na esquina da rua Sete de Setembro com a Rubens Arruda.

JC - Você considera os Jogos Regionais o maior evento que já realizou?

Mariana - Com certeza, foi um dos maiores e mais marcantes. Ganhamos uma licitação da prefeitura de Bauru. Fomos responsáveis pelas equipes que faziam as entregas de medalhas, pela abertura dos jogos, queima de fogos, ou seja, toda a parte dos cerimoniais. É um evento que envolve muita gente, vinda de toda a região. E foi algo que nunca tínhamos feito, com um número imenso de pessoas trabalhando em vários lugares da cidade ao mesmo tempo.

JC - O que mais te move na sua profissão?

Mariana - É ver a felicidade da pessoa diante de tudo o que preparamos. É fazê-la brilhar em um dia importante para ela. E isso tudo só é possível com muito planejamento, avaliação de todas as possibilidades para minimizar as chances de falhas. Por isso, a profissão de promotor de eventos é uma das mais tensas, porque nada pode dar errado. Mas também é uma das mais recompensadoras, porque, como estamos presentes no dia, a gente tem a oportunidade de ver o resultado do nosso trabalho, depois de muitos meses, às vezes até mais de um ano, de planejamento. E, principalmente quando é casamento, lidamos com emoções únicas. Cria-se um vínculo tão forte que algumas clientes acabaram se tornando minhas amigas.

JC - A pandemia da Covid-19 causou muitos prejuízos ao setor. Como conseguiu superar este período?

Mariana - Quando tudo fechou, fiquei sem chão, mas tive que me reinventar. O Reinaldo Cafeo estava iniciando uma parceria com a Fundação Dom Cabral, uma escola de negócios para executivos, e comecei a trabalhar com ele. Ao mesmo tempo, trabalhei com a Angélica Santini, na área de comunicação, e consegui me estabilizar. Aos poucos, os eventos voltaram a ser permitidos e fomos fazendo as remarcações do que tinha sido adiado. E, agora, as pessoas estão muito empolgadas em fazer festas, não querem mais ficar em casa. Considerando que não trabalhei apenas em um sábado em janeiro, que costuma ser um mês mais tranquilo, o ano de 2023 promete ser muito bom. Mas a pandemia me ensinou que a vida é uma montanha-russa e, agora, estou aprendendo a viver um dia de cada vez, porque, senão, a gente não dá conta.

JC - Você também é coautora de um livro. Foi um convite?

Mariana - Sim. A editora Gregory, de São Paulo, me convidou por me considerar uma mulher empreendedora de destaque em Bauru. Ao todo, 16 mulheres empreendedoras daqui contaram sua história no livro "Mulheres que fazem acontecer". Conversei muito com a minha mãe para fazer o resgate da minha história. Na hora de escrever, tive ajuda da jornalista Thaís Coimbra. Foi uma experiência muito gratificante.

Mariana com os filhos Beatriz e João Vitor (crédito: Arquivo pessoal)
Mariana com os filhos Beatriz e João Vitor (crédito: Arquivo pessoal)
Mariana (à direita) no lançamento de seu livro, com o filho João Vitor, o cunhado César Prando e a irmã Alexandra Prando (crédito: Arquivo pessoal)
Mariana (à direita) no lançamento de seu livro, com o filho João Vitor, o cunhado César Prando e a irmã Alexandra Prando (crédito: Arquivo pessoal)
Mariana promoveu quatro aniversários do Super Chico e desenvolveu amizade com a mãe dele, Daniela Bombini (crédito: Arquivo pessoal)
Mariana promoveu quatro aniversários do Super Chico e desenvolveu amizade com a mãe dele, Daniela Bombini (crédito: Arquivo pessoal)

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